Resumo da notícia
- A FMC Corporation submeteu ao Brasil o dossiê regulatório do rimisoxafen, herbicida para controle de plantas daninhas resistentes, ainda sem autorização de uso no país.
- O rimisoxafen atua em duas enzimas (PDS e SDPS) e foi testado contra plantas resistentes, visando o manejo em soja e milho, que ocupam mais de 70 milhões de hectares no Brasil.
- O processo de aprovação envolve avaliações do Mapa, Anvisa e Ibama, e a submissão do dossiê é apenas o início; a autorização dependerá da análise completa dos órgãos reguladores.
A FMC Corporation submeteu às autoridades brasileiras o dossiê regulatório do rimisoxafen, novo herbicida desenvolvido para o manejo de plantas daninhas resistentes. O produto ainda não tem autorização para venda ou uso no Brasil.
A empresa informou que apresentou o pedido em 28 de setembro. Esse é o segundo processo regulatório global do ingrediente ativo, depois da solicitação encaminhada à Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) em julho de 2026.
O rimisoxafen mira principalmente o manejo de plantas daninhas em áreas de soja e milho. Segundo a FMC, essas duas culturas ocupam juntas mais de 70 milhões de hectares no Brasil, considerando aproximadamente 50 milhões de hectares de soja e mais de 20 milhões de hectares de milho.
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Entre os problemas citados pela empresa estão populações de caruru-roxo (Amaranthus hybridus) com resistência ao glifosato e aos inibidores da acetolactato sintase (ALS). A FMC também cita o caruru-palmeri (Amaranthus palmeri), espécie submetida a medidas de controle e vigilância fitossanitária no país.
Herbicida reúne dois modos de ação
O rimisoxafen recebeu classificação nos Grupos 12 e 32 do Comitê de Ação de Resistência a Herbicidas (HRAC). A classificação indica que a molécula atua sobre dois alvos bioquímicos diferentes: a fitoeno dessaturase (PDS) e a solanesil difosfato sintase (SDPS).
Essa combinação foi desenvolvida para ampliar as opções de manejo de plantas daninhas resistentes. A estratégia ganha importância em áreas onde populações de determinadas espécies já não respondem adequadamente a mecanismos de ação utilizados anteriormente.
Segundo a FMC, testes de campo mostraram atividade contra plantas daninhas de folhas largas e sementes pequenas, inclusive populações resistentes a outros herbicidas. Como esses resultados foram divulgados pela própria empresa, eles devem ser tratados como dados apresentados pela fabricante, e não como uma comprovação independente de eficácia no campo brasileiro.
Brasil avalia novo herbicida antes de autorizar uso
O protocolo também ocorre em um cenário de atenção regulatória às plantas daninhas resistentes. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mantém informações específicas sobre registros de agrotóxicos e prevê mecanismos de priorização para determinadas situações fitossanitárias, incluindo produtos voltados a espécies de difícil controle.
No entanto, a submissão do dossiê representa apenas uma etapa do processo. No Brasil, o Mapa avalia aspectos relacionados à eficiência agronômica e ao uso agrícola. A Anvisa analisa os aspectos toxicológicos, enquanto o Ibama avalia os riscos ambientais.
Por isso, o protocolo do rimisoxafen ainda não significa que o herbicida chegará às propriedades brasileiras. A eventual autorização depende da conclusão das avaliações previstas na regulamentação.
A FMC informou que pretende apresentar as formulações do produto conforme o processo regulatório avançar. Até lá, produtores e empresas não podem tratar a molécula como uma opção comercial disponível no país.
“Os produtores brasileiros enfrentam desafios complexos de resistência a herbicidas que exigem soluções novas e diferenciadas”, disse Leonardo Bastos, vice-presidente e diretor de marketing da FMC. “Submeter o rimisoxafeno para análise regulatória no Brasil é um importante passo adiante, demonstrando nosso compromisso de longo prazo com este mercado e com os produtores que dependem da inovação para proteger suas lavouras e seus meios de subsistência.”