Cartilha busca fortalecer a confiança do consumidor e promover o uso responsável de defensivos agrícolas
Foto: divulgação -Embrapa / Fernando Adegas

Pesquisadores do Laboratório de Ecotoxicologia do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), em Piracicaba (SP), lançaram a cartilha Do campo à mesa: o uso de pesticidas e a segurança dos alimentos. O material gratuito busca equilibrar produtividade agrícola, saúde pública e sustentabilidade, oferecendo informações claras sobre rastreabilidade e boas práticas no uso de defensivos químicos. O conteúdo está disponível para download no Portal de Livros Abertos da USP.

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Organizada por Laura Bordignon, Márcio Antônio Godoi Junior, Nicoli Gomes de Moraes e Kassio Ferreira Mendes, a publicação aborda a dualidade dos pesticidas na agricultura: embora sejam essenciais para garantir lavouras saudáveis e alta produtividade, exigem manejo responsável para evitar impactos à saúde humana e ao meio ambiente. Segundo os autores, a conscientização e a informação são fundamentais para melhorar continuamente a qualidade dos alimentos e a confiança do consumidor.

A cartilha reúne figuras, gráficos e fluxogramas que explicam temas como comportamento dos pesticidas no ambiente, resíduos em alimentos, limites legais permitidos e métodos de detecção. O objetivo é auxiliar produtores, técnicos e consumidores a entender os aspectos legais e sanitários que envolvem o uso dessas substâncias.

“Esperamos que o material estimule práticas mais seguras e conscientes no campo, reforçando a confiança na origem dos alimentos”, afirmam os organizadores.

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Rastreabilidade e segurança dos alimentos

Um dos pontos centrais da publicação é a rastreabilidade, mecanismo que permite acompanhar a origem e o percurso dos produtos ao longo da cadeia produtiva. No Brasil, a rastreabilidade de frutas, legumes e verduras é obrigatória por lei, segundo a Instrução Normativa Conjunta, o que garante ao consumidor acesso a informações sobre quem produziu, quando e como o alimento foi cultivado — incluindo o uso de pesticidas.

A iniciativa reforça a importância de transparência na cadeia produtiva e explica conceitos como:

  • Comportamento dos pesticidas: forma como os compostos se dispersam no ambiente.
  • Resíduos em alimentos: níveis de substâncias químicas presentes nos produtos que chegam à mesa.
  • Limites legais: normas e parâmetros definidos pela legislação brasileira para assegurar a segurança alimentar.

Certificações e autoridades reguladoras

O material também detalha o papel das certificadoras que fiscalizam boas práticas agrícolas, como:

  • GlobalG.A.P., que define padrões internacionais de produção segura e sustentável.
  • Rainforest Alliance Certified, voltada à proteção ambiental e aos direitos dos trabalhadores.
  • Certifica Minas Café, que adota critérios técnicos de conservação do solo, manejo responsável e redução de agrotóxicos.

Além disso, a cartilha explica como os Limites Máximos de Resíduos (LMR) são definidos e verificados. Esses parâmetros medem, em miligramas por quilo de alimento (mg/kg), a quantidade máxima de pesticida permitida nos produtos, considerando o tipo de cultura, condições reais de cultivo e práticas agrícolas adequadas. Entre os órgãos responsáveis pela aferição dos LMR estão:

  • Codex Alimentarius,
  • FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação),
  • OMS (Organização Mundial da Saúde),
  • Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e
  • Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

A cartilha Do campo à mesa: o uso de pesticidas e a segurança dos alimentos está disponível para leitura e download gratuito no Portal de Livros Abertos da USP, com acesso livre para produtores, estudantes e consumidores interessados em entender melhor como o manejo responsável de pesticidas contribui para a segurança alimentar e ambiental.