Resumo da notícia
- A primavera começa nesta terça com mudanças no clima, destacando o El Niño forte que pode intensificar contrastes de chuva e temperatura, impactando diretamente a agricultura brasileira.
- Regiões Sul e parte do Sudeste devem ter chuvas acima da média, enquanto Centro-Oeste, Norte e Nordeste enfrentam estiagens e temperaturas elevadas, afetando cultivos e pastagens.
- A NOAA prevê El Niño histórico para 2026-27, com mais de 90% de chance de intensidade muito forte, influenciando o clima global e exigindo atenção para planejamentos agrícolas e ambientais.
A primavera começa nesta terça-feira (22), às 21h05 (de Brasília), com mudanças no padrão de chuva e temperatura em diferentes regiões do Brasil. Neste ano, o El Niño ganha destaque e pode ampliar os contrastes climáticos, com reflexos diretos na agricultura.
Segundo a NOAA, o fenômeno está se fortalecendo. A agência aponta mais de 90% de chance de o El Niño atingir intensidade muito forte durante o outono e o inverno do Hemisfério Norte de 2026-27. Além disso, há 75% de probabilidade de que o evento entre outubro e dezembro alcance intensidade considerada histórica, superando episódios registrados desde 1950.
“ A primavera é um período em que as características do inverno ainda podem estar presentes, enquanto as condições típicas do verão começam a se estabelecer. Em boa parte do país, são comuns manhãs mais agradáveis, tardes quentes e pancadas de chuva no fim do dia, com grande variação entre as regiões. Porém, a tendência agora é de um Brasil dividido entre uma faixa mais chuvosa, concentrada no Sul e parte do Sudeste, e outra mais seca, abrangendo Centro-Oeste, Norte e Nordeste”, explica Celso Luis de Oliveira Filho, meteorologista da Tempo OK.
- Amazônia entra em novo período de calor e seca com avanço do El Niño
- El Niño pode reduzir chuvas e afetar oferta de gado no Brasil em 2027
Além da chuva, as temperaturas devem subir. Segundo o especialista, o calor tende a ganhar força principalmente no Centro e no Norte do país, com destaque para Pará e Amazonas.
Como o clima afeta a agricultura na primavera
O cenário climático deve produzir efeitos diferentes sobre as atividades agrícolas. Enquanto o excesso de chuva pode dificultar operações no Sul, a falta de precipitação preocupa áreas do Centro-Oeste, Norte e Nordeste.
No Sul, os modelos indicam chuva acima da média. Em alguns pontos, os acumulados podem chegar a 1 mil milímetros, contra cerca de 650 milímetros normalmente registrados na estação.
Na agricultura, o excesso de chuva pode dificultar o acesso de máquinas às lavouras e atrasar operações. Por outro lado, a maior disponibilidade de água favorece culturas de verão e pastagens.
As temperaturas podem ficar entre a média e abaixo dela no Rio Grande do Sul e no litoral de Santa Catarina, devido à possibilidade de massas de ar frio.
Sudeste terá chuva irregular
São Paulo, o sul e o oeste de Minas Gerais e o sul do Rio de Janeiro devem receber chuva acima da média. Em contrapartida, áreas do Espírito Santo, norte de Minas e norte fluminense podem registrar acumulados de até 50 milímetros.
Em São Paulo, as temperaturas tendem a ficar mais amenas até novembro e subir em dezembro. Nas áreas mais úmidas, o cenário pode favorecer soja e milho. Já o déficit hídrico preocupa as regiões mais secas.
Centro-Oeste terá menos chuva
Mato Grosso e Goiás devem registrar chuva abaixo da média, enquanto Mato Grosso do Sul pode receber volumes maiores.
Com menos chuva e nebulosidade, as temperaturas tendem a ficar acima da média. No norte de Mato Grosso, a diferença pode chegar a 2°C.
Em Mato Grosso do Sul, por outro lado, as condições devem favorecer a soja durante a semeadura, o estabelecimento e o desenvolvimento da safra.
Norte terá menos chuva e mais calor
Amazonas e Pará devem registrar chuva abaixo da média. Em Manaus, o acumulado pode ficar pouco acima de 100 milímetros, menos da metade do esperado para a estação.
Além disso, as temperaturas nesses dois estados podem chegar a 5°C acima da média. A combinação de menos chuva e mais calor aumenta a atenção para a disponibilidade de água e a umidade do solo.
Nordeste terá risco maior de estiagem
No Nordeste, a previsão também aponta chuva abaixo da média e maior risco de estiagem. O El Niño pode reforçar esse cenário durante a primavera.
Bahia, Maranhão e Piauí podem registrar temperaturas até 2°C acima da média.
No Matopiba, a irregularidade das chuvas pode atrasar o plantio de grãos e aumentar o risco de queimadas. Nas áreas irrigadas, entretanto, a disponibilidade controlada de água pode oferecer condições mais favoráveis para a produção.
Assim, a primavera de 2026 começa com condições bastante diferentes entre as regiões. Enquanto o Sul deve lidar com maior volume de chuva, partes do Centro-Oeste, Norte e Nordeste precisam acompanhar de perto o calor, o déficit hídrico e a irregularidade das precipitações.