Resumo da notícia
- Lula propõe ampliar o crédito rural e fortalecer o seguro rural, com foco em máquinas, irrigação e tecnologias para aumentar a produtividade no campo e apoiar a agricultura familiar.
- O plano inclui medidas para adaptação climática, pesquisa agropecuária, produção nacional de fertilizantes e expansão das exportações agrícolas.
- Apoio à agricultura familiar está ligado à segurança alimentar, mantendo programas como o PAA e ampliando assistência técnica e extensão rural para fortalecer produção e distribuição.
Lula (PT) propõe ampliar os recursos do Plano Safra, fortalecer o seguro rural e aumentar o apoio à agricultura familiar. O programa também prevê investimentos em irrigação, máquinas e tecnologias para elevar a produtividade no campo.
Além disso, o plano inclui medidas de adaptação às mudanças climáticas, pesquisa agropecuária, reforma agrária, exportações e produção nacional de fertilizantes.
As propostas fazem parte do programa registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O documento dedica um capítulo à segurança alimentar e à produção agrícola, mas também apresenta medidas relacionadas ao campo nas áreas de ciência, energia, meio ambiente, comércio exterior e desenvolvimento rural. O TSE informa que os documentos disponibilizados em sua plataforma correspondem às propostas apresentadas formalmente pelas candidaturas.
Crédito rural financiaria máquinas, irrigação e tecnologia
Para a produção agropecuária, o programa propõe fortalecer o crédito rural e ampliar os recursos do Plano Safra, com juros considerados compatíveis com a rentabilidade das atividades.
Entre as prioridades estão financiamentos para máquinas, equipamentos, irrigação e tecnologias destinadas ao aumento da produtividade.
Ao mesmo tempo, o plano pretende diversificar as fontes de financiamento. Para isso, prevê estimular o mercado de capitais e os títulos ligados ao agronegócio, além de simplificar o acesso dos produtores ao crédito.
A agricultura familiar, por outro lado, teria linhas específicas. O programa propõe expandir o Plano Safra destinado ao segmento, com prioridade para a produção de alimentos da cesta básica.
Também prevê crédito para agroecologia, produção orgânica, sociobiodiversidade, inovação e máquinas adaptadas às pequenas propriedades. Jovens, mulheres, cooperativas e associações teriam condições específicas de financiamento.
Agricultura familiar também entra na segurança alimentar
O fortalecimento da agricultura familiar aparece ligado à política de segurança alimentar.
Nesse campo, o plano prevê manter o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), priorizando produtos frescos e diversificados destinados a equipamentos públicos e famílias vulneráveis.
Além disso, propõe continuar apoiando estados e municípios na compra de produtos da agricultura familiar para a alimentação escolar.
O documento cita os percentuais de 45% para compras da agricultura familiar e de 80% para alimentos in natura ou minimamente processados como patamares alcançados no atual mandato. Esses números são apresentados pelo próprio programa.
Outra frente é a assistência técnica. O plano pretende ampliar a Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), fortalecer o programa Mais Alimentos e facilitar a comercialização de produtos das agroindústrias familiares entre os estados.
Seguro rural ganharia cobertura contra grandes perdas
A gestão de riscos também aparece entre as prioridades.
O programa prevê ampliar a política de seguro rural e discutir com o setor produtivo mecanismos para cobrir perdas sistêmicas provocadas por quebras severas de safra.
Além disso, propõe integrar o seguro a instrumentos de comercialização e proteção financeira e ampliar a educação dos produtores sobre gestão de riscos.
Para a agricultura familiar, o plano prevê fortalecer o Garantia-Safra e, ao mesmo tempo, ampliar o acesso ao seguro rural.
Adaptação climática chega à produção
As mudanças climáticas ocupam uma frente específica do programa.
Nesse ponto, Lula propõe criar um programa nacional de resiliência climática no campo. Entre as medidas estão ampliação das áreas irrigadas, conservação dos solos, agricultura de precisão e plantio direto.
O programa também pretende modernizar o monitoramento meteorológico e os sistemas de alerta destinados aos produtores.
Ao mesmo tempo, prevê ampliar sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). A estratégia é associada à retenção de água no solo e à redução dos efeitos do calor sobre lavouras e rebanhos.
Reforma agrária e regularização permanecem no programa
Na estrutura fundiária, o plano propõe dar continuidade à reforma agrária, com assentamento de famílias acampadas e estruturação dos assentamentos existentes.
Além disso, prevê ampliar o acesso ao crédito fundiário e avançar na regularização de propriedades, com atenção especial à região Norte.
O programa também propõe acelerar a titulação de territórios quilombolas e a regularização de terras de povos e comunidades tradicionais.
Nas condições de vida no campo, o documento prevê ampliar o acesso à água potável, ao saneamento rural e ao Programa Cisternas em regiões com estresse hídrico.
Outra meta é universalizar o acesso à energia elétrica no meio rural, com prioridade para fontes renováveis.
Embrapa, genética e IA entram na pesquisa
A pesquisa agropecuária aparece como outro eixo do programa.
O plano prevê fortalecer a Embrapa e investir em biotecnologia, edição genômica e desenvolvimento de cultivares mais resistentes a pragas e secas.
Além disso, propõe ampliar a conectividade rural e levar o 5G ao campo, com prioridade para as regiões Norte e Nordeste.
A inteligência artificial também aparece nessa estratégia. O agronegócio está entre os setores considerados prioritários para a difusão da tecnologia, com apoio a pesquisa e desenvolvimento.
Na prática, o programa conecta pesquisa, conectividade e novas tecnologias à busca por maior produtividade.
Pecuária teria recuperação de pastagens e rastreabilidade
Para a pecuária, o programa propõe continuar a recuperação de pastagens degradadas e ampliar o melhoramento genético dos rebanhos.
Outra medida é aumentar o uso de nutrição animal de precisão. Segundo o documento, essas tecnologias podem melhorar a eficiência produtiva e reduzir as emissões por quilo de carne.
Ao mesmo tempo, o plano pretende apoiar sistemas de rastreabilidade individual do gado, acompanhando os animais do nascimento ao abate.
Nesse caso, a medida também é relacionada às exigências dos mercados internacionais.
Exportações teriam novos mercados
No comércio exterior, o programa prevê fortalecer a diplomacia comercial e promover a imagem do agronegócio brasileiro.
Para isso, propõe reforçar a atuação dos adidos agrícolas em mercados considerados estratégicos e ampliar missões comerciais.
O documento afirma que 656 mercados para produtos agrícolas e pecuários foram abertos durante o atual mandato e propõe continuar a diversificação dos destinos das exportações. O número é uma informação apresentada pelo próprio programa.
Além de ampliar mercados, o plano estabelece como objetivo aumentar o valor agregado das vendas externas e reduzir a participação relativa de produtos primários na pauta comercial.
Fertilizantes e bioenergia completam a estratégia
A redução da dependência externa de fertilizantes também aparece no programa. Para isso, o documento propõe acelerar a produção nacional desses insumos.
Na energia, por sua vez, o plano prevê ampliar a produção de biocombustíveis, incluindo etanol de cana e milho, biodiesel e combustível sustentável de aviação (SAF).
Também propõe aproveitar resíduos e subprodutos da agroindústria para produzir bioenergia e biogás.
Dessa forma, a produção agropecuária aparece conectada tanto à política de insumos quanto à expansão das fontes renováveis de energia.
Plano estabelece meta ambiental para 2030
Na agenda ambiental, o programa estabelece como meta alcançar desmatamento líquido zero até 2030.
Para isso, prevê implementar planos de prevenção e controle do desmatamento e o Plano Nacional de Manejo Integrado do Fogo, além de assegurar a aplicação do Código Florestal e da Lei da Mata Atlântica.
O documento também propõe ampliar os mecanismos de pagamento por serviços ambientais e discutir com o setor produtivo sistemas de rastreabilidade e devida diligência nas cadeias produtivas.
Além disso, satélites e inteligência artificial seriam utilizados para ampliar o monitoramento e combater crimes ambientais.
Na gestão da água, por exemplo, o programa prevê revitalizar bacias hidrográficas e ampliar a infraestrutura destinada ao consumo, à produção e à proteção contra cheias.
Assim, as propostas de Lula para o agro combinam crédito, seguro rural, agricultura familiar, adaptação climática, pesquisa, produção agropecuária, exportações e conservação ambiental.
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Esta reportagem integra o especial do Agro em Campo “Eleições 2026 — O futuro do agro”. O conteúdo tem como base o programa de governo registrado pela candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Metas, números, propostas e projeções atribuídos ao candidato têm como origem esse documento, salvo quando indicada outra fonte.