Resumo da notícia
- O envelhecimento dos cacaueiros reduz a produtividade após cerca de 25 anos, aumentando a pressão sobre a oferta mundial de cacau, alerta o podcast da Nestlé na ExpoCacau 2026.
- A Costa do Marfim, maior produtora mundial, enfrenta 85% de senilidade nas plantações, intensificando o desafio de renovar áreas para manter a produção global.
- Renovar gradualmente 10% das lavouras ao ano, com manejo e assistência técnica, pode elevar a produtividade e evitar quedas acentuadas no rendimento das plantações.
O envelhecimento dos cacaueiros pode reduzir a produtividade das lavouras e aumentar a pressão sobre a oferta mundial de cacau. O alerta foi apresentado durante um episódio do podcast da Nestlé gravado na ExpoCacau 2026.
Segundo Roberto Lessa, empresário, consultor e produtor da Fazenda Vila Opa, o cacaueiro tem um ciclo economicamente viável de aproximadamente 20 anos. Em condições favoráveis, porém, pode chegar a 25 ou 30 anos.
Por isso, Lessa defende a renovação gradual das lavouras, com substituição de cerca de 10% da área por ano. A estratégia busca evitar que uma grande parcela das plantas envelheça simultaneamente e provoque uma queda acentuada na produção.
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Envelhecimento afeta produtividade
O problema não se limita a uma propriedade. A Organização Internacional do Cacau (ICCO) aponta que os cacaueiros costumam atingir a produtividade máxima por volta dos oito anos e podem manter bons rendimentos até aproximadamente 25 anos. Depois disso, a produtividade tende a cair.
Além da idade das plantas, a entidade relaciona a baixa produtividade mundial a fatores como pragas, doenças, material de plantio inadequado e limitações de assistência técnica.
Assim, a renovação das áreas se torna uma estratégia de longo prazo para manter o rendimento das lavouras.
Costa do Marfim entra no radar
A dimensão do problema aumenta quando se observa a produção internacional. A Costa do Marfim, maior produtora mundial de cacau, apresenta, segundo Lessa, 85% de senilidade nas plantações.
O número foi apresentado pelo consultor durante o podcast e não corresponde a uma estatística independente da ICCO.
Além disso, Lessa estimou que seriam necessários entre 1,8 milhão e 2,2 milhões de hectares de cacau de alta performance para compensar parte da perda de produção associada às áreas antigas.
A estimativa deve ser vista com cautela, mas ajuda a dimensionar o desafio enfrentado pela cadeia. Afinal, a oferta mundial também depende de clima, doenças, manejo e investimentos nas áreas produtoras.
Renovação pode elevar rendimento
Na Fazenda Vila Opa, os números apresentados mostram uma diferença expressiva entre áreas antigas e quadras de alta performance.
Segundo os dados divulgados no episódio, áreas antigas e degradadas produzem entre 150 e 200 quilos por hectare, enquanto algumas quadras de alta performance chegaram a 4.450 quilos por hectare.
Os resultados são específicos da propriedade e não representam a média da produção brasileira ou mundial. Ainda assim, mostram o impacto que idade das plantas, genética e manejo podem ter sobre a produtividade.
Por isso, a renovação precisa ocorrer junto com assistência técnica, controle de doenças, manejo adequado e escolha de materiais genéticos adaptados.
Para o produtor, o desafio está em renovar as áreas de baixa produtividade sem comprometer as plantas que ainda apresentam bom rendimento. Para a cadeia global, a questão é manter a capacidade de produção enquanto parte dos cacaueiros envelhece.
A renovação gradual aparece, portanto, como uma das estratégias para reduzir esse risco no longo prazo.