Entenda por que apenas 5 países dominam 75% do mercado global
Café na xícara com grãos ao redor
Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

O café faz parte da rotina matinal de bilhões de pessoas e figura como uma das commodities agrícolas mais negociadas do planeta. Atualmente, a produção mundial se concentra em um grupo seleto de países localizados no chamado “cinturão do café”, entre os trópicos de Câncer e Capricórnio.

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Os dados mais recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para o ano comercial 2025/2026 revelam um cenário de hegemonia brasileira. O Brasil produziu 63 milhões de sacas de 60 kg, o que representa 35% de toda a produção global de café verde.

Para se ter uma ideia da escala, a colheita brasileira supera a soma total da produção do Vietnã, Colômbia e Indonésia juntas. A maior parte desse volume consiste em café arábica, variedade valorizada em mercados de especialidades e produtos premium devido ao seu cultivo em altitudes elevadas.

A ascensão asiática e o fenômeno do Vietnã

Embora a América do Sul ainda lidere o suprimento global, o eixo de produção está mudando para a Ásia. Desde a década de 1960, a participação asiática no mercado saltou de menos de 5% para atuais 32%.

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O grande protagonista dessa mudança é o Vietnã, que consolidou sua posição como o segundo maior produtor mundial em 1999, ao ultrapassar a Colômbia. Com uma produção de 31,7 milhões de sacas (18% do total global), o país foca na variedade robusta, grão mais resistente e com maior teor de cafeína, essencial para cafés instantâneos e misturas de café expresso.

O top 5 da produção mundial

Apenas cinco países controlam quase três quartos de todo o café cultivado no mundo. Confira os líderes:

Brasil: 63 milhões de sacas (35%)

Vietnã: 31,7 milhões de sacas (18%)

Colômbia: 12,5 milhões de sacas (7%)

Indonésia: 12,4 milhões de sacas (7%)

Etiópia: 11,6 milhões de sacas (6%)

A Etiópia, reconhecida como o berço do café arábica, mantém sua relevância histórica e econômica fechando o grupo dos cinco maiores.

Riscos no horizonte: clima e preços

Apesar dos números robustos, o setor enfrenta desafios crescentes. As mudanças climáticas impactam diretamente a qualidade das safras e reduzem as áreas viáveis para o cultivo, além de aumentarem a pressão de pragas.

Como a oferta global depende de poucos países, qualquer evento climático extremo nessas regiões gera volatilidade imediata no mercado. Isso pressiona os preços ao consumidor final, tornando o cafezinho diário mais caro em todo o mundo.