Resumo da notícia
- O PIB brasileiro cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, impulsionado pela Agropecuária, Indústria e Serviços, com destaque para a produção recorde de soja e alta na extração mineral.
- O consumo das famílias subiu 1,0%, consolidando-se como principal motor do crescimento, enquanto os investimentos tiveram recuperação expressiva de 3,5% após queda no trimestre anterior.
- Exportações cresceram 7,4% no trimestre, puxadas por petróleo, gás e alimentos, apesar da queda anual na produção de bens de capital e desafios na indústria de transformação.
A economia brasileira iniciou 2026 com um ritmo acelerado. Segundo dados do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais, divulgados hoje (29) pelo IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1,1% no primeiro trimestre em comparação ao período anterior. Em valores correntes, a riqueza gerada pelo país atingiu a marca de R$ 3,3 trilhões.
O resultado positivo reflete o avanço nos três principais setores da economia. A Agropecuária liderou a alta com 2,0%, seguida pela Indústria (1,0%) e pelo setor de Serviços (0,5%). No confronto com o primeiro trimestre de 2025, o PIB apresenta uma expansão ainda mais sólida, de 1,8%.
Dentro da indústria, a Extração Mineral (3,6%) e a Construção (2,9%) garantiram o saldo positivo. No setor de Serviços, que representa cerca de 70% da economia nacional, os destaques ficaram com as atividades de Informação e Comunicação (2,4%) e Atividades Imobiliárias (1,2%).
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Ricardo Montes de Moraes, coordenador de Contas Nacionais do IBGE, explica que a Agropecuária e a Extrativa Mineral foram essenciais para sustentar o índice médio de crescimento neste início de ano.
Consumo das famílias e investimentos em alta
Pelo lado da demanda, o Consumo das Famílias subiu 1,0%, consolidando-se como o principal motor do PIB devido ao seu peso na economia. Já a Formação Bruta de Capital Fixo (investimentos) registrou uma recuperação expressiva de 3,5% após a queda no trimestre anterior.
O setor externo, por sua vez, apresentou comportamentos distintos: enquanto as importações saltaram 4,4%, as exportações recuaram 1,7% na comparação com o quarto trimestre de 2025.
Safra recorde de soja impulsiona resultados anuais
Ao analisar o acumulado de um ano, a Agropecuária destaca-se pelo ganho de produtividade. O cultivo de soja atingiu uma produção recorde na série histórica, com um crescimento estimado de 4,8%. Condições climáticas favoráveis e a expansão da área plantada favoreceram o campo, compensando as quedas registradas nas safras de milho (-2,5%) e arroz (-10,6%).
No âmbito industrial anual, as Indústrias Extrativas saltaram 13,1%, puxadas pela extração de petróleo e gás natural. Entretanto, a indústria de transformação enfrentou desafios, registrando queda de 0,9%, influenciada principalmente pelos setores de fabricação de máquinas e equipamentos.
Desafios nos investimentos e produção nacional
Apesar do otimismo trimestral, a comparação anual revela que a produção nacional de bens de capital caiu 6,3%. Segundo Moraes, essa retração na produção interna puxou para baixo o índice de investimentos (FBCF) no período de um ano, mesmo com o crescimento observado na construção civil.
Nas trocas comerciais com o exterior no primeiro trimestre de 2026, as exportações cresceram 7,4%, com destaque para o petróleo, gás e produtos alimentícios. Já as importações avançaram 1,2%, focadas em veículos automotores e produtos farmacêuticos.









