Tilápia responde por 70% da produção nacional e registra crescimento de 132% no consumo desde 2015.
Foto: dossiê do registro/Iphan

Todo ano, o mês de junho reserva dois marcos que, à primeira vista, parecem distantes: os festejos juninos e o Dia do Pescador, celebrado em 29 de junho. A data homenageia São Pedro, o apóstolo pescador, e lembra que a pesca figura entre as atividades mais antigas da humanidade e permanece estratégica para a segurança alimentar do país.

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Em 2026, o setor chega à data com números que animam e com questões que preocupam.

Consumo crescente, mercado externo em dúvida

A Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR) divulgou recentemente um panorama deste primeiro semestre. O Anuário da entidade registra expansão do consumo interno de proteína de peixe – movimento que a Quaresma, entre março e abril, tradicionalmente impulsiona. No cenário externo, porém, persistem incertezas ligadas ao ambiente internacional e às disputas tarifárias, especialmente com os Estados Unidos.

Dois outros pontos concentram a atenção do setor. O primeiro envolve o tambaqui: a Portaria GM/MMA nº 1.667, publicada em abril, incluiu a espécie na categoria de risco, o que levanta dúvidas sobre os impactos produtivos e para a cadeia de comercialização. O segundo diz respeito à tilápia, alvo de discussões na Conabio (Comissão Nacional de Biodiversidade) sobre sua eventual inclusão na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras – debate que ainda corre em Brasília sem desfecho definido.

A tilápia e sua trajetória de expansão

Nenhuma espécie domina a piscicultura brasileira como a tilápia. Segundo o Anuário da Peixe BR, ela responde por 70% de toda a produção nacional. Uma liderança construída ao longo de anos e sustentada por uma combinação singular: sabor, valor nutritivo, versatilidade na cozinha e facilidade de preparo.

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Os números confirmam a preferência do consumidor brasileiro. Em 2015, o país consumiu 285 mil toneladas de tilápia. Em 2024, esse volume chegou a 662.230 toneladas – um crescimento de 132% em menos de uma década.

É justamente essa trajetória que torna o debate regulatório tão sensível. Qualquer restrição à criação ou à comercialização da espécie afetaria diretamente a maior fatia da produção aquícola do país.

Mais do que estatística

Os números e os desafios não apagam o que está nas celebrações do 29 de junho: a relação (sagrada) entre o trabalho, a água e o alimento que ela produz. No Dia do Pescador, vale lembrar que por trás de cada tonelada produzida existem comunidades e uma cultura econômica e alimentar que o Brasil construiu às margens dos seus rios, lagos e reservatórios.

Feliz Dia do Pescador!