Resumo da notícia
- Autoridades sanitárias chinesas chegam ao Brasil para auditar frigoríficos após queda de 88,2% nas exportações de carne bovina em agosto, devido a suspensões por problemas sanitários.
- Missão visitará unidades da JBS, Minerva e Marfrig para avaliar controles e tentar reabilitar plantas suspensas, mas retomada das exportações depende de aprovações técnicas da China.
- Apesar da queda, China segue como principal mercado, respondendo por 40,8% das exportações brasileiras; Brasil busca ampliar vendas e aproveita status livre de febre aftosa sem vacinação.
Uma missão de autoridades sanitárias da China chega ao Brasil neste domingo (13) para avaliar o sistema brasileiro de controle de produtos de origem animal. A auditoria ocorre depois que os embarques de carne bovina brasileira para a China caíram 88,2% em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025.
Segundo o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, a missão visitará três frigoríficos: uma unidade da JBS em Vilhena (RO), uma da Minerva em Rolim de Moura (RO) e uma da Marfrig em Promissão (SP). Os técnicos chineses avaliarão os controles sanitários adotados pelo Brasil, enquanto o governo espera que a missão contribua para reabilitar plantas suspensas e habilitar novos estabelecimentos.
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Auditoria ocorre após suspensões
A missão chega ao país após a China suspender frigoríficos brasileiros por problemas relacionados aos seus requisitos sanitários. Em maio, as autoridades chinesas suspenderam unidades da JBS, Prima Foods e Frialto após identificar resíduos de acetato de medroxiprogesterona em cargas. Em abril, a China também havia suspendido uma unidade da SulBeef, em Várzea Grande (MT), pelo mesmo tipo de ocorrência.
No fim de maio, o país asiático suspendeu ainda a unidade da JBS em Vilhena (RO), após identificar progesterona em cargas exportadas pelo frigorífico. Diante desse cenário, o governo brasileiro espera recuperar parte das habilitações. “Esperamos reabilitar algumas plantas que foram temporariamente descredenciadas e habilitar novas plantas”, disse André de Paula.
No entanto, a auditoria não significa uma retomada automática das exportações. Após a inspeção, as autoridades chinesas ainda precisarão cumprir etapas técnicas e administrativas antes de tomar novas decisões.
China reduz compras de carne
Ao mesmo tempo, a missão ocorre em meio à forte queda das compras chinesas. Em agosto, a China importou 18,9 mil toneladas de carne bovina brasileira, volume 88,2% menor que o registrado no mesmo mês de 2025. Além das questões sanitárias, o esgotamento da cota tarifária também afetou os embarques.
Depois que o Brasil atingiu o limite estabelecido pela China, o produto vendido acima da cota passou a enfrentar uma tarifa adicional, reduzindo sua competitividade. Ainda assim, a China permanece como principal destino da carne bovina brasileira.
De janeiro a agosto, o país comprou 899,2 mil toneladas, movimentando US$ 5,51 bilhões, o equivalente a 40,8% das exportações brasileiras de carne bovina no período. No mesmo intervalo, o Brasil exportou 2,2 milhões de toneladas, alta de 5,3% sobre 2025, enquanto a receita chegou a US$ 12,79 bilhões, avanço de 21,7%.
Governo busca ampliar mercado
Além de tentar recuperar habilitações, o governo brasileiro pretende ampliar a pauta de produtos vendidos à China, incluindo miúdos bovinos. Nesse contexto, o reconhecimento do Brasil pela China como livre da febre aftosa sem vacinação, em maio, pode favorecer novas negociações sanitárias e comerciais.
O resultado da auditoria poderá influenciar os próximos passos do comércio de carne bovina entre os dois países. Ainda assim, qualquer nova habilitação ou reabilitação dependerá da avaliação e das decisões das autoridades chinesas.