Resumo da notícia
- O Sítio da Pedra, em Caldas (MG), transformou um refúgio em projeto de produção de azeite, com oliveiras cultivadas a 1.300 metros de altitude e solo vulcânico, focando em qualidade.
- A primeira safra comercial 2026 do Azeite da Pedra conquistou prêmios internacionais, incluindo Best of Brazil e Grand Prestige Gold, destacando-se mesmo com oliveiras ainda em desenvolvimento.
- Os produtores priorizam colheita e processamento rápido para garantir qualidade, com produção limitada a cerca de 800 garrafas, visando crescer até 8 mil na maturidade das oliveiras.
Uma propriedade criada inicialmente como refúgio ganhou uma nova função na Serra da Mantiqueira. Em Caldas, no Sul de Minas Gerais, Paula Pedrão e Fábio Dias transformaram uma área situada a cerca de 1.300 metros de altitude em um pequeno projeto de produção de azeite.
A primeira safra comercial do Sítio da Pedra, colhida em 2026, alcançou reconhecimento internacional. O Azeite da Pedra – Blend de Safra 2026 ficou entre os dez melhores do TerraOlivo International Olive Oil Competition e também recebeu os títulos de Best of Brazil e Grand Prestige Gold. Além disso, o resultado chama atenção porque as oliveiras ainda estão em fase de desenvolvimento. Segundo informações da propriedade, o sítio possui cerca de 2 mil árvores e cultiva variedades como Arbequina, Grappolo e Koroneiki, utilizadas no blend da primeira safra.
- Azeites gaúchos conquistam 11 medalhas máximas em concurso internacional
- Como o azeite de oliva é feito: do pé à garrafa em 7 etapas
De refúgio a projeto produtivo
Inicialmente, o casal queria apenas um lugar para descansar, reunir amigos e aproveitar a natureza. Antes de plantar oliveiras, porém, Paula e Fábio chegaram a considerar a produção de vinho. A altitude da propriedade mudou os planos e levou os produtores a procurar uma cultura que aproveitasse melhor as características da área. Foi nesse momento que a olivicultura entrou no projeto.
O solo de origem vulcânica e a altitude também influenciaram a escolha. Assim, uma propriedade que tinha principalmente função recreativa passou a receber uma atividade agrícola de pequena escala. Ao mesmo tempo, os produtores precisaram aprender a trabalhar com as oliveiras. Paula conta que o casal estudou o manejo, escolheu parceiros e buscou entender o momento adequado para cada etapa da produção.
Além disso, os dois mantiveram suas atividades profissionais fora da propriedade. Por isso, precisaram conciliar a rotina de trabalho com os cuidados exigidos pelo olival.
Colheita e processamento exigem rapidez
Na produção de azeite, os produtores dedicam atenção ao intervalo entre a colheita das azeitonas e o processamento. Segundo Paula, algumas azeitonas do Sítio da Pedra chegaram à extração cerca de seis horas depois da retirada das árvores. No máximo, esse intervalo ficou abaixo de 12 horas.
A propriedade também informa que realiza a colheita no ponto considerado adequado de maturação e encaminha as azeitonas rapidamente para o processamento. Dessa forma, o sítio adotou uma estratégia diferente da produção voltada ao grande volume. Em vez de buscar escala, os produtores priorizam uma quantidade limitada e concentram o trabalho na qualidade do azeite.
Pequena escala limita expansão
Na primeira safra comercial, o Sítio da Pedra produziu cerca de 800 garrafas, segundo Paula. Esse volume ainda está distante da escala necessária para abastecer grandes redes varejistas de maneira contínua. Por outro lado, as oliveiras ainda não atingiram a maturidade produtiva.

A expectativa dos produtores é chegar a aproximadamente 8 mil garrafas de 250 mililitros, o equivalente a cerca de 2 mil litros, quando as plantas alcançarem maior capacidade de produção. Atualmente, as oliveiras têm cerca de cinco anos e, segundo os produtores, devem atingir a maturidade produtiva entre oito e dez anos.
Por isso, o projeto não busca disputar mercado pelo volume. A proposta é manter uma produção menor, controlar as etapas e atender consumidores interessados em azeites brasileiros de perfil extravirgem.
Reconhecimento impulsiona novos projetos
O resultado da primeira safra também reforçou, para os produtores, a percepção sobre o potencial da olivicultura na Serra da Mantiqueira. No TerraOlivo, o Azeite da Pedra ficou entre os dez melhores da competição e recebeu ainda os títulos de Best of Brazil e Grand Prestige Gold.
Apesar do reconhecimento, o casal não pretende ampliar rapidamente a produção. Segundo Paula, o tamanho da propriedade e a proposta de trabalhar em pequena escala continuam orientando as decisões.
Enquanto as oliveiras avançam, os produtores também iniciaram outro projeto agrícola. Eles plantaram as primeiras mudas de uvas para produzir vinho branco, com a variedade
entre as escolhidas. A expectativa informada pelos produtores é realizar a primeira colheita no fim de 2027 e começar a comercialização em 2028.
Assim, o Sítio da Pedra amplia suas possibilidades produtivas sem abandonar a proposta que orientou o projeto desde o início: observar as características da terra e escolher culturas compatíveis com a propriedade.