Resumo da notícia
- Pecuaristas de Tanabi enfrentam forte infestação de mosca-do-estábulo, que causa anemia e perda de peso nos bovinos, além de alterar a rotina e provocar prejuízos financeiros significativos.
- Produtores associam o aumento das moscas ao manejo inadequado da vinhaça, subproduto da cana-de-açúcar, mas relação ainda não foi comprovada; fiscalização encontrou acúmulos e aplicou multa a empresa.
- Medidas de controle incluem limpeza dos cochos e orientação pela Secretaria de Agricultura, enquanto a Usina Tereos afirma seguir normas ambientais e adotar ações para conter a infestação.
Pecuaristas de Tanabi, no noroeste de São Paulo, enfrentam uma forte infestação de mosca-do-estábulo (Stomoxys calcitrans). Os ataques alteram a rotina das fazendas e preocupam os criadores pelos impactos sobre os rebanhos.
Em uma das propriedades, o produtor Marcos Rogério Bordignon afirma que perdeu 14 animais e estima o prejuízo em R$ 70 mil.
A mosca se alimenta de sangue e, por isso, ataques frequentes podem debilitar os bovinos e favorecer a perda de peso. “Os animais vão ficando fracos, perdendo peso. Você nota que estão pálidos porque a mosca suga muito sangue. Eles vão ficando anêmicos”, relata Bordignon.
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Ataques mudam a rotina do rebanho
Durante o dia, os bovinos permanecem mais tempo em pé e se movimentam constantemente para escapar dos insetos. Assim, gastam mais energia e podem reduzir o tempo dedicado à alimentação e ao descanso.
Além disso, produtores relatam ataques em bezerros, porcos e cães. Em propriedades de gado confinado, alguns animais passam a se alimentar mais à noite, quando a presença das moscas diminui.
Diante da situação, cerca de 120 agricultores e responsáveis por rebanhos participaram, em agosto, de uma reunião em Tanabi para discutir a infestação e buscar alternativas de controle.
Vinhaça entra no debate
Os produtores apontam o manejo da vinhaça, subproduto da produção de açúcar e etanol utilizado nas lavouras de cana-de-açúcar, como um possível fator associado ao aumento das moscas.
No entanto, essa relação ainda precisa de avaliação técnica e não deve ser apresentada como causa comprovada da infestação.
Segundo as informações que embasam a reportagem, uma vistoria da Cetesb, realizada em agosto, encontrou pontos de acúmulo e empoçamento de vinhaça. Além disso, ainda conforme essas informações, uma empresa recebeu uma multa de R$ 250 mil, em junho, por derramamento do resíduo em uma propriedade próxima.
Enquanto produtores e autoridades discutem o problema, os pecuaristas reforçam medidas de controle. Entre elas estão a limpeza dos cochos, o controle da umidade e a retirada de restos de alimentos, feno e silagem.
Além disso, a Secretaria de Agricultura e Pecuária passou a visitar propriedades da região para orientar os criadores.
O que diz a Tereos
A Usina Tereos informou que utiliza vinhaça em parte das plantações de cana-de-açúcar e que segue as normas ambientais durante a aplicação.
A empresa também afirmou que adotou medidas para controlar a infestação da mosca-do-estábulo na região de Tanabi.
Enquanto produtores, autoridades e o setor sucroenergético avaliam as possíveis causas, os pecuaristas continuam buscando formas de reduzir os ataques e evitar novos prejuízos aos rebanhos.