Iniciativa da Embrapa e Coopervap entra em sua terceira fase, com um olhar especial na conservação do solo
Foto: Carlos Eduardo Santos/Embrapa/Coopervap

Um novo capítulo começou a ser escrito nos cerrados do Noroeste de Minas. O projeto Mais Leite Saudável, uma parceria de sucesso entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap), acaba de iniciar sua terceira fase, e os produtores familiares da região são os grandes protagonistas dessa história.

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Agora, uma rede de 150 propriedades rurais vai receber a visita de uma equipe de cinco especialistas, três veterinários e dois agrônomos. Eles não vão só dar palpite. Eles vão rolar as mangas e trabalhar junto com o produtor, seguindo um modelo que já mostrou resultado desde 2020. O treinamento dessa turma nova aconteceu em outubro, e as primeiras visitas técnicas já estão rolando desde o início de novembro.

O segredo está no Programa Mais Leite Saudável, do MAPA. A iniciativa oferece um incentivo fiscal para laticínios e cooperativas. Em troca de investirem no produtor rural, elas recebem descontos de até 50% em tributos federais. É um ciclo virtuoso: a indústria ganha um insumo de melhor qualidade e o homem do campo recebe tecnologia de ponta.

Os desafios são reais, mas as soluções estão no campo.

José Humberto Xavier, pesquisador da Embrapa, conta que os sistemas de cultivo para alimentar o gado já deram um salto, mas ainda tem uns perrengues para resolver. “A gente precisa proteger o solo, que perde qualidade com o preparo convencional e fica compactado quando pisa molhado. A meta é aumentar a produtividade e, ao mesmo tempo, deixar o trabalho no campo menos penoso com a mecanização certa”, explica ele.

Já Carlos Eduardo Santos, analista da Embrapa, puxa a conversa para um ponto crucial: a genética do rebanho. Tradicionalmente, o produtor repõe o rebanho comprando animais de fora, o que gera custo alto e risco sanitário. “A Coopervap quer mudar esse jogo. A gente pretende implementar um programa próprio de reposição, criando os melhores animais direto aqui, baseado na nossa experiência de anos no campo”, adianta Santos.

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A nova etapa do projeto tem horizonte longo, indo até 2028. O foco é desenvolver alternativas na agricultura de conservação, oferecer suporte técnico para o melhoramento genético via inseminação artificial e, claro, espalhar os bons resultados para ainda mais agricultores. A receita para um leite mais saudável e uma região mais desenvolvida passa, necessariamente, por investir em quem está na linha de frente.