Resumo da notícia
- A Codevasf iniciou o cultivo de açaí em consórcio com culturas de ciclo curto em projetos de irrigação de Alagoas, visando ampliar a renda e reduzir riscos dos agricultores familiares.
- O açaí, com mercado consolidado, é alternativa ao cultivo tradicional de arroz, que sofre com a volatilidade de preços, promovendo maior segurança produtiva na região.
- Para suprir o tempo de espera do açaí, a estratégia associa a cultura a batata-doce, mandioca e milho, garantindo renda imediata enquanto o açaizeiro se desenvolve.
A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) deu início à introdução do açaí nos projetos públicos de irrigação de Alagoas, em consórcio com culturas de ciclo curto como batata-doce, mandioca e milho. A estratégia busca ampliar a renda, reduzir riscos e fortalecer a segurança produtiva dos agricultores familiares da região, onde a rizicultura e a cana-de-açúcar dominam historicamente a produção.
A Codevasf opera três projetos de irrigação no estado: o Boacica, em Igreja Nova; o Itiúba, em Porto Real do Colégio; e o Marituba, em Penedo. O piloto começou no Projeto Boacica, onde a empresa distribuiu mudas de açaí e implantou sistemas de irrigação por microaspersão em áreas de 0,5 hectare em lotes de produtores que aderiram à iniciativa.
Alternativa ao preço volátil do arroz
O superintendente regional da Codevasf em Alagoas, João Paulo Tavares, defende a diversificação como o caminho mais seguro para garantir rentabilidade no campo. “A rizicultura é uma atividade agrícola tradicional no Baixo São Francisco. No entanto, sofre mais intensamente com as variações de preço, o que reduz a margem de lucro dos produtores”, afirmou durante visita técnica aos lotes.
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Para ele, o açaí, cultura com bom valor agregado e mercado consumidor consolidado, representa uma alternativa promissora. “Iniciamos o cultivo do açaí, bastante apreciado pela gastronomia local, em consórcio com outras culturas. Assim, teremos a produção de arroz aliada a outros itens, trazendo maior segurança a quem trabalha no campo”, acrescentou.

Tavares também destacou o peso econômico dos projetos: somente em 2024, as áreas irrigadas da Codevasf em Alagoas injetaram cerca de R$ 57,6 milhões na economia local, contribuindo diretamente para o PIB estadual e municipal.
Açaí em consórcio resolve o problema do tempo de espera
Como o açaí leva pelo menos três anos para produzir os primeiros frutos, a Codevasf optou por associar a cultura a itens de ciclo curto, garantindo renda ao produtor enquanto o açaizeiro se desenvolve. O engenheiro agrônomo Cleudson Bernardino, responsável pelo acompanhamento técnico, explica que os agricultores já iniciaram os plantios e testam diferentes variedades.
“No Projeto Boacica, houve boa adesão. Já temos agricultores cultivando açaí em consórcio com batata-doce, mandioca e milho, além de produtores que pretendem associar a cultura à banana”, relatou. Segundo ele, a produção de arroz e cana-de-açúcar continua como atividade principal. Mas passa a conviver com o açaí e as culturas de ciclo curto na área de policultura dos lotes, separada da rizicultura.
O agricultor Antônio Messias, que cultiva arroz, cana-de-açúcar, milho e banana no Projeto Boacica, celebra a novidade. “A diversificação de cultivos é muito importante para o produtor rural. Desde que soubemos da proposta, criamos uma grande expectativa, e hoje ela é realidade. Não precisamos viver apenas da cana, podemos investir em outras culturas. No espaço onde estão implantando o açaí, estou cultivando batata-doce e macaxeira”, contou.








