Resumo da notícia
- A Fundação Bunge premiou quatro trajetórias que unem ciência, inovação e transferência de conhecimento para a agricultura tropical sustentável, clima, agricultura familiar e indígena.
Edição de 2026 homenageia quatro trajetórias que unem ciência, inovação e transferência de conhecimento para o campo
A Fundação Bunge entregou nesta terça-feira (29) o Prêmio Fundação Bunge, uma das mais tradicionais honrarias de mérito científico do país. Em São Paulo, a cerimônia reuniu pesquisadores, representantes de instituições científicas e convidados. Em seguida, o público assistiu a um pocket show de Gabriel Sater.
Nesta edição, o prêmio destacou quatro trajetórias dedicadas a desafios estratégicos do Brasil. Nesse sentido, os trabalhos abordam agricultura tropical sustentável, mudanças climáticas, agricultura familiar e indígena, inteligência artificial e transferência de conhecimento para o campo. Assim, as pesquisas reúnem ciência, inovação e saberes tradicionais em soluções para o agro brasileiro.
Estresse térmico e hídrico em foco
O tema “Os desafios da agricultura tropical sustentável: produção em cenários de estresse térmico e hídrico” premiou dois pesquisadores. Nesse grupo, Alexandre Lima Nepomuceno, da Embrapa Soja, levou a categoria Vida e Obra. Já Paulo Eduardo Teodoro, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), venceu na categoria Juventude.
Em relação a Nepomuceno, a banca reconheceu sua trajetória em fisiologia vegetal, biologia molecular e tolerância à seca. Curiosamente, o pesquisador já havia recebido o prêmio há 26 anos, na categoria Juventude. Dessa vez, portanto, ele volta ao palco com uma carreira consolidada. Teodoro, por sua vez, foi premiado pelo uso de tecnologias na agricultura sustentável e pela Fenotipagem de Alto Rendimento. Nesse contexto, suas pesquisas desenvolvem e recomendam genótipos de soja e milho mais tolerantes a estresses abióticos. Além disso, esses genótipos usam a água com mais eficiência. Por isso, o trabalho ganha ainda mais relevância diante dos desafios climáticos.
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Saberes tradicionais e tecnologia
No tema “Inovação em processos de transferência de tecnologias e conhecimentos para a agricultura familiar”, dois pesquisadores receberam o prêmio. Nesse grupo, Sonia Alfaia, pesquisadora titular do Instituto Nacional de Pesquisa na Amazônia (INPA), levou a categoria Vida e Obra. Já Raul Victor Magalhães Souza, estudante do ensino médio e bolsista de Iniciação Científica Júnior pelo CNPq, venceu na categoria Juventude.
Em relação a Sonia, o prêmio reconheceu sua contribuição para a produção de conhecimento sobre a agricultura indígena e seu desenvolvimento na Amazônia. Além disso, sua trajetória combina pesquisa científica, gestão pública e atuação junto às comunidades tradicionais. Raul, por sua vez, tem 16 anos e foi premiado pelo desenvolvimento de um sistema que alia inteligência artificial, dados meteorológicos e saberes tradicionais dos profetas da chuva. Dessa forma, o projeto realiza previsões pluviométricas no semiárido cearense.

Ciência para um país mais sustentável
Criado em 1955 e inspirado no Nobel, o Prêmio Fundação Bunge mantém sua missão de reconhecer pesquisadores que contribuem para o desenvolvimento científico e para a busca de soluções para desafios estratégicos do Brasil. Para isso, as indicações são realizadas por representantes das principais universidades e instituições científicas do país. Em seguida, comissões técnicas independentes, formadas por especialistas, avaliam os currículos.
Nesse contexto, Cláudia Buzzette Calais, diretora-executiva da Fundação Bunge, destacou o papel da ciência no desenvolvimento nacional.
“Celebrar mais uma edição do Prêmio Fundação Bunge é reafirmar a nossa confiança na ciência e em sua capacidade de contribuir para o desenvolvimento do Brasil”, afirmou.
Segundo ela, os premiados atuam em frente fundamentais para o futuro do agro. Essas frentes buscam uma produção mais sustentável e preparada para as mudanças climáticas até o acesso dos agricultores familiares ao conhecimento e às novas tecnologias. Por fim, ela ainda ressaltou o valor das diferentes gerações reconhecidas.
“É uma honra reconhecer trajetórias de diferentes gerações que mostram, na prática, como a ciência pode transformar realidades e contribuir para um país mais sustentável, inclusivo e preparado para o futuro”, completou Cláudia.
