Estimativa da Datagro supera o recorde de 24 milhões de toneladas da safra 2015/16 e pode prolongar a moagem até março de 2027
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Foto: Embrapa - Zineb Benchekchou

As chuvas no Centro-Sul do Brasil podem deixar cerca de 35 milhões de toneladas de cana-de-açúcar para processamento na próxima safra, segundo estimativa do presidente da Datagro, Plinio Nastari. O volume supera o recorde de 24 milhões de toneladas registrado na safra 2015/16.

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Além de atrasar a colheita da safra 2026/27, o excesso de umidade também reduz a qualidade da matéria-prima e dificulta o trabalho das máquinas. Segundo Nastari, a água em excesso diminui o teor de Açúcar Total Recuperável (ATR), indicador que mede o potencial de açúcar que a indústria consegue extrair da cana.

“Os preços reagiram, mas as usinas não conseguem produzir o açúcar que gostariam”, afirma Nastari.

Chuvas aumentam problemas no canavial

A umidade elevada também favorece a ocorrência de cigarrinha-da-raiz. O inseto provoca perfurações na planta, que podem facilitar a ação de bactérias e fungos e comprometer ainda mais a qualidade da matéria-prima.

Além disso, o excesso de água deixa as plantas mais pesadas e favorece o tombamento dos canaviais. Com a cana deitada, a colheita mecanizada fica mais difícil.

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Nesse cenário, a máquina também encontra mais dificuldade para fazer o desponte adequado. Como resultado, aumenta a quantidade de material vegetal que chega à usina junto com a matéria-prima.

O tombamento pode ainda provocar enraizamento. “E mais terra é carregada junto com a cana, elevando a chamada impureza mineral. A combinação de impurezas vegetais e minerais reduz o rendimento industrial das usinas e dificulta a fabricação de açúcar”, explica.

Moagem pode avançar até março

Diante desse cenário, Nastari estima que cerca de 35 milhões de toneladas de cana possam ficar para processamento na próxima safra.

“Esse volume será recorde, e vai superar a 24 milhões de toneladas registradas em 2015/16”, diz.

Com o atraso, a moagem da safra 2026/27, que historicamente se encerra em novembro, poderá avançar para o fim de fevereiro ou o início de março de 2027. Nesse período, porém, a umidade também pode continuar elevada e dificultar o processamento.

Cana pode ter maior destino para etanol

Nesse cenário, parte da matéria-prima poderá seguir para a produção de etanol, em vez de açúcar, segundo Nastari.

A condição da cana ajuda a explicar essa possibilidade. A umidade elevada dificulta a cristalização necessária para fabricar açúcar. Por isso, o estado da matéria-prima pode influenciar o mix de produção das usinas nos últimos meses da safra.

A temporada também apresenta uma previsão elevada de produção. A Conab estima 705,2 milhões de toneladas de cana no Brasil em 2026/27, volume 4,7% superior ao registrado no ciclo anterior.

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Assim, o volume que eventualmente ficar para o próximo ciclo pode afetar o ritmo de processamento entre o fim de 2026 e o início de 2027.