Projeto vai gerar 550 empregos diretos e ampliar de 100 para 400 hectares a área de criação de peixes até 2032
Cooperativa Lar anuncia investimentos de cerca de R$ 268 milhões para ampliar participação na piscicultura
Foto: Divulgação

A Lar Cooperativa Agroindustrial anunciou um plano de R$ 118 milhões para ampliar sua atuação na piscicultura. O anúncio ocorreu durante o IFC Brasil 2026, em Foz do Iguaçu (PR). A cooperativa destinará os recursos à construção de uma nova unidade industrial de peixes em Missal, no oeste paranaense, e à expansão da planta que já opera em São Miguel do Iguaçu.

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Produtores integrados devem somar investimentos de R$ 150 milhões às estruturas de criação entre 2026 e 2030. Juntos, os projetos podem mobilizar cerca de R$ 268 milhões em toda a cadeia produtiva.

A cooperativa pretende elevar de 40 para 170 o número de piscicultores integrados até 2032. A área de lâmina d’água também deve crescer, passando de 100 para 400 hectares. Ao final do processo, a cooperativa projeta uma produção mensal de 950 toneladas de pescado e a criação de 550 empregos diretos.

A decisão reforça a tendência de verticalização e ganho de escala da piscicultura no oeste do Paraná, região que já concentra cooperativas, produtores de grãos, fábricas de ração e unidades de processamento.

Nova indústria começa a operar em 2028

A cooperativa construirá a nova Unidade Industrial de Peixes em Missal, município próximo ao reservatório de Itaipu. A primeira etapa receberá R$ 100 milhões e ocupará uma área construída de 10,8 mil metros quadrados. As obras seguirão um cronograma definido: a terraplanagem começa em setembro de 2026, as obras civis têm início em março de 2027, e a operação arranca em outubro de 2028.

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A planta vai iniciar as atividades com capacidade para abater 35 mil peixes por dia. Esse volume deve crescer de forma gradual até atingir 90 mil peixes diários em 2031. A Lar estima alcançar 622 toneladas de produto acabado por mês em 2032.

O empreendimento abrirá 120 postos de trabalho diretos já em 2028 e deve chegar a 250 empregados até 2030. Um estudo da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) apontou o potencial de Missal para a produção de peixes e definiu a localização, também influenciada pela proximidade com o reservatório de Itaipu.

“A cooperativa se desenvolveu buscando agregar valor aos grãos por meio da produção de carnes. Temos uma avicultura e uma suinocultura sólidas e agora chegou a hora do peixe. Esses investimentos representam mais renda nas pequenas propriedades e mais empregos diretos e indiretos”, afirma o diretor-presidente da Lar Cooperativa Agroindustrial, Irineo da Costa Rodrigues.

A diretora-executiva do IFC Brasil, Eliana Panty, avalia que a apresentação do projeto durante o evento aproxima o debate sobre o futuro da aquicultura das decisões concretas de investimento. “O desenvolvimento do setor depende de planejamento, segurança produtiva, capacidade industrial e integração entre os diferentes elos da cadeia. Receber um anúncio dessa dimensão durante o IFC Brasil demonstra que o congresso também se consolidou como espaço para a apresentação de projetos capazes de transformar a produção regional e ampliar a oferta de pescado”, diz.

Expansão envolve produtores e indústria

O plano também reserva R$ 18 milhões para a unidade industrial de São Miguel do Iguaçu, com o objetivo de otimizar o segundo turno de produção. A cooperativa espera encerrar 2027 com abate de 40 mil peixes por dia e atingir 50 mil peixes diários em 2028, quando a planta deve produzir 330 toneladas de produto acabado por mês. Essa expansão exigirá a contratação de mais 165 trabalhadores, a entrada de 30 novos produtores integrados e a incorporação de 44 hectares de lâmina d’água.

Foto: Arquivo Agro em Campo

A unidade de fabricação de rações da cooperativa em Marechal Cândido Rondon vai apoiar essa estrutura. A fábrica está preparada para atender uma produção equivalente a até 150 mil peixes por dia. O modelo integra fornecimento de insumos, criação nas propriedades e processamento industrial. Uma organização que cooperativas brasileiras já adotam nas cadeias de aves e suínos.

Gregolin destaca que o ingresso de novos produtores exigirá, além de capital, assistência técnica e planejamento de mercado. “Não se trata apenas de aumentar o número de viveiros ou a capacidade de abate. O crescimento precisa ocorrer com eficiência, sanidade, sustentabilidade e mercado para absorver a produção. Essa coordenação será determinante para transformar o potencial anunciado em desenvolvimento duradouro”, afirma.