Contrato de maio fechou a US$ 11,82 por bushel na CBOT, e o mercado físico brasileiro respondeu com mais fluidez nos negócios, especialmente nos portos
Soja dispara com demanda e fortalece mercado brasileiro. Milho sobe com vendedores retraídos e oferta limitada.
Foto: Embrapa/Danilo Estevão

Hoje definitivamente não é um dia qualquer para o mercado de soja. Nesta sexta-feira, 1º de maio, as cotações da oleaginosa na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) operaram no campo positivo e entregaram um respiro que o setor esperava há algum tempo. Por trás dessa recuperação, uma combinação de fatores que vai muito além das fronteiras do campo brasileiro: guerra, chuva, petróleo e câmbio se uniram para empurrar os preços para cima.

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Para quem acompanha o mercado de commodities, essa é exatamente a dinâmica que torna a soja tão fascinante e, ao mesmo tempo, tão imprevisível.

Petróleo e tensão geopolítica deram o tom em Chicago

Os contratos futuros da soja negociados na CBOT fecharam o pregão com preços mais altos para o grão e o óleo, enquanto o farelo recuou. O mercado buscou suporte na disparada do petróleo, sustentada pelas tensões que persistem no Oriente Médio.

Esse elo entre energia e grãos não é coincidência. O óleo de soja acompanhou o movimento do petróleo por ser uma alternativa na produção de biocombustíveis, e a demanda consistente por esmagamento nos Estados Unidos também contribuiu para a alta.

No entanto, há um componente geopolítico concreto por trás dessa pressão. O mercado repercutiu declarações do presidente Donald Trump sobre o Irã, aumentando a cautela dos investidores. Quando Washington faz ameaças ao regime iraniano, o petróleo sobe, o óleo de soja sobe junto, e os contratos futuros do grão ganham sustentação quase que automaticamente.

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Entre os contratos, o vencimento maio de 2026 subiu 9,25 centavos de dólar por bushel, fechando a US$ 11,82 1/4. Já o contrato julho de 2026 avançou 7,75 centavos, encerrando a US$ 11,97 por bushel. No farelo, houve queda de US$ 3,60, para US$ 323,80 por tonelada. O óleo de soja subiu 1,60 centavo, fechando a 74,12 centavos de dólar por libra-peso.

Chuvas nos EUA atrasam plantio e sustentam preços

Além do cenário energético, outro fator climático entrou na equação: atrasos no plantio provocados por excesso de chuvas no Meio-Oeste americano também influenciaram positivamente os preços.

Quando o plantio atrasa, a oferta futura de grãos fica em xeque. E mercado que enxerga risco de oferta menor tende a precificar essa incerteza com alta nos contratos futuros. Nos Estados Unidos, o plantio de soja avançou para apenas 12% da área prevista, dobrando o ritmo da semana anterior, mas a previsão de chuvas intensas no Meio-Oeste pode interromper temporariamente os trabalhos de campo.

Por outro lado, os ganhos mais expressivos não aconteceram. Ganhos mais expressivos ao grão foram limitados pela ampla oferta vinda da América do Sul. Brasil e Argentina seguem jogando o lado oposto dessa balança, com uma colheita robusta pressionando os preços de baixo para cima.

Brasil sente a melhora: câmbio e portos aquecem negócios

Do lado de cá do Atlântico, o efeito foi imediato. O mercado brasileiro de soja teve um dia mais aquecido, com avanço nas cotações e maior volume de negócios, especialmente nos portos.

Segundo o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado, a melhora veio principalmente da combinação entre câmbio e mercado internacional. A valorização em Chicago e o dólar mais firme trouxeram sustentação aos preços internos.

O dólar comercial encerrou o dia com alta de 0,39%, cotado a R$ 5,0014 para venda, oscilando entre R$ 4,9793 e R$ 5,0138 ao longo da sessão. Essa proximidade do dólar à marca de R$ 5,00 foi um dos gatilhos para destravar negócios que estavam represados.

No mercado físico, os preços subiram em várias praças. Passo Fundo (RS) subiu de R$ 124,00 para R$ 125,00 por saca, e Santa Rosa (RS) avançou de R$ 125,00 para R$ 126,00.

O que o produtor deve monitorar nas próximas semanas

Apesar do alívio desta sexta, o cenário segue repleto de variáveis. Os investidores aguardavam os dados semanais de exportação norte-americana, com projeções entre 200 mil e 600 mil toneladas de soja em grão. Esses números, quando divulgados, têm capacidade de reforçar ou reverter os ganhos recentes.

Além disso, na América do Sul, chuvas persistentes na Argentina, especialmente na província de Santa Fé, têm prejudicado o avanço da colheita, o que pode reduzir a oferta sul-americana no curto prazo e dar mais sustentação às cotações internacionais.

Para o produtor brasileiro, o recado é claro: o momento exige atenção redobrada ao câmbio, ao preço do petróleo e ao clima no Meio-Oeste americano. São esses três termômetros, aparentemente distantes do campo, que definem o preço que chega à balança na colheita.