Conservação do bioma é essencial para a segurança hídrica, o equilíbrio climático e a proteção da biodiversidade brasileira
cerrado
Vista aérea do Cerrado - Foto: José Felipe Ribeiro/Embrapa.

No Dia do Cerrado, celebrado nesta sexta-feira (11), o bioma enfrenta temperaturas mais altas, chuvas irregulares e maior risco de incêndios. Ao mesmo tempo, as mudanças climáticas aumentam a pressão sobre a água e a biodiversidade.

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Nesse cenário, a pesquisadora Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília (UnB), alerta que as mudanças climáticas já alteram o regime de chuvas e aumentam o aquecimento do Cerrado. “O Cerrado já enfrenta impactos severos e generalizados das mudanças climáticas. Já se observa um aquecimento significativo e as projeções indicam que o aumento da temperatura deve se acentuar até o final do século. Outro sintoma é o atraso na entrada do período chuvoso, com as chuvas também mais irregulares”, afirmou em entrevista ao Brasil de Fato DF.

Cerrado enfrenta maior risco de incêndios

Além do aumento das temperaturas, a redução da umidade deixa o Cerrado mais vulnerável ao fogo. Em junho de 2026, por exemplo, o bioma concentrou 57,8% dos focos de calor registrados no Brasil, segundo o INPE. Dessa forma, a combinação entre seca, desmatamento e mudanças climáticas também preocupa porque pode reduzir a capacidade do Cerrado de armazenar carbono.

“Com a combinação de secas mais intensas e o avanço do desmatamento, há um risco real de o bioma, que atua como um sumidouro de carbono, passar a emitir mais carbono do que absorve”, destacou.

Segurança hídrica preocupa

Além do risco de incêndios, a conservação do Cerrado está diretamente ligada à segurança hídrica. O bioma abriga nascentes relacionadas a oito das 12 regiões hidrográficas do país. Por isso, alterações nas chuvas e a degradação da vegetação podem comprometer a disponibilidade de recursos hídricos.

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Nesse contexto, Bustamante afirma que o El Niño pode agravar períodos de seca e reduzir a recarga dos aquíferos. No Distrito Federal, portanto, a combinação entre calor e irregularidade das chuvas exige atenção ao abastecimento de água e ao risco de incêndios.

“Para o Cerrado e, especificamente, para o Distrito Federal, as consequências são graves. Será preciso acompanhar a disponibilidade hídrica para o abastecimento da população e o risco mais elevado de incêndios”, afirmou.

Proteção também envolve a produção rural

Diante desse cenário, Bustamante defende medidas para reduzir a vulnerabilidade do Cerrado, como o combate ao desmatamento ilegal, a recuperação de áreas degradadas e a adoção de práticas agrícolas mais adaptadas às mudanças climáticas.

Além disso, o Matopiba, que reúne áreas de Cerrado do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, exige planejamento territorial para reduzir os impactos da ocupação sobre os recursos hídricos. Da mesma forma, a pesquisadora defende a proteção de territórios de povos indígenas e comunidades tradicionais.

Assim, no Dia do Cerrado, Bustamante reforça a relação entre a conservação do bioma, a água e o equilíbrio climático.

“O Cerrado não é um bioma secundário; ele é o coração hídrico do Brasil e um fator de estabilidade climática. Sua destruição é uma ameaça ao bem-estar e ao futuro da população brasileira”, afirmou.