Resumo da notícia
- O risco de escassez de fosfato bicálcico, insumo essencial para suplementos minerais na alimentação bovina, pode elevar os custos de produção e pressionar o preço do leite.
- A falta ou encarecimento dos suplementos minerais compromete a nutrição dos rebanhos, impactando a produtividade, reprodução e saúde das vacas, com reflexos diretos na cadeia leiteira.
- A forte dependência de importações e a baixa produção nacional de fosfato bicálcico preocupam o setor, que vê a necessidade de ampliar a produção interna para evitar desabastecimento e alta nos preços.
O preço do leite pode enfrentar novas pressões nos próximos meses devido a um problema que começa longe das prateleiras dos supermercados. Um alerta emitido pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) aponta para o risco de escassez de fosfato bicálcico, matéria-prima essencial na fabricação de suplementos minerais utilizados na alimentação bovina.
Embora pouco conhecido pelo consumidor, esse insumo desempenha papel fundamental na nutrição dos rebanhos.
O que o sal mineral tem a ver com o preço do leite?
A resposta está na produtividade das vacas. A maior parte das pastagens brasileiras apresenta deficiência natural de nutrientes importantes, como fósforo, cálcio, zinco, cobre e enxofre.
Para compensar essa limitação, os produtores utilizam suplementos minerais que ajudam a manter o desempenho dos animais. Quando a suplementação é inadequada, podem ocorrer quedas na produção de leite, piora dos índices reprodutivos e aumento da vulnerabilidade a doenças.
Além disso, a nutrição correta influencia diretamente a eficiência produtiva dos rebanhos leiteiros.

Escassez e alta de preços preocupam o setor
Segundo a Famato, o risco de desabastecimento está ligado à combinação de fatores como a baixa produção nacional, a forte dependência de importações e as restrições de oferta em mercados internacionais.
Ao mesmo tempo, produtores já enfrentam aumentos nos preços dos suplementos minerais utilizados na alimentação animal. Caso a oferta continue pressionada, o mercado espera novos reajustes.
Impacto pode chegar ao consumidor
Para o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, o problema não afeta apenas o produtor rural.
“Estamos diante de um alerta importante para a pecuária e para a agricultura. O sal mineral é indispensável para o desempenho produtivo, reprodutivo e sanitário do rebanho. Quando esses produtos ficam caros ou, pior, começam a faltar, o impacto chega diretamente ao produtor rural e pode chegar às prateleiras dos supermercados”, afirmou.
Além do risco de aumento nos custos das fazendas, uma eventual redução na eficiência produtiva dos rebanhos pode pressionar a oferta de leite, contribuindo para novas altas ao consumidor.
Dependência externa
O episódio também evidencia a dependência brasileira de insumos estratégicos importados. Segundo a Famato, a escassez reforça a necessidade de ampliar a produção nacional de matérias-primas utilizadas na agricultura e na pecuária.
Entre as medidas defendidas pela entidade estão a redução temporária das tarifas de importação do fosfato bicálcico e do enxofre, além da agilização dos processos alfandegários e da busca por novos fornecedores internacionais.
Embora ainda não exista confirmação de desabastecimento generalizado, o setor acompanha o cenário com atenção. Para especialistas, garantir o fornecimento de insumos essenciais à nutrição animal é uma condição indispensável para manter a competitividade da pecuária brasileira e evitar pressões adicionais sobre os preços do leite.









