Fenômeno climático pode atrasar o retorno das chuvas, elevar as temperaturas e aumentar os desafios para o agronegócio paulista
Animação da Temperatura da Superfície do Mar no Pacífico — (Foto: NOAA)

O avanço do El Niño de intensidade moderada a forte, conhecido como “Super El Niño”, tem gerado preocupação em diversos setores da economia. No campo, produtores acompanham atentamente os possíveis reflexos do fenômeno climático, que deve influenciar as condições meteorológicas em São Paulo.

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De acordo com a meteorologista Maria Clara Sassaki, da TempoOK, os principais efeitos esperados para o estado incluem o atraso na regularização das chuvas e a manutenção de temperaturas acima da média durante a primavera e o verão. Além disso, há potencial para a ocorrência de ondas de calor mais intensas, o que pode afetar atividades agrícolas, recursos hídricos e o planejamento das safras.

O que é o El Niño?

O El Niño é um fenômeno natural associado ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico. Esse processo ocorre devido ao enfraquecimento dos ventos alísios, responsáveis por influenciar a circulação atmosférica global. Como consequência, diferentes regiões do planeta registram alterações significativas nos padrões de chuva e temperatura.

Enquanto áreas do sudeste da Ásia, Austrália, sul da África e parte das regiões Norte e Nordeste do Brasil costumam enfrentar condições mais secas, outras localidades registram aumento das precipitações. Esse é o caso da África Oriental, do sul dos Estados Unidos, do Peru e do Equador.

Mais intenso já registrado

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) alerta que o El Niño 2026/2027 pode se tornar o mais intenso já registrado na história moderna.

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Segundo Maria Clara Sassaki, a distribuição das chuvas tende a ficar desequilibrada durante o fenômeno.

“As chuvas ficam concentradas no Sul e demoram muito para avançar de forma continental, organizando o corredor de umidade que seria típico desta época: com o ar mais seco, a atmosfera mais aquecida e as temperaturas também ficam mais elevadas.”

Dessa forma, produtores rurais devem acompanhar os boletins meteorológicos e reforçar estratégias de manejo para reduzir possíveis impactos provocados pela falta de chuva e pelo aumento do calor.

Por outro lado, os efeitos do fenômeno também exigem atenção da população em geral. A especialista recomenda evitar longos períodos de exposição ao sol, manter a hidratação adequada e utilizar protetor solar com frequência.

Além disso, os recursos hídricos também podem sofrer pressão adicional caso o período seco se prolongue.

“O nível dos reservatórios pode ficar baixo, então os cuidados que normalmente são tomados no período de seca devem ser mantidos até a regularização do nível dos reservatórios”, afirmou Maria Clara.

Assim, especialistas reforçam que o monitoramento constante das condições climáticas será fundamental para minimizar impactos sobre a produção agropecuária, o abastecimento de água e a rotina da população paulista.