Resumo da notícia
- O Projeto Lagos do São Francisco gerou R$ 2,92 em benefícios sociais para cada R$ 1 investido, alcançando R$ 20,5 milhões em valor social a partir de R$ 7 milhões aplicados entre 2019 e 2024.
- Atendeu 508 produtores rurais em 12 municípios do Semiárido, promovendo capacitações, práticas sustentáveis e melhorando a segurança financeira e alimentação das famílias envolvidas.
- Além dos ganhos econômicos, 56% dos participantes adotaram práticas agroecológicas e reflorestamento, enquanto técnicos agropecuários relataram maior motivação e reconhecimento profissional.
O Projeto Lagos do São Francisco transformou a vida de centenas de agricultores familiares no Semiárido brasileiro e multiplicou por quase três o valor investido. Um estudo do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) comprovou que a iniciativa gerou R$ 2,92 em benefícios sociais para cada R$ 1,00 aplicado. A Embrapa Semiárido (PE) executou o projeto entre 2019 e 2024 e alcançou um valor social total de R$ 20,5 milhões a partir de um investimento de R$ 7 milhões.
A AXIA Energia (antiga Eletrobras Chesf) financiou o programa, com parceria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e apoio das prefeituras locais. O projeto fortaleceu a agricultura familiar e promoveu práticas produtivas sustentáveis em 12 municípios ao redor das barragens do Rio São Francisco, nos estados de Alagoas, Bahia, Pernambuco e Sergipe.
508 produtores atendidos diretamente
O projeto atendeu diretamente 508 produtores rurais ao longo de cinco anos. Mais de 5,2 mil pessoas participaram de capacitações, dias de campo e eventos técnicos. Os agricultores, suas famílias e os técnicos agropecuários envolvidos sentiram os impactos positivos das ações.
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A avaliação ouviu 265 produtores e revelou avanços em múltiplas dimensões. Entre os entrevistados, 78% melhoraram a alimentação da família, 85% se sentem mais seguros financeiramente e 74% reduziram a preocupação com dívidas e escassez de recursos.
Bem-estar e motivação crescem entre agricultores
Os resultados mostraram transformações profundas no bem-estar individual e social. Entre os beneficiados, 97% relataram satisfação ao compartilhar conhecimentos com outros agricultores, 94% sentiram maior motivação para o trabalho e 91% enxergam com mais otimismo a possibilidade de viver da própria produção.
O projeto também gerou impactos ambientais significativos. Mais da metade dos participantes (56%) preservou ou reflorestou novas áreas em suas propriedades, incorporando práticas agroecológicas e uso racional da água. Os Campos de Aprendizagem Tecnológica (CATs) impulsionaram essas mudanças. A equipe implantou áreas demonstrativas nas propriedades com apoio técnico e fornecimento de insumos.

Os técnicos agropecuários também relataram benefícios diretos. Todos os entrevistados (100%) declararam aumento na motivação, no reconhecimento profissional e na satisfação pessoal ao contribuir para o desenvolvimento dos produtores.
Embrapa celebra resultados acima das expectativas
O pesquisador da Embrapa Semiárido Rebert Coelho coordenou o projeto e afirmou que os resultados superaram as expectativas. “O Lagos do São Francisco teve foco na agricultura familiar, que representa uma parcela essencial dos produtores do País. No Semiárido, esse trabalho ganha ainda mais relevância, por atender comunidades historicamente desassistidas. O projeto mostrou que, com articulação institucional, tecnologias, assistência técnica e protagonismo do produtor, conseguimos gerar renda e promover a convivência produtiva com o Semiárido”, destacou.
A vice-presidente de Sustentabilidade da AXIA Energia, Camila Araújo, celebrou os resultados práticos das ações de responsabilidade socioambiental da empresa. “Projetos como este reafirmam o nosso compromisso com a performance sustentável, valorizam a agricultura familiar, incentivam o uso responsável dos recursos naturais e promovem impactos duradouros para as pessoas e para o meio ambiente, por meio da capacitação de quem atua nas atividades agropecuárias, ampliando suas oportunidades de renda e qualidade de vida”.
O relatório do IDIS indicou que 81% do valor social gerado se expressou em melhorias diretas nas condições de vida das famílias. Os agricultores realizaram reformas nas moradias, adquiriram bens, melhoraram a alimentação e reduziram dívidas.
Campos de Aprendizagem funcionam como laboratórios a céu aberto
A equipe instalou 508 Campos de Aprendizagem Tecnológica (CATs), espaços demonstrativos que funcionaram como laboratórios a céu aberto. Os técnicos implantaram esses campos em propriedades de produtores selecionados para aplicação e validação de tecnologias adaptadas ao Semiárido.
Os produtores receberam mudas, sementes e ferramentas nesses ambientes. Eles aprenderam e aplicaram técnicas de manejo em diferentes culturas, respeitando a vocação produtiva de cada município e os macrotemas definidos nos planos de ação do projeto.
A equipe implantou CATs para cultivo de cebola, tomate, melancia, milho, feijão, mandioca, manga, goiaba, coco, citros e banana. As atividades também incluíram criação de caprinos, ovinos, bovinos, galinhas e abelhas. Esses espaços se tornaram referência em práticas de recuperação ambiental, manejo de solo e uso racional da água.
As prefeituras e entidades de assistência técnica contribuíram diretamente para a execução das ações em campo. O projeto promoveu diversos eventos de capacitação, alcançando milhares de produtores rurais em toda a região.
Produtores relatam virada produtiva e pessoal
O meliponicultor Clênio da Silva, de Pariconha (AL), aprendeu técnicas que elevaram a qualidade e o rendimento do mel. “Sem capacitação, a gente não tem como trabalhar direito. Esses cursos ajudaram demais. Hoje já fazemos colheitas boas, com mais qualidade, e isso tem ajudado na renda da família”, disse.
O técnico da Emater Isaquiel Dias reforçou o papel da iniciativa na estruturação da cadeia apícola na mesma cidade. “Hoje temos uma cadeia organizada. Isso agrega valor aos agricultores e contribui para a preservação ambiental, porque as abelhas dependem de um ecossistema equilibrado”.
Em Olho D’Água do Casado (AL), o produtor Cícero Lima viu sua renda dobrar após receber ajuda técnica para implantação de forrageiras. “Antes, o que eu plantava vendia quase de graça. Com o projeto, comecei a investir nas vacas, e elas começaram a dar retorno. Vieram a palma, o sorgo, a BRS Capiaçu, melhorou demais”.
O técnico da Emater local Nicolas da Costa confirmou o avanço. “Muitos produtores reduziram a compra de insumos, porque agora produzem forragens de alta qualidade dentro da própria propriedade. Isso fortalece a produção e melhora a renda”.
Tecnologias simples transformam resultados
Em Paulo Afonso (BA), o agricultor Erisvan Pereira destacou o impacto do uso de tecnologias simples, como o cultivo de tomate sob lona. “Antes, perdíamos metade da produção. Agora, o tomate não apodrece, fica limpo e bonito. Melhorou 100%. Quero continuar crescendo com o apoio do projeto”, afirmou.

Miguel Júnior, produtor de Poço Redondo (SE), recebeu uma CAT de limão e tangerina e define o projeto como “um recomeço cheio de esperança”. “A Embrapa trouxe conhecimento e acompanhamento. Aprendi a irrigar melhor, adubar na hora certa e controlar pragas sem prejudicar o meio ambiente. Isso mudou tudo na forma de trabalhar”.
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Além das frutíferas, Miguel adotou o consórcio com mandioca e feijão, garantindo renda até o início da colheita. “Hoje me sinto um produtor mais profissional. Minha família participa de tudo e acreditamos mais no nosso potencial”.
Rede de cooperação garante sucesso da iniciativa
Uma ampla rede de instituições públicas e organizações da sociedade civil garantiu o sucesso do Lagos do São Francisco. A execução envolveu equipes multidisciplinares da Embrapa Semiárido, professores da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), técnicos do Instituto de Inovação para o Desenvolvimento Rural Sustentável de Alagoas (Emater) e prefeituras municipais.
A secretária de Agricultura de Delmiro Gouveia (AL), Renally Medeiros, iniciou sua trajetória no projeto como técnica de campo e testemunhou as transformações geradas nas comunidades rurais. “Foi uma experiência marcante. Vimos famílias que antes tinham medo de arriscar na produção começarem a acreditar em si mesmas. O Lagos do São Francisco despertou nas pessoas o desejo de aprender e de empreender no campo. Muitos produtores, que antes viviam apenas de programas sociais, hoje têm sua própria renda e vendem para o PAA e o PNAE”, relembra, referindo-se ao Programa de Aquisição de Alimento e ao Programa Nacional de Alimentação Escolar, iniciativas do Governo Federal.
O técnico Joaquim Santos, da Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação (Cohidro), da Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca de Sergipe, destacou a contribuição científica da Embrapa. “A Embrapa trouxe base científica e orientação prática, e juntos conseguimos resultados concretos”.
Segundo ele, as ações promoveram avanços rápidos na produtividade e na consciência ambiental. “Implantamos áreas de fruticultura, distribuímos sementes adaptadas e reflorestamos nascentes. Hoje, vemos propriedades mais verdes, organizadas e produtivas. É um projeto que realmente transformou a região”.
O Lagos do São Francisco atendeu doze municípios: Petrolândia e Jatobá (PE); Glória, Rodelas e Paulo Afonso (BA); Pariconha, Delmiro Gouveia, Olho D’Água do Casado e Piranhas (AL); Canindé do São Francisco, Poço Redondo e Nossa Senhora da Glória (SE).








