Resumo da notícia
- O setor da Cachaça registrou em 2025 o maior crescimento da série histórica, com 1.538 estabelecimentos, alta de 21,5% em relação a 2024, totalizando um avanço de 61,7% desde 2018.
- O número de produtos e marcas cresceu 16% e 16,8%, respectivamente, enquanto 844 municípios tiveram estabelecimentos registrados, mostrando expansão territorial e diversificação do setor.
- As exportações bateram recorde com 7,96 milhões de litros vendidos a 76 países, aumento de 19,4% em volume e 17,4% em valor, mantendo os EUA como principal mercado, com 24% das vendas externas.
O setor da Cachaça viveu, em 2025, o melhor ano de sua série histórica. O Brasil encerrou o período com 1.538 estabelecimentos elaboradores registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), um avanço de 21,5% em relação a 2024. Os números representam o maior crescimento, tanto em termos absolutos quanto percentuais, desde o início da série, em 2018. Naquele ano, o país contava com 951 estabelecimentos; oito anos depois, o total soma alta de 61,7%.
Os dados fazem parte do Anuário da Cachaça 2026 (ano de referência 2025), levantamento oficial produzido pelo MAPA em parceria com o Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC), entidade que representa o setor.
Produtos, marcas e municípios também crescem
O levantamento aponta expansão em praticamente todos os indicadores do setor. O número de produtos registrados chegou a 8.379, alta de 16% na comparação com 2024. As marcas vinculadas aos registros somaram 11.131, crescimento de 16,8%. Um sinal, segundo o Anuário, da diversificação e do dinamismo da cadeia produtiva.
A expansão territorial também chama atenção: 844 municípios brasileiros já possuem ao menos um estabelecimento elaborador de Cachaça registrado, aumento de 14,8% frente ao ano anterior. O dado reforça o papel da bebida no desenvolvimento econômico de cidades do interior do país.
Sudeste concentra a produção, mas Sul lidera o crescimento
Minas Gerais segue como o estado com mais estabelecimentos registrados, com 564 unidades, seguido por São Paulo (230) e Rio Grande do Sul (106). Juntos, os estados do Sudeste concentram 62,5% dos estabelecimentos do país. Ainda assim, todas as regiões brasileiras registraram crescimento em 2025, e a Região Sul liderou o avanço percentual, com expansão de 51,4% sobre 2024.
Salinas (MG) mantém a liderança entre os municípios, com 27 estabelecimentos registrados. Onze cidades já reúnem dez ou mais estabelecimentos, duas a mais que em 2024. E Brasília e São Paulo entraram para essa lista, cada uma com dez unidades.

Minas Gerais também lidera o número de produtos registrados, com 2.922 Cachaças — 34,9% do total nacional. Já o Rio Grande do Norte apresenta a maior média por estabelecimento: 10,8 produtos, distribuídos entre 162 registros em apenas 15 estabelecimentos. O mesmo padrão se repete nas marcas: Minas Gerais lidera em número absoluto, com 4.043 marcas, enquanto o Rio Grande do Norte tem a maior média por estabelecimento, com 13,6 marcas cada.
Exportações avançam e alcançam recorde de destinos
O desempenho externo da Cachaça acompanhou o ritmo de crescimento do mercado interno. As exportações somaram 7,96 milhões de litros em 2025, aumento de 19,4% sobre 2024. Em valor, as vendas externas atingiram US$ 17,07 milhões, alta de 17,4%, com embarques para 76 países. Portanto, um número que iguala o maior já registrado desde 2011.
Os Estados Unidos permanecem como o principal mercado em valor, com cerca de 24% das exportações, enquanto o Paraguai lidera em volume embarcado.
Apesar do avanço em estabelecimentos, produtos, marcas e exportações, o volume de produção declarado em 2025 recuou 15,77% na comparação anual, somando 234,48 milhões de litros.
IBRAC aponta potencial ainda inexplorado
Para o presidente do IBRAC, Vicente Bastos, os resultados confirmam a força de uma cadeia formada majoritariamente por pequenos e médios produtores, mas ainda distante do potencial da Cachaça brasileira, especialmente no exterior.

Segundo ele, a alta carga tributária sobre a bebida e a falta de isonomia tributária no setor de bebidas alcoólicas seguem como obstáculos à competitividade. Bastos defende o fortalecimento de políticas públicas e o avanço de ações de promoção e proteção da Cachaça para que o destilado ocupe o espaço que, na avaliação dele, merece no Brasil e no mundo.
ApexBrasil reforça aposta em novos mercados
Em meio a um cenário de maior volatilidade no comércio internacional, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) assinou, nesta sexta-feira (31), um novo convênio com o IBRAC. O acordo destina R$ 2,63 milhões à promoção comercial da Cachaça em mercados estratégicos e marca a quarta edição do projeto setorial voltado à internacionalização da bebida.
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A iniciativa prevê participação em feiras internacionais, aproximação com compradores estrangeiros e ações de promoção comercial, com a expectativa de atender entre 70 e 80 empresas do setor.
O presidente da ApexBrasil, Laudemir Muller, afirmou que o cenário atual do comércio internacional exige diversificação de mercados, sobretudo diante das barreiras enfrentadas nos Estados Unidos, um dos principais destinos da Cachaça. Além disso, segundo ele, a Agência amplia investimentos na promoção da bebida no México, no Canadá e na Europa para abrir novas oportunidades ao setor exportador.
Parceria com o México completa dez anos
Além disso, a cerimônia também celebrou os dez anos do Acordo de Reconhecimento Mútuo das Indicações Geográficas da Cachaça e da Tequila, firmado entre Brasil e México em julho de 2016. O instrumento garante que apenas bebidas produzidas nos respectivos países usem as denominações “Cachaça” e “Tequila”. O que fortalece a proteção contra falsificações e a valorização dos dois produtos.

O embaixador do México no Brasil, Carlos García de Alba, destacou que a cooperação construída na última década mostra como os dois países podem atuar juntos na proteção de produtos que representam a identidade de seus povos, reforçando que Cachaça e Tequila se complementam em vez de competir.
Produtores destacam papel da Cachaça na cultura brasileira
A proprietária da Cachaça Capueira e diretora financeira do IBRAC, Jeruza Aguiar, ressaltou os desafios de produzir Cachaça como mulher no Brasil. Mas reafirmou a confiança no potencial de expansão da bebida a partir da força da cultura brasileira.
Produzida exclusivamente no país e símbolo da identidade nacional, a Cachaça movimenta uma cadeia formada majoritariamente por pequenos produtores, cooperativas e empreendimentos familiares. Com os novos acordos, ApexBrasil e IBRAC buscam ampliar a presença da bebida no exterior. Além, é claro, de consolidar sua imagem como produto de alto valor agregado e abrir novas oportunidades para o setor exportador brasileiro.









