Resumo da notícia
- A ApexBrasil articula missão oficial à Europa com apoio do presidente do Congresso para acelerar a ratificação do acordo Mercosul-União Europeia, buscando diálogo político e visitas ao Parlamento Europeu.
- A estratégia inclui ofensiva de comunicação para combater estereótipos sobre o Brasil, especialmente no agronegócio, e atualizar a percepção dos eurodeputados e consumidores sobre o país.
- Após aprovação de revisão jurídica pelo Parlamento Europeu, o acordo enfrenta novo obstáculo político que pode atrasar a tramitação em até dois anos, gerando preocupação sobre salvaguardas ambientais.
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos articula missão oficial à Europa até março. A iniciativa envolve o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre. O objetivo é ampliar a pressão política pela ratificação do acordo Mercosul-União Europeia.
O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, confirmou a articulação nesta quinta-feira. Segundo Viana, Alcolumbre indicou o acordo como prioridade do Congresso após o recesso parlamentar. Assim, a estratégia busca acelerar a ratificação interna no Brasil e nos demais países do Mercosul. Em seguida, o foco será intensificar o diálogo político diretamente com os países europeus.
A proposta inclui visita de parlamentares sul-americanos ao Parlamento Europeu. A articulação prevê diálogo institucional entre presidentes de parlamentos, em nível político elevado. Viana afirmou que a coordenação conjunta fortalece a tramitação do acordo no bloco europeu.
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Comunicação para enfrentar resistências
Paralelamente, a Apex prepara ofensiva de comunicação para reduzir resistências ao acordo. A estratégia busca atualizar a percepção do Brasil entre eurodeputados e consumidores. O foco inclui combater estereótipos ligados ao agronegócio e às agendas ambiental e social.
Dados da Apex mostram que a União Europeia é o segundo maior destino das exportações brasileiras. Em 2025, o Brasil exportou US$ 49,8 bilhões ao bloco europeu, atrás apenas da China. O agronegócio responde por cerca de 23% do comércio bilateral. O percentual é inferior à percepção de que o acordo favoreceria apenas produtos agrícolas. Segundo Viana, parte da oposição ainda se baseia em uma imagem defasada do Brasil. Ele destacou que argumentos usados anos atrás não refletem o cenário atual do país.
Estudo aponta novas oportunidades
A Apex divulgou estudo sobre ganhos comerciais com a desgravação tarifária imediata. O levantamento indica potencial de exportação em 543 produtos brasileiros. O mercado europeu movimenta US$ 43,9 bilhões anuais em importações nesses itens.
A Europa Ocidental concentra 266 oportunidades identificadas no estudo. Entre 2020 e 2024, as exportações para a região somaram média anual de US$ 831 milhões. A Europa Meridional reúne 123 produtos com potencial. A Europa Oriental apresenta 101 itens, enquanto a Europa Setentrional soma 53 produtos.
Revisão jurídica amplia desafios
A mobilização ocorre após decisão recente do Parlamento Europeu sobre o acordo. O bloco aprovou pedido de revisão jurídica adicional do tratado. A votação ocorreu no último sábado, após 26 anos de negociações. A decisão não inviabiliza o acordo, mas cria novo obstáculo político.
O processo pode prolongar a tramitação por até dois anos. A resolução atendeu parlamentares que defendem salvaguardas ambientais mais rígidas. Essas exigências, segundo o governo brasileiro, podem comprometer o texto negociado. Viana atribuiu o resultado à baixa mobilização dos defensores do acordo. Ele também citou a atuação de lobbies agrícolas europeus contrários aos produtos brasileiros.