Resumo da notícia
- O Tabi, conhecido como "sapato pata de vaca", ganhou popularidade no Brasil ao ser usado por celebridades como Wagner Moura, Dua Lipa e Zendaya, tornando-se símbolo de ousadia e personalidade.
- Criado a partir das tradicionais meias japonesas do século XV, o design foi reinventado pelo estilista belga Martin Margiela em 1988, que transformou o formato em uma bota de salto com solas que deixam marcas únicas.
- A peça, que simula o efeito de um pé descalço, enfrentou desafios na fabricação devido à sua estrutura diferenciada, mas consolidou-se como assinatura da Maison Margiela e referência na moda contemporânea.
Conhecido nas redes sociais como ‘sapato pata de vaca’, o Tabi deixou de ser uma peça restrita aos círculos especializados em moda e passou a aparecer nos pés de celebridades, influenciadoras digitais e jovens brasileiras.
A principal característica do calçado é a divisão frontal que separa o dedão dos demais dedos. O formato lembra o casco de um animal e divide opiniões: enquanto alguns consideram o modelo estranho, outros enxergam nele um símbolo de personalidade e ousadia.
Apesar do apelido, o design não foi criado a partir de uma pata de vaca. A origem está em uma peça tradicional japonesa usada desde o século XV.
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De uma meia japonesa às passarelas de Paris
A história começa com as meias tabi, desenvolvidas no Japão com uma divisão entre o dedão e os outros dedos. O formato permitia que elas fossem usadas com sandálias tradicionais, como as geta e zori.
Séculos depois, o designer belga Martin Margiela conheceu a peça durante uma viagem ao Japão e decidiu reinterpretá-la para a moda ocidental.
O resultado apareceu em seu primeiro desfile, realizado em Paris, em 1988, para a coleção de primavera e verão de 1989. Margiela transformou o formato originalmente plano em uma bota de salto.
Na apresentação, as solas foram mergulhadas em tinta vermelha. Conforme as modelos caminhavam por uma passarela branca, deixavam marcas divididas, semelhantes a pequenas pegadas de animais. A imagem ajudou a transformar o Tabi em uma das criações mais reconhecidas da Maison Margiela.

Calçado busca criar efeito de pé descalço
A proposta do designer era criar a ilusão de um pé descalço apoiado sobre um salto grosso. Entretanto, a divisão frontal dificultou a fabricação dos primeiros pares, pois o formato exigia uma estrutura diferente daquela empregada nos calçados convencionais.
A produção inicial foi assumida pelo artesão italiano conhecido como senhor Zagato. O varejista belga Geert Bruloot, um dos primeiros a comercializar as criações de Margiela, também teve papel importante na apresentação do modelo ao mercado.
Sem recursos para desenvolver novas formas de calçados a cada coleção, o estilista voltou a utilizar o Tabi nos desfiles seguintes. A repetição acabou consolidando a peça como uma assinatura da marca.
Wagner Moura levou modelo ao Globo de Ouro
Décadas depois de sua estreia, o modelo voltou a ganhar grande repercussão com a adesão de nomes como Dua Lipa, Zendaya, Kylie Jenner e Pedro Pascal.
No Brasil, um dos momentos de maior visibilidade ocorreu em janeiro de 2026. Wagner Moura usou um Tabi de couro no Globo de Ouro, cerimônia em que venceu o prêmio de melhor ator em filme de drama por sua atuação em ‘O Agente Secreto’.
O calçado completou um visual assinado pela Maison Margiela e chamou atenção por sua divisão frontal. Modelos semelhantes eram vendidos no Brasil por valores entre R$ 11 mil e R$ 17 mil naquele período.
Redes sociais impulsionaram tendência
O formato incomum encontrou nas redes sociais um ambiente favorável. Vídeos de avaliações, combinações de looks e reações ao design ajudaram a levar o Tabi para além do público tradicional da alta-costura.
A estética também passou a aparecer em versões produzidas por outras empresas. Marcas brasileiras já oferecem suas próprias interpretações do calçado, com opções em formato de tênis, sapatilha, sandália e mocassim.
Mais de três décadas depois de chegar às passarelas, o Tabi permanece estranho para alguns e irresistível para outros.