Resumo da notícia
- O Brasil lidera como principal exportador líquido mundial de alimentos, mas enfrenta riscos pela concentração dos mercados compradores, com China, UE e EUA representando 54% das exportações.
- A redução da cota da China para carne bovina em 2026 destaca a necessidade de diversificar destinos, com DDGs e mercados em África, Oriente Médio e Sudeste Asiático como oportunidades.
- A dependência de fertilizantes, defensivos e diesel importados eleva a vulnerabilidade do setor, exigindo investimentos em produção nacional para fortalecer a resiliência das exportações agrícolas.
O Brasil é o principal exportador líquido mundial de alimentos e commodities agrícolas. Porém, o Rabobank aponta dois desafios para manter esse desempenho: a concentração dos mercados compradores e a dependência de insumos importados.
A China responde por cerca de 33% do valor das exportações brasileiras de alimentos e produtos agrícolas. Com União Europeia e Estados Unidos, o grupo representa 54% desse valor.
Além disso, a China está entre os três principais destinos de nove das 10 commodities analisadas pelo banco. Em seis delas, os três maiores compradores concentram mais de 50% das vendas externas.
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Carne bovina expõe a concentração
A carne bovina mostra esse risco. Em 2025, a China comprou cerca de 1,7 milhão de toneladas do produto brasileiro, equivalente a 48% das exportações.
Em 2026, esse cenário mudou. A China estabeleceu uma cota de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas para a carne bovina brasileira. Com isso, os exportadores precisam buscar outros destinos para parte do volume.
A mudança aumenta a importância de mercados alternativos para a carne brasileira. No entanto, redirecionar grandes volumes exige demanda suficiente, condições comerciais competitivas e acesso aos países compradores.
DDG amplia opções
O Rabobank cita os grãos secos de destilaria (DDG) como exemplo de diversificação. Com a expansão do etanol de milho, o produto ganhou espaço nas exportações brasileiras.
Desde 2023, os DDGs brasileiros conquistaram acesso a 21 destinos internacionais, segundo o estudo.
Além disso, o banco aponta oportunidades em regiões com crescimento populacional, como África, Oriente Médio e Sudeste Asiático. O Brasil também avança na abertura de mercados por meio de acordos comerciais.
Dependência de insumos preocupa
O segundo desafio está nos insumos. O Rabobank destaca a dependência brasileira de fertilizantes e defensivos importados.
As importações também representam 25% a 30% do consumo de diesel no país. Por isso, choques internacionais de preços ou oferta podem pressionar os custos do setor.
O banco defende investimentos em refino de petróleo e produção nacional de fertilizantes para reduzir essa vulnerabilidade.
Dessa forma, o Rabobank avalia que diversificar mercados e produtos, ao mesmo tempo em que o Brasil reduz sua dependência de insumos externos, pode aumentar a resiliência das exportações agrícolas.