Produção pode levar até 18 meses e envolve genética, irrigação, adubação e manejo intensivo para garantir velocidade e segurança nos jogos
Antes de receber craques e milhões de espectadores, cada gramado passa por um longo processo de cultivo — Foto: Divulgação

Quando a bola rola em uma Copa do Mundo, o gramado desempenha um papel fundamental no espetáculo. A velocidade dos passes, o comportamento da bola e até a segurança dos jogadores dependem diretamente da qualidade da superfície.

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Por trás dos estádios, existe uma cadeia produtiva altamente especializada que começa muito antes do apito inicial. Segundo Rodrigo Santos, coordenador do Centro de Gramados Esportivos da Itograss, empresa brasileira que produz variedades utilizadas em estádios da Copa de 2026, a base do futebol moderno está no campo.

“O futebol começa na fazenda”, resume.

Da fazenda para os grandes estádios

A produção de um gramado esportivo segue princípios semelhantes aos de outras culturas agrícolas, mas exige um nível elevado de tecnologia e manejo.

O ciclo de produção pode durar entre 12 e 18 meses, período necessário para formar uma cobertura uniforme e um sistema radicular resistente, capaz de suportar transporte, transplante e uso intenso durante as partidas.

Nesse processo, a grama passa por etapas como preparo do solo, irrigação diária, adubação, podas frequentes, monitoramento fitossanitário e controle de plantas invasoras.

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“Grama gosta de sol, água e manejo. É agricultura o tempo todo”, afirma Santos.

As variedades usadas na Copa

Na Copa do Mundo de 2026, duas variedades produzidas pela Itograss estarão presentes em estádios do torneio: a Tifway 419 e a North Bridge, ambas pertencentes ao grupo das gramas Bermudas.

A Tifway 419 é conhecida pela rusticidade e facilidade de manejo. Já a North Bridge possui folhas mais finas e maior densidade, características que favorecem gramados mais rápidos e uniformes.

Arrowhead Stadium, em Kansas City, utiliza a grama NorthBridge; variedade é usada em gramados esportivos de alto desempenho — Foto: Itograss/Divulgação

Nas cidades de clima mais frio, uma das variedades mais utilizadas é a Kentucky Bluegrass (Poa pratensis), espécie presente em diversas edições recentes da Copa do Mundo.

O Estádio Akron, em Guadalajara, no México, foi o primeiro a receber oficialmente a grama NorthBridge para a Copa do Mundo de 2026 — Foto: Itograss/Divulgação

Tecnologia para aumentar a velocidade do jogo

Além da genética, a manutenção faz toda a diferença no desempenho do gramado.

Nos principais estádios, equipes técnicas monitoram constantemente fatores como umidade do solo, densidade da cobertura vegetal, dureza da superfície e altura de corte.

Até mesmo a irrigação realizada pouco antes das partidas possui uma função estratégica.

“Não é uma irrigação agronômica. É uma irrigação técnica para dar velocidade”, explica Santos.

Segundo especialistas, gramados mais densos, uniformes e bem aparados proporcionam maior precisão nos passes e uma rolagem de bola mais rápida e previsível.

Muito além do futebol

Embora poucos torcedores associem os gramados ao agronegócio, cada campo utilizado em competições internacionais é resultado de anos de pesquisa genética e milhares de horas de trabalho no campo.

“Cada jogo de alto nível tem gramados com anos de pesquisa genética, milhares de horas de manejo agrícola e uma cadeia produtiva sofisticada”, conclui Santos.