Produção chega a 180,4 milhões de toneladas na safra 2025/26 e país caminha para registrar também o maior volume de embarques da história
Grãos de soja brasileira em safra que deve levar exportações a 116,2 milhões de toneladas
Foto: Embrapa - Roberto Kasuhiko Zito

O Brasil está prestes a colocar no mercado internacional uma quantidade de soja nunca vista. A estimativa mais recente aponta exportações de 116,2 milhões de toneladas na safra 2025/26, estabelecendo um novo recorde para o país.

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O número acompanha outro resultado histórico. A produção brasileira deve alcançar 180,4 milhões de toneladas de soja, também a maior já registrada.

Os dados fazem parte do 12º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado nesta terça-feira (15) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Na prática, de cada dez toneladas de soja produzidas no Brasil nesta temporada, mais de seis terão como destino o mercado externo.

Soja brasileira cresce 5,2%

A produção estimada pela Conab representa crescimento de 5,2% em relação à safra anterior.

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O avanço não veio apenas da abertura de novas áreas.

A área cultivada cresceu 2,7% e incorporou aproximadamente 1,3 milhão de hectares. Ao mesmo tempo, a produtividade média aumentou 2,5%.

Portanto, o recorde combina dois movimentos: o Brasil plantou mais soja e também conseguiu retirar mais grãos de cada hectare.

Esse resultado levou a produção para aproximadamente 180,4 milhões de toneladas, contra 171,5 milhões no ciclo anterior.

Exportação deve bater 116,2 milhões de toneladas

Lavoura de soja no Brasil durante o desenvolvimento da safra de grãos
Foto: Embrapa – Alexandre Nepomuceno

O volume destinado ao exterior também avançou.

De acordo com a Conab, as exportações brasileiras devem alcançar 116,2 milhões de toneladas em 2025/26. Na temporada anterior, a estimativa era de aproximadamente 108,2 milhões.

Isso representa crescimento próximo de 7,4%.

O avanço das exportações supera, portanto, o próprio crescimento da produção.

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Além disso, o desempenho reforça a posição do Brasil como principal fornecedor mundial da oleaginosa. A China continua sendo o grande destino da soja brasileira e exerce influência direta sobre preços, embarques e decisões de comercialização dentro das propriedades.

Brasil também consome mais soja

Nem todo o crescimento segue para os portos.

O consumo doméstico está projetado em 65,9 milhões de toneladas, contra aproximadamente 61,5 milhões na temporada anterior.

A alta chega a 7,1%.

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Boa parte dessa demanda está relacionada ao esmagamento da soja para produção de farelo e óleo. Esses derivados abastecem diferentes cadeias, desde alimentação animal até biocombustíveis.

Assim, o recorde brasileiro não depende apenas das compras internacionais. O mercado interno também ampliou sua necessidade de matéria-prima.

Estoques podem terminar menores

Há um detalhe importante escondido entre os números recordes.

Mesmo com produção maior, a estimativa aponta redução dos estoques finais.

Os estoques devem cair de aproximadamente 10 milhões para 9,2 milhões de toneladas.

Isso acontece porque exportações e consumo doméstico também aumentaram.

Para o produtor, essa relação entre produção, exportação, consumo e estoque merece atenção. Uma safra recorde não significa necessariamente excesso de soja disponível no mercado.

Mato Grosso permanece no centro da produção

A expansão da soja brasileira também mantém forte concentração regional.

Dados da Conab mostram que Centro-Oeste e Sul respondem juntos por cerca de 70% da produção nacional. O Mato Grosso, sozinho, permanece responsável por mais de um quarto da soja colhida no país.

Essa concentração ajuda a explicar por que clima, logística e ritmo de comercialização nesses estados podem influenciar o mercado nacional.

Além disso, o tamanho crescente da safra aumenta a pressão sobre rodovias, ferrovias, armazéns e portos.

Quanto mais o Brasil produz e exporta, maior também se torna o desafio de transportar o grão até o comprador.

O que o recorde significa para o produtor

Produzir e exportar mais confirma a competitividade brasileira, mas não garante automaticamente uma rentabilidade maior dentro da porteira.

Preço internacional, câmbio, custos de produção, frete e momento escolhido para comercializar continuam determinantes para a margem.

Além disso, uma oferta brasileira maior pode exercer pressão sobre as cotações quando não encontra crescimento equivalente da demanda internacional.

Por outro lado, o avanço das exportações para 116,2 milhões de toneladas mostra que o mercado está absorvendo boa parte do aumento da produção.

É justamente essa combinação que chama atenção.

O Brasil caminha para colher a maior safra de soja de sua história e, ao mesmo tempo, mandar ao exterior uma quantidade igualmente inédita.

O levantamento da Conab mostra que a soja brasileira não está apenas produzindo mais. Ela também nunca esteve tão presente no mercado mundial.