Resumo da notícia
- O café especial produzido por mulheres brasileiras será exportado para o mercado premium da China, com lotes exclusivos que destacam a origem e a história de cada produtora.
- A iniciativa visa ampliar a presença do café brasileiro na Ásia, valorizando o trabalho feminino e atendendo à crescente demanda chinesa por bebidas de alta qualidade.
- Quatro produtoras da cooperativa Expocacer lideram a primeira exportação, que inclui cafés selecionados para perfis sensoriais diversos, atendendo consumidores finais e cafeterias locais.
O café especial produzido por mulheres brasileiras vai ganhar espaço no mercado premium da China. A cooperativa Expocacer firmou um acordo com a empresária chinesa Jian Xueya, conhecida no Brasil como “Dona Jane”, fundadora da marca Lady Coffees, para exportar lotes exclusivos de cafés cultivados por produtoras associadas.
A iniciativa busca fortalecer a presença do café brasileiro no mercado asiático e, ao mesmo tempo, valorizar o trabalho feminino na cafeicultura nacional. Cada embalagem comercializada na China levará o nome da produtora responsável pelo lote, aproximando os consumidores da origem do produto.
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Cafés especiais terão identidade das produtoras
Segundo a empresária Jian Xueya, a proposta é destacar a história de cada mulher que participa da produção dos cafés especiais brasileiros.
Além da venda ao consumidor final, parte dos lotes será distribuída para cafeterias chinesas por meio de um parceiro local especializado em torrefação, ampliando a presença dos cafés brasileiros no segmento de alto valor agregado.
Quatro produtoras participam da primeira exportação
Os primeiros embarques incluem cafés produzidos por quatro cooperadas da Expocacer:
- Celia Regina Alves Nunes, da Fazenda Claudio;
- Mariana Velloso Heitor, da Fazenda Gigante Leal;
- Sarah Mendes Nascimento, da Fazenda São Pedro de Alcântara;
- Vera de Oliveira Nunes Figueiredo, da Fazenda Freitas.
Os lotes foram selecionados para atender a um pedido específico da importadora chinesa, que buscava cafés delicados e com diferentes perfis sensoriais para atender públicos distintos no país.
De acordo com Sandra Moraes, gerente de Cafés Especiais da Expocacer, a diversidade de sabores e aromas foi um dos fatores decisivos para a escolha dos produtos.
Consumo de café cresce na China
Embora o consumo per capita ainda seja inferior ao registrado em mercados tradicionais, a demanda por cafés especiais cresce rapidamente na China, impulsionada principalmente pelos consumidores mais jovens e pela busca por bebidas de maior qualidade.
Para Sandra Moraes, esse movimento representa uma oportunidade importante para ampliar a presença do café brasileiro no país asiático.
Segundo ela, a valorização de produtos premium abre espaço para que os cafés especiais brasileiros conquistem novos consumidores e fortaleçam sua participação em um dos mercados mais promissores do mundo.
Estratégia aposta no segmento premium
Jian Xueya afirma que a estratégia da Lady Coffees é posicionar o café brasileiro em um nicho premium, acompanhando a mudança no perfil de consumo dos chineses.
Historicamente, o mercado local esteve concentrado em bebidas com leite e preparações adoçadas. No entanto, cidades como Xangai vêm registrando aumento do interesse por cafés puros e de maior qualidade.
Segundo a empresária, o objetivo é oferecer um produto diferenciado, focado em excelência, mesmo com preço mais elevado.
Programa fortalece protagonismo feminino
O interesse pelos cafés produzidos por mulheres surgiu em 2022, durante uma visita da empresária à Expocacer, quando conheceu o programa Elas no Café.
A iniciativa reúne atualmente 140 produtoras, que representam cerca de 20% do quadro de associados da cooperativa. Juntas, elas produzem aproximadamente 534 mil sacas de café em uma área de 13,4 mil hectares.
O programa busca ampliar a participação feminina na cafeicultura, incentivar a produção de cafés especiais e agregar valor à origem dos grãos.
China ganha importância para o café brasileiro
A China vem ampliando sua participação entre os principais compradores do café brasileiro.
Segundo dados do Cecafé, o país importou 1,123 milhão de sacas de 60 quilos em 2025, volume equivalente a 2,8% das exportações brasileiras do produto. Com esse desempenho, o mercado chinês passou a ocupar a décima posição entre os principais destinos do café nacional.
O novo acordo firmado pela Expocacer reforça essa tendência e evidencia o potencial dos cafés especiais produzidos por mulheres brasileiras para conquistar espaço em mercados internacionais cada vez mais exigentes.








