Propriedade familiar usa método pioneiro de cultivo e conquista prêmios nacionais
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Foto: Luciana Trindade/Sebrae Minas

O agrônomo José Procópio Stella transformou a tradição familiar de cinco gerações em um negócio vitivinícola que coloca o Sul de Minas Gerais no mapa nacional dos vinhos finos. A Stella Valentino, vinícola localizada em Andradas, produz entre 15 mil e 18 mil garrafas por ano e atrai cerca de 600 visitantes mensalmente.

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O empreendimento aplica a técnica da dupla poda, método que inverte o ciclo produtivo da videira, e conquistou reconhecimento nacional. O Tempranillo 2022 recebeu medalha Duplo Ouro no All The Best – Grande Prova de Vinhos do Brasil 2025, com 93 pontos. Já o Tempranillo Gran Reserva 2023 levou medalha de Ouro no Brasil Selection 2025.

Técnica pioneira muda qualidade da produção

José Procópio cresceu entre as parreiras que seus antepassados italianos plantaram no final do século 19. A família Stella chegou ao Brasil em 1888, vinda do Vêneto, e começou a produzir café. Em 1910, adquiriu a propriedade atual e passou a cultivar uvas para consumo doméstico.

“Eu sabia que dava para produzir um vinho diferente aqui, desde que respeitássemos o campo e entendêssemos o mercado”, afirma o produtor, que retornou à propriedade familiar no início dos anos 2000 após carreira profissional fora do negócio.

A mudança de patamar aconteceu quando a vinícola adotou a técnica da dupla poda, desenvolvida pelo pesquisador Murilo Regina, da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). A Stella Valentino aplicou o método pela primeira vez no estado.

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Propriedade foi a primeira a utilizar a técnica de dupla poda, desenvolvida pelo pesquisador Murilo Regina. Foto: Luciana Trindade/Sebrae Minas

A técnica permite a colheita no inverno, período mais seco e favorável à maturação das uvas viníferas. O método reduz riscos climáticos, melhora a sanidade dos cachos e estabelece relação direta entre o manejo e a qualidade final do vinho.

Do vinhedo à garrafa: controle total do processo

O produtor analisa cada variedade durante anos antes de lançar um rótulo. “Primeiro analisamos a adaptação da planta; depois, a vinificação em pequena escala; e, por fim, a resposta do público. Nem tudo vira rótulo”, explica.

A vinícola trata cada vinho como projeto técnico específico. A equipe define temperatura de fermentação, leveduras, tempo de maturação e tipo de rolha conforme o perfil desejado para cada produto.

O terroir sul-mineiro contribui para os resultados. A região apresenta elevada incidência solar, altitude favorável e solo rico de origem vulcânica – características que proporcionam maturação equilibrada das uvas e geram vinhos mais estruturados.

Enoturismo amplia receita e aproxima consumidor

José Procópio identifica que a produção de vinhos finos em pequena escala envolve custos elevados e margens ajustadas. Por isso, estruturou o negócio para gerar valor além da garrafa.

José Procópio Stella conduz um negócio estruturado desde o vinhedo. Foto: Luciana Trindade/Sebrae Minas

A vinícola oferece degustações orientadas e venda direta ao consumidor. O enoturismo representa elemento central da estratégia comercial. A Stella Valentino planeja inaugurar um wine bar no primeiro semestre de 2026.

“Se conseguirmos unir qualidade técnica e preço mais acessível, o mercado cresce junto”, avalia o empresário, que também desenvolve variedades mais resistentes e produtivas para ampliar o acesso a vinhos de entrada.

Sustentabilidade integra modelo de negócio

A vinícola possui certificação Selo Pró-Ambiente ESG. A propriedade reaproveita os resíduos da vinificação e refloreста áreas em trabalho contínuo de preservação.

O Sebrae Minas apoia o fortalecimento de vinícolas familiares e pequenos negócios do agro na região. A entidade oferece capacitações, incentiva a inovação e promove ações para ampliação de mercado.

“O apoio do Sebrae Minas contribui para a inserção da vinícola em espaços estratégicos e amplia a visibilidade dos rótulos. A participação em feiras e eventos do setor, como o Origem Vulcânica, aproxima o consumidor final da nossa produção, valoriza os produtos do Sul de Minas e estimula o enoturismo”, conclui José Procópio.