Projeções de produção recorde no Brasil e aumento da oferta mundial pressionam as cotações do café arábica e robusta nas bolsas internacionais
Projeções otimistas para a produção de café derrubam as cotações e reforçam cenário de ampla oferta mundial — Foto: CNA/Senar

Os preços do café voltaram a cair no mercado internacional. Na última sexta-feira (28), o contrato do café arábica recuou 3,15%, enquanto o robusta perdeu 2,19%. Já na segunda-feira (1), o arábica atingiu o menor patamar dos últimos 1,5 ano no contrato futuro mais próximo.

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A principal pressão veio das previsões meteorológicas para as regiões produtoras do Brasil. Segundo os modelos climáticos, o tempo mais seco previsto para esta semana deve favorecer o avanço da colheita do café, que sofreu atrasos nos últimos dias devido às chuvas intensas registradas em importantes áreas produtoras.

Safra será maior?

Além das condições climáticas favoráveis, o mercado também reage às projeções de uma oferta global mais robusta nos próximos meses.

A Coffee Trading Academy estima que a safra brasileira de café 2026/27 alcançará 71,4 milhões de sacas, volume 12% superior ao registrado no ciclo anterior.

Por sua vez, o Marex Group Plc divulgou uma projeção ainda mais otimista. A consultoria prevê uma colheita recorde de 75,9 milhões de sacas no Brasil, superando a estimativa da Sucafina, que calcula uma produção de 75,4 milhões de sacas, equivalente a uma alta anual de 15,5%.

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Da mesma forma, a StoneX revisou para cima suas projeções. Em março, a empresa elevou sua estimativa para a safra brasileira de 2026/27 para 75,3 milhões de sacas, acima das 70,7 milhões de sacas previstas em novembro.

Além disso, a consultoria projeta que o superávit global de café chegará a 10 milhões de sacas em 2026, ante 1,8 milhão de sacas em 2025. Caso a previsão se confirme, será o maior excedente mundial dos últimos seis anos.

Vietnã amplia exportações do robusta

O crescimento da oferta também vem do Vietnã, maior produtor mundial de café robusta.

Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do país, as exportações vietnamitas cresceram 15,8% entre janeiro e abril de 2026, totalizando 810 mil toneladas métricas.

O café robusta possui maior teor de cafeína e costuma apresentar sabor mais intenso e encorpado que o arábica — Foto: Embrapa

No ano anterior, os embarques já haviam registrado forte expansão, avançando 17,5% e alcançando 1,58 milhão de toneladas métricas.

Enquanto isso, a produção vietnamita de café em 2025/26 deve atingir 1,76 milhão de toneladas métricas, o equivalente a 29,4 milhões de sacas. O volume representa crescimento de 6% em relação à safra anterior e marca o maior nível em quatro anos.

Estoques menores limitam quedas mais acentuadas

Apesar da pressão baixista causada pelo aumento da oferta, a redução dos estoques monitorados pela Intercontinental Exchange (ICE) tem ajudado a sustentar parte das cotações.

Os estoques de café arábica armazenados pela bolsa recuaram para 434.930 sacas, o menor nível em aproximadamente três meses e meio.

Já os estoques de robusta atingiram uma mínima de dois anos ao registrar 3.631 lotes em maio. Posteriormente, houve leve recuperação para 3.864 lotes.

El Niño ainda preocupa mercado

Por outro lado, o risco climático continua no radar dos investidores. A possível formação do fenômeno El Niño pode atrasar as chuvas previstas para setembro e outubro no Brasil, período considerado crucial para a floração dos cafeeiros.

Caso esse cenário se confirme, a produtividade da safra brasileira de 2026/27 poderá ser afetada.

A preocupação ganhou força após a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicar 82% de probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho. Além disso, o órgão aponta 67% de chance de ocorrência de um Super El Niño até o final do ano.

Exportações brasileiras recuam

Outro fator que oferece suporte aos preços é a redução das exportações brasileiras.

Segundo dados divulgados pela Cecafé em 12 de maio, os embarques de café verde do Brasil somaram 2,76 milhões de sacas em abril, resultado 1,3% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Além disso, o mercado também acompanha os impactos do fechamento contínuo do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do mundo.

Produção mundial deve bater recorde

Mesmo diante dos desafios logísticos e climáticos, a perspectiva para a oferta global continua positiva.

A Organização Internacional do Café (OIC) informou que as exportações mundiais recuaram apenas 0,3% no atual ano comercial, que vai de outubro a setembro, totalizando 138,658 milhões de sacas.

Além disso, relatório divulgado pelo Serviço de Agricultura Exterior (FAS) projeta que a produção mundial de café em 2025/26 alcançará um recorde de 178,848 milhões de sacas, crescimento de 2% em relação ao ciclo anterior.

Segundo o levantamento, a produção global de arábica deverá cair 4,7%, para 95,515 milhões de sacas. Em contrapartida, a produção de robusta deverá crescer 10,9%, chegando a 83,333 milhões de sacas.

O USDA também estima que a safra brasileira de café em 2025/26 recue 3,1%, totalizando 63 milhões de sacas. Já a produção do Vietnã deve avançar 6,2%, alcançando 30,8 milhões de sacas, o maior volume em quatro anos.

Por fim, o órgão projeta que os estoques finais globais diminuam 5,4%, passando de 21,307 milhões para 20,148 milhões de sacas no ciclo 2025/26.