Brasil é o maior produtor mundial de café, mas celebra a bebida em data própria — entenda a origem da data, a força do grão na economia e por que o consumo interno ainda é um desafio
O Brasil responde por cerca de um terço da produção mundial de café e tem a bebida como um dos pilares do agronegócio nacional — (Foto: Divulgação)

No dia 24 de maio, o Brasil comemora o Dia Nacional do Café, em uma data diferente tanto do Dia Mundial do Café (14 de abril) quanto do Dia Internacional do Café (1º de outubro), este último reconhecido oficialmente pela Organização Internacional do Café.

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A Associação Brasileira da Indústria de Café instituiu a data em 2005, escolhendo o dia 24 de maio por marcar o início da colheita nas principais regiões produtoras do país. Além disso, a data coincide com o Dia do Barista, celebrando as diferentes formas de preparo da bebida e o trabalho dos profissionais do setor.

Há também um objetivo estratégico por trás da celebração: estimular o consumo interno. Apesar de o Brasil liderar a produção mundial, respondendo por cerca de um terço do café produzido no planeta, o país não figura entre os maiores consumidores per capita. Finlândia, Suécia e Bélgica ocupam as primeiras posições nesse ranking.

A trajetória do café no Brasil

O café não é nativo do Brasil. O grão surgiu na Etiópia e se expandiu pela Arábia Saudita, daí o nome “arábica”, dado à espécie mais consumida.

Apesar de o imaginário popular associar o café aos italianos, foram os holandeses e os franceses que introduziram a planta em solo brasileiro. Os holandeses realizaram o primeiro contrabando, levando o fruto para colônias como o Suriname. Por sua vez, a França enviou mudas para a Guiana Francesa, país vizinho do Brasil pelo norte. Uma dessas mudas acabou cruzando a fronteira.

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Em 1727, o Sargento-Mor Francisco de Mello Palheta recebeu a missão de restabelecer os limites fronteiriços com a Guiana Francesa. Aproveitando a viagem, ele conquistou a confiança da esposa do governador local e retornou ao Brasil com uma muda escondida na bagagem. Assim, de forma clandestina, o café finalmente fincou raízes em território brasileiro.

Hoje, segundo a Embrapa, a cafeicultura está presente em 1.448 municípios distribuídos por 16 estados das cinco regiões do país, o que representa mais de um quarto das cidades brasileiras com economia diretamente ligada ao setor.

O peso econômico do café para o agronegócio brasileiro

Por muito tempo, o café sustentou a principal atividade econômica do Brasil e liderou as exportações nacionais. A expansão da cafeicultura impulsionou o desenvolvimento de cidades, a implantação de ferrovias e a chegada de mão de obra imigrante europeia. Sua influência foi tão profunda que moldou a própria política nacional durante a República Oligárquica (1898–1930), período em que São Paulo e Minas Gerais alternavam o poder, a famosa política do café com leite.

Atualmente, o Brasil mantém a liderança global na produção e exportação do grão, consolidando o café como um dos pilares do agronegócio nacional.