Resumo da notícia
- A produção de soja no Brasil deve atingir 180,4 milhões de toneladas na safra 2025/26, recorde histórico impulsionado pelo aumento da área cultivada e da produtividade média.
- As exportações brasileiras de soja estão previstas em 116,2 milhões de toneladas, crescimento de 7,4%, reforçando a liderança do Brasil como maior fornecedor mundial, com a China como principal destino.
- Apesar do crescimento da produção, os estoques finais de soja devem cair para 9,2 milhões de toneladas, devido ao aumento simultâneo do consumo interno e das exportações.
O Brasil está prestes a colocar no mercado internacional uma quantidade de soja nunca vista. A estimativa mais recente aponta exportações de 116,2 milhões de toneladas na safra 2025/26, estabelecendo um novo recorde para o país.
O número acompanha outro resultado histórico. A produção brasileira deve alcançar 180,4 milhões de toneladas de soja, também a maior já registrada.
- Safra recorde nos EUA acende alerta para a soja brasileira
- Soja ganha força com chuvas e sustenta preços no Brasil
Os dados fazem parte do 12º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado nesta terça-feira (15) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Na prática, de cada dez toneladas de soja produzidas no Brasil nesta temporada, mais de seis terão como destino o mercado externo.
Soja brasileira cresce 5,2%
A produção estimada pela Conab representa crescimento de 5,2% em relação à safra anterior.
O avanço não veio apenas da abertura de novas áreas.
A área cultivada cresceu 2,7% e incorporou aproximadamente 1,3 milhão de hectares. Ao mesmo tempo, a produtividade média aumentou 2,5%.
Portanto, o recorde combina dois movimentos: o Brasil plantou mais soja e também conseguiu retirar mais grãos de cada hectare.
Esse resultado levou a produção para aproximadamente 180,4 milhões de toneladas, contra 171,5 milhões no ciclo anterior.
Exportação deve bater 116,2 milhões de toneladas

O volume destinado ao exterior também avançou.
De acordo com a Conab, as exportações brasileiras devem alcançar 116,2 milhões de toneladas em 2025/26. Na temporada anterior, a estimativa era de aproximadamente 108,2 milhões.
Isso representa crescimento próximo de 7,4%.
O avanço das exportações supera, portanto, o próprio crescimento da produção.
Além disso, o desempenho reforça a posição do Brasil como principal fornecedor mundial da oleaginosa. A China continua sendo o grande destino da soja brasileira e exerce influência direta sobre preços, embarques e decisões de comercialização dentro das propriedades.
Brasil também consome mais soja
Nem todo o crescimento segue para os portos.
O consumo doméstico está projetado em 65,9 milhões de toneladas, contra aproximadamente 61,5 milhões na temporada anterior.
A alta chega a 7,1%.
Boa parte dessa demanda está relacionada ao esmagamento da soja para produção de farelo e óleo. Esses derivados abastecem diferentes cadeias, desde alimentação animal até biocombustíveis.
Assim, o recorde brasileiro não depende apenas das compras internacionais. O mercado interno também ampliou sua necessidade de matéria-prima.
Estoques podem terminar menores
Há um detalhe importante escondido entre os números recordes.
Mesmo com produção maior, a estimativa aponta redução dos estoques finais.
Os estoques devem cair de aproximadamente 10 milhões para 9,2 milhões de toneladas.
Isso acontece porque exportações e consumo doméstico também aumentaram.
Para o produtor, essa relação entre produção, exportação, consumo e estoque merece atenção. Uma safra recorde não significa necessariamente excesso de soja disponível no mercado.
Mato Grosso permanece no centro da produção
A expansão da soja brasileira também mantém forte concentração regional.
Dados da Conab mostram que Centro-Oeste e Sul respondem juntos por cerca de 70% da produção nacional. O Mato Grosso, sozinho, permanece responsável por mais de um quarto da soja colhida no país.
Essa concentração ajuda a explicar por que clima, logística e ritmo de comercialização nesses estados podem influenciar o mercado nacional.
Além disso, o tamanho crescente da safra aumenta a pressão sobre rodovias, ferrovias, armazéns e portos.
Quanto mais o Brasil produz e exporta, maior também se torna o desafio de transportar o grão até o comprador.
O que o recorde significa para o produtor
Produzir e exportar mais confirma a competitividade brasileira, mas não garante automaticamente uma rentabilidade maior dentro da porteira.
Preço internacional, câmbio, custos de produção, frete e momento escolhido para comercializar continuam determinantes para a margem.
Além disso, uma oferta brasileira maior pode exercer pressão sobre as cotações quando não encontra crescimento equivalente da demanda internacional.
Por outro lado, o avanço das exportações para 116,2 milhões de toneladas mostra que o mercado está absorvendo boa parte do aumento da produção.
É justamente essa combinação que chama atenção.
O Brasil caminha para colher a maior safra de soja de sua história e, ao mesmo tempo, mandar ao exterior uma quantidade igualmente inédita.
O levantamento da Conab mostra que a soja brasileira não está apenas produzindo mais. Ela também nunca esteve tão presente no mercado mundial.