Resumo da notícia
- A Coopram conecta agricultores familiares de Domingos Martins a escolas de 78 municípios, ampliando o mercado por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
- O programa exige que pelo menos 30% dos recursos da alimentação escolar sejam usados para comprar da agricultura familiar, garantindo renda e alimentos frescos para os estudantes.
- A cooperativa organiza a produção e distribuição, facilitando a comercialização e oferecendo segurança aos produtores para escoar sua colheita com menos burocracia.
A agricultura familiar de Domingos Martins, cidade localizada no estado do Espírito Santo, encontrou nas compras públicas um caminho para ampliar o mercado dos produtores. Por meio da Cooperativa de Empreendedores Rurais de Domingos Martins (Coopram), alimentos cultivados por pequenos agricultores chegam a escolas de 78 municípios e também a outros estados.
A cooperativa faz a ligação entre as propriedades rurais e as unidades de ensino. Para isso, recebe, organiza e distribui produtos de diferentes agricultores. Dessa forma, ajuda a criar novos canais de comercialização para quem produz no campo.
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Segundo o presidente da Coopram, Darli Schaefer, a atuação da cooperativa também traz mais segurança para os agricultores.
“Nosso papel é fazer essa ponte entre o produtor e as escolas. Com as compras públicas, conseguimos criar novos caminhos para a produção da agricultura familiar e dar mais segurança para o cooperado produzir e saber que terá para onde escoar sua colheita”, afirma.
PNAE cria mercado para a agricultura familiar
Esse trabalho ocorre por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Desde 2009, a política determina que pelo menos 30% dos recursos destinados à alimentação escolar sejam utilizados na compra de produtos da agricultura familiar, conforme a Lei nº 11.947.
Na prática, a medida cria um canal de venda para pequenos produtores. Ao mesmo tempo, permite que alimentos cultivados nas propriedades rurais cheguem à alimentação dos estudantes.
Para os agricultores, a participação da cooperativa reduz parte do trabalho necessário para encontrar compradores. Em vez de negociar individualmente com cada cliente, o produtor conta com uma estrutura que organiza a comercialização e a distribuição.
É o caso de Guilherme Volkers Waiandt, produtor da região do Galo, em Domingos Martins. A família trabalha com agricultura há mais de 50 anos.

O avô de Guilherme iniciou a produção e levava os alimentos de caminhonete até Campinho, sede do município, para comercialização. Depois, o trabalho passou para o pai, Gervânio Elias Waiandt, conhecido como Zico, e chegou à nova geração.
Hoje, a família mantém três pequenas propriedades em produção nas regiões do Galo, Biriricas e Melgaço. Entre as culturas estão banana, café, tangerina ponkan, abacate e aipim.
“A agricultura sempre fez parte da nossa história. É um trabalho que foi passado de geração em geração e que continua fazendo parte da nossa rotina”, conta Guilherme.
Cooperativa amplia destino da produção
Cooperado da Coopram há 45 anos, Guilherme também vê na organização uma forma de levar a produção para novos mercados. Além da comercialização, a cooperativa assume parte da estrutura necessária para que os alimentos cheguem às escolas.
“Nossa produção tem conquistado novos destinos e, quando a cooperativa faz esse trabalho, ela olha para quem está no campo e reconhece o esforço do produtor. E, quando o produtor é valorizado, o produto também ganha valor. É uma forma de mostrar que existe uma história e uma pessoa por trás do alimento que chega à mesa”, relata.
Em Melgaço, o produtor Geraldo Tesch também utiliza a estrutura da cooperativa para comercializar parte da produção. Ele fornece produtos à Coopram desde 2012.
Na propriedade, cultiva e entrega itens como alface, chuchu, cenoura, abobrinha, pepino, inhame e mexerica ponkan.
Para Geraldo, a parceria ajuda a reduzir uma das incertezas da agricultura familiar: encontrar compradores para a produção.
“Para a gente aqui é muito importante essa parceria, ver que a Coopram compra os produtos do associado e faz as entregas nas escolas. A gente também tem uma segurança de que parte da produção tem uma venda garantida”, afirma.

Da propriedade até a escola
Para fazer essa ligação, a Coopram mantém uma estrutura de recebimento e distribuição. Alguns agricultores levam os produtos diretamente à sede da cooperativa, em Ponto Alto. Em outros casos, a própria organização recolhe os alimentos nas propriedades.
Depois do recebimento, os produtos são conferidos e separados conforme os pedidos de cada unidade escolar. Em seguida, a cooperativa organiza as cargas e realiza as entregas.
Assim, alimentos produzidos em pequenas propriedades de Domingos Martins podem deixar o município e chegar às refeições de estudantes em diferentes regiões.
A agricultura familiar permanece na origem desse processo. Já a cooperativa concentra parte da organização necessária para levar os produtos até o destino.
Produção de Domingos Martins chega a outros Estados
O alcance da Coopram não se limita às escolas capixabas. Segundo a cooperativa, cerca de 90% dos associados comercializam algum produto com a organização ao longo do ano.
Parte dessa produção atende municípios do Espírito Santo. Outra parcela segue para fora do Estado.
Neste ano, a Coopram já registra mais de R$ 15 milhões em vendas realizadas fora do Espírito Santo, segundo Darli Schaefer. A cooperativa também fornece para municípios de São Paulo e do Rio de Janeiro.
“Esse alcance mostra que a agricultura familiar tem capacidade de produzir e atender diferentes mercados. Quando conseguimos levar esses alimentos para outras regiões, ampliamos as oportunidades para os nossos cooperados e fazemos com que o trabalho realizado nas propriedades de Domingos Martins chegue cada vez mais longe”, destaca Darli.