Resumo da notícia
- O Cerrado enfrenta temperaturas mais altas, chuvas irregulares e maior risco de incêndios devido às mudanças climáticas, que também pressionam a biodiversidade e a segurança hídrica do bioma.
- A combinação de seca, desmatamento e aquecimento aumenta o risco de o Cerrado emitir mais carbono do que absorve, ameaçando seu papel como sumidouro de carbono e agravando o problema climático.
- A conservação do Cerrado é vital para a segurança hídrica do país, exigindo combate ao desmatamento, recuperação de áreas degradadas e práticas agrícolas adaptadas às mudanças climáticas para proteger recursos e comunidades.
No Dia do Cerrado, celebrado nesta sexta-feira (11), o bioma enfrenta temperaturas mais altas, chuvas irregulares e maior risco de incêndios. Ao mesmo tempo, as mudanças climáticas aumentam a pressão sobre a água e a biodiversidade.
Nesse cenário, a pesquisadora Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília (UnB), alerta que as mudanças climáticas já alteram o regime de chuvas e aumentam o aquecimento do Cerrado. “O Cerrado já enfrenta impactos severos e generalizados das mudanças climáticas. Já se observa um aquecimento significativo e as projeções indicam que o aumento da temperatura deve se acentuar até o final do século. Outro sintoma é o atraso na entrada do período chuvoso, com as chuvas também mais irregulares”, afirmou em entrevista ao Brasil de Fato DF.
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Cerrado enfrenta maior risco de incêndios
Além do aumento das temperaturas, a redução da umidade deixa o Cerrado mais vulnerável ao fogo. Em junho de 2026, por exemplo, o bioma concentrou 57,8% dos focos de calor registrados no Brasil, segundo o INPE. Dessa forma, a combinação entre seca, desmatamento e mudanças climáticas também preocupa porque pode reduzir a capacidade do Cerrado de armazenar carbono.
“Com a combinação de secas mais intensas e o avanço do desmatamento, há um risco real de o bioma, que atua como um sumidouro de carbono, passar a emitir mais carbono do que absorve”, destacou.
Segurança hídrica preocupa
Além do risco de incêndios, a conservação do Cerrado está diretamente ligada à segurança hídrica. O bioma abriga nascentes relacionadas a oito das 12 regiões hidrográficas do país. Por isso, alterações nas chuvas e a degradação da vegetação podem comprometer a disponibilidade de recursos hídricos.
Nesse contexto, Bustamante afirma que o El Niño pode agravar períodos de seca e reduzir a recarga dos aquíferos. No Distrito Federal, portanto, a combinação entre calor e irregularidade das chuvas exige atenção ao abastecimento de água e ao risco de incêndios.
“Para o Cerrado e, especificamente, para o Distrito Federal, as consequências são graves. Será preciso acompanhar a disponibilidade hídrica para o abastecimento da população e o risco mais elevado de incêndios”, afirmou.
Proteção também envolve a produção rural
Diante desse cenário, Bustamante defende medidas para reduzir a vulnerabilidade do Cerrado, como o combate ao desmatamento ilegal, a recuperação de áreas degradadas e a adoção de práticas agrícolas mais adaptadas às mudanças climáticas.
Além disso, o Matopiba, que reúne áreas de Cerrado do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, exige planejamento territorial para reduzir os impactos da ocupação sobre os recursos hídricos. Da mesma forma, a pesquisadora defende a proteção de territórios de povos indígenas e comunidades tradicionais.
Assim, no Dia do Cerrado, Bustamante reforça a relação entre a conservação do bioma, a água e o equilíbrio climático.
“O Cerrado não é um bioma secundário; ele é o coração hídrico do Brasil e um fator de estabilidade climática. Sua destruição é uma ameaça ao bem-estar e ao futuro da população brasileira”, afirmou.