Resumo da notícia
- Abelhas mamangavas usaram ferramentas para resolver um problema complexo, rolando uma bola para alcançar uma flor inacessível, mostrando capacidade cognitiva além do instinto.
- No experimento, 75% das abelhas conseguiram resolver a tarefa sem treinamento prévio, e mesmo em condições difíceis, lembraram a localização da flor e usaram a bola com precisão.
- O estudo desafia a ideia de que inteligência depende do tamanho do cérebro, evidenciando que cérebros pequenos podem gerar comportamentos flexíveis e adaptativos em insetos.
Abelhas mamangavas demonstraram capacidade de usar ferramentas para resolver problemas, segundo um estudo publicado na revista Science. A descoberta amplia o entendimento sobre cognição animal e desafia a ideia de que insetos agem apenas por instinto.
Pesquisadores adaptaram o clássico experimento da “caixa e banana”, criado há cerca de um século para avaliar a inteligência de chimpanzés. Nesse teste, o animal precisa empilhar caixas para alcançar uma banana fora do alcance. Ao longo dos anos, cientistas registraram esse tipo de comportamento em primatas, elefantes e corvos.
No novo estudo, as abelhas enfrentaram um desafio semelhante. Elas precisaram rolar uma pequena bola até um ponto específico e subir nela para acessar uma flor artificial posicionada no teto de uma câmara. O espaço impedia o voo direto até a recompensa, o que exigiu uma solução alternativa.
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Os pesquisadores treinaram inicialmente as abelhas para associar a cor azul a uma recompensa de água com açúcar. Depois, transferiram a flor para uma posição inacessível. Sem treinamento prévio para aquela tarefa, os insetos tiveram que descobrir como usar a bola como ferramenta.
Na versão mais simples do experimento, 75% das abelhas conseguiram resolver o problema. O resultado indica que elas não apenas respondem a estímulos, mas também conseguem adaptar comportamentos para atingir objetivos.
Etapas da pesquisa
Para descartar a hipótese de comportamento aleatório, os cientistas aumentaram o nível de dificuldade. Em uma etapa avançada, as abelhas exploraram o ambiente antes da introdução da bola. Em seguida, os pesquisadores bloquearam a visão da flor com luz vermelha. Mesmo assim, 23 das 30 abelhas lembraram a localização correta e posicionaram a bola de forma precisa.
Segundo o ecólogo comportamental Olli Loukola, autor principal do estudo, o resultado mostra que cérebros pequenos podem gerar soluções flexíveis para problemas inéditos. Ele destaca que muitos ainda enxergam insetos como organismos puramente reflexivos, sem capacidade cognitiva relevante.
Especialistas independentes também reforçam a importância da descoberta. Para o professor Lars Chittka, da Queen Mary University of London, as abelhas já demonstraram habilidades como contagem e manipulação de objetos, mas o novo experimento traz a evidência mais clara de compreensão prática de um desafio.
A pesquisa reforça que o tamanho do cérebro não determina, por si só, o nível de inteligência. No caso das abelhas, o estudo indica que sistemas nervosos compactos podem sustentar comportamentos complexos e adaptativos.









