Resumo da notícia
- A produção mundial de animais aquáticos atingiu 195 milhões de toneladas em 2024, impulsionada pela aquicultura, segundo o relatório SOFI da FAO lançado na Conferência Our Ocean no Quênia.
- O comércio global de produtos aquáticos alcançou US$ 186 bilhões, com América Latina e Caribe destacando-se como principais exportadores líquidos, com superávit de US$ 21 bilhões em 2024.
- Na América Latina e Caribe, a pesca de captura domina a produção regional com 13 milhões de toneladas, liderada pelo Peru e impulsionada pela recuperação da anchoveta após o El Niño.
A produção mundial de animais aquáticos atingiu um novo recorde de 195 milhões de toneladas em 2024, impulsionada principalmente pela expansão da aquicultura. Os dados integram o relatório O Estado Mundial da Pesca e da Aquicultura 2026 (SOFI), lançado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) na última terça-feira (16), durante a Conferência Our Ocean, realizada em Mombaça, no Quênia.
No mesmo período, o comércio internacional de produtos aquáticos,incluindo animais e algas, US$ 186 bilhões, envolvendo 230 países e territórios. No cenário global, a América Latina e o Caribe se destacaram como um dos principais exportadores líquidos do setor, acumulando um superávit comercial de US$ 21 bilhões em 2024.
“A região desempenha um papel fundamental no abastecimento de produtos da pesca e da aquicultura para os mercados globais, apoiada por ecossistemas marinhos altamente produtivos e por um setor aquícola em rápido crescimento”, afirma Rene Orellana Halkyer, Diretor-Geral Adjunto e Representante Regional da FAO para a América Latina e o Caribe.
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A região exportou US$ 27 bilhões em produtos de animais aquáticos e importou US$ 6 bilhões no mesmo período, totalizando 6,4 milhões de toneladas exportadas. Isso é o equivalente a 15% das exportações globais do setor. As principais culturas responsáveis por esse desempenho foram a anchoveta peruana e chilena, destinada à produção de farinha e óleo de peixe, o camarão cultivado no Equador e o salmão chileno.
Pesca de captura lidera a produção regional
Em 2024, a América Latina e o Caribe responderam por 9% da produção mundial de animais aquáticos, percentual semelhante ao da Europa, mas bem abaixo da Ásia, que concentrou 72% do total global. A pesca de captura dominou a produção regional com 13 milhões de toneladas, 75% do total, sustentada em grande parte pelo altamente produtivo Sistema da Corrente de Humboldt, ao longo da costa oeste da América do Sul. A região detém 15% do total mundial de 92 milhões de toneladas produzidas pela pesca de captura, o que a coloca como o segundo maior polo global, atrás apenas da Ásia.
O Peru liderou a pesca de captura regional em 2024, com 5,7 milhões de toneladas, ocupando a quarta posição no ranking mundial. O Chile ficou em segundo na região e décimo no mundo. Após a forte queda provocada pelo El Niño em 2023, a anchoveta (Engraulis ringens) se recuperou com vigor: as capturas saltaram quase 65%, de 3,5 milhões para 5,7 milhões de toneladas. A espécie representa cerca de 5% da produção global de pesca de captura e permanece entre as mais importantes do mundo. O relatório destaca que as capturas regionais oscilam de forma significativa em função das condições oceanográficas ligadas ao fenômeno El Niño–Oscilação Sul (ENOS).
Aquicultura cresce acima da média mundial
Embora ainda represente uma fatia menor da produção total, a aquicultura avança rapidamente e já responde por aproximadamente 25% da produção regional de animais aquáticos. Espécies de alto valor, como salmão e camarão, puxam esse crescimento. A produção aquícola na América Latina e no Caribe cresceu em média 7,2% ao ano, acima da média mundial de 4,9%. Portanto, passando de 0,8 milhão de toneladas em 2000 para 4,4 milhões de toneladas em 2024.
O crescimento concentra-se na América do Sul. Chile (1,4 milhão de toneladas), Equador (1,2 milhão) e Brasil (0,9 milhão) responderam, juntos, por 79% da produção aquícola regional em 2024. Os países da região também ampliam o cultivo de algas, com destaque para Chile, Venezuela e Brasil.
Pesca marinha emprega mais de 3 milhões na região
Globalmente, cerca de 65,3 milhões de pessoas trabalhavam no setor primário da pesca e da aquicultura em 2024. Na América Latina e no Caribe, o setor emprega mais de 3 milhões de pessoas,5% do total mundial, sustentando comunidades costeiras e rurais. A pesca marinha responde por 73% dos empregos no setor primário da região. A pesca de pequena escala também cumpre papel essencial na nutrição, na segurança alimentar e na identidade cultural de comunidades costeiras e insulares.
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Apesar de ocupar a segunda posição entre as maiores regiões produtoras, a América Latina e o Caribe registram consumo de alimentos aquáticos abaixo da média mundial. Em 2023, a disponibilidade per capita foi de 10,1 kg, ante uma média global de 21,1 kg. Desde 2000, a disponibilidade total cresceu, mas em ritmo modesto, 1,8% ao ano. Portanto, resultando em ganhos per capita de apenas 0,8% anuais.
Projeções apontam crescimento de 26% na aquicultura até 2034
A produção de animais aquáticos deve crescer 8% até 2034, impulsionada principalmente pela aquicultura, que projeta expansão de 26%. A América Latina e o Caribe devem manter a segunda posição entre as maiores regiões produtoras, com participação de cerca de 5% na produção aquícola global.
“O trabalho da FAO na região mostra que a Transformação Azul pode gerar resultados concretos para as pessoas, as economias e os ecossistemas. Portanto, fortalecendo cadeias de valor e melhorando a nutrição em comunidades vulneráveis”, conclui Orellana Halkyer.









