Pesquisadores chineses transplantaram simultaneamente fígado e rins de um porco geneticamente modificado em um ser humano
Porcos são considerados candidatos ideais para transplantes devido à semelhança de seus órgãos com os dos seres humanos — Foto: José Medeiros/GCOM-MT

Um avanço científico realizado na China chamou a atenção e reforçou o potencial da suinocultura na área da saúde. Pesquisadores da Universidade Médica de Guangxi, localizada no sul do país, realizaram o primeiro transplante simultâneo de fígado e rins de porco em um ser humano.

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Os órgãos foram retirados de um porco geneticamente modificado e transplantados para um homem de 53 anos que havia sido diagnosticado com morte cerebral.

Nova etapa dos xenotransplantes

A cirurgia é considerada um marco para os chamados xenotransplantes, nome dado aos transplantes realizados entre espécies diferentes.

Segundo informações publicadas pela revista científica Nature, os estudos mais avançados até então haviam demonstrado o funcionamento de apenas um órgão animal por vez em seres humanos. Agora, pela primeira vez, cientistas comprovaram que múltiplos órgãos provenientes do mesmo animal podem operar simultaneamente dentro de um corpo humano.

Técnica é vista como esperança para reduzir filas de transplante no mundo inteiro — Foto: Wildpixel/Getty Images

Além disso, os resultados iniciais foram considerados bastante positivos. Menos de 24 horas após o procedimento, o fígado suíno já produzia bile normalmente, enquanto os rins transplantados passaram a filtrar o sangue e reduzir os níveis de creatinina, um dos principais indicadores utilizados para avaliar a função renal.

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Modificações genéticas foram essenciais

Para tornar o transplante viável, os pesquisadores precisaram realizar uma série de alterações genéticas no animal doador.

De acordo com o estudo, foram feitas seis modificações no genoma do porco. Três genes associados à rejeição imunológica foram removidos. Em contrapartida, outros três genes humanos foram inseridos para aumentar a compatibilidade entre os tecidos e reduzir os riscos de coagulação após o transplante.

Por que os porcos são candidatos ideais?

Os porcos vêm sendo apontados há anos como uma das alternativas mais promissoras para ampliar a oferta de órgãos destinados a transplantes.

Além da facilidade de criação em larga escala, os animais possuem órgãos com tamanho, anatomia e características fisiológicas semelhantes às encontradas nos seres humanos.

Suínos se destacam em pesquisas voltadas à medicina regenerativa — Foto: AEN Paraná

Nos últimos anos, diversos estudos envolvendo órgãos suínos geneticamente modificados ganharam espaço em centros de pesquisa ao redor do mundo. O objetivo é reduzir a dependência de doadores humanos e ajudar a diminuir as longas filas de espera por rins, fígados, corações e outros órgãos vitais.

Oferta global de órgãos

Embora a técnica ainda seja considerada experimental, os pesquisadores da Universidade Médica de Guangxi avaliam que o resultado obtido fortalece a viabilidade dos xenotransplantes como solução para a crescente escassez de órgãos no mundo.

Além disso, os cientistas acreditam que, caso os desafios relacionados à rejeição imunológica sejam superados nos próximos anos, os porcos geneticamente modificados poderão desempenhar papel estratégico no fornecimento de órgãos para transplantes.