Resumo da notícia
- A tarifa adicional de 25% dos EUA afeta parte do agronegócio brasileiro, mas 63,5% das exportações estão isentas, preservando grande parte das vendas para o mercado americano.
- Setores como açúcar, etanol, frutas e máquinas agrícolas continuam sujeitos à tarifa, gerando preocupações e ações governamentais para minimizar perdas, especialmente no Nordeste.
- Apesar da importância histórica, os EUA representam apenas 6% das exportações agro do Brasil em 2024, perdendo espaço para China (35%) e União Europeia (14%), com queda de 25,1% nas compras.
A nova tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros já está em vigor e provoca mudanças importantes para o agronegócio. Enquanto alguns setores perderam competitividade no mercado americano, outros conseguiram manter as exportações graças à ampliação da lista de isenções anunciada pelo governo de Donald Trump.
Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), os produtos que ficaram de fora da nova cobrança representam cerca de 63,5% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro aos Estados Unidos. Dessa forma, boa parte das vendas do setor continua preservada.
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Além disso, a decisão americana leva em consideração a dependência da indústria dos EUA de determinados insumos produzidos no Brasil. Conforme explicou a diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, alguns produtos são considerados estratégicos para as cadeias produtivas norte-americanas e não possuem oferta suficiente no mercado interno.
Apesar da importância dos Estados Unidos, o país perdeu espaço entre os principais compradores do agro brasileiro nos últimos meses. Entre janeiro e junho deste ano, o mercado americano respondeu por apenas 6% das exportações do setor. Em comparação, a China concentrou 35% das vendas, enquanto a União Europeia participou com 14%.
De acordo com o Ministério da Agricultura, os Estados Unidos seguem como o terceiro principal destino das exportações do agronegócio brasileiro. No entanto, as compras caíram 25,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Açúcar, etanol e frutas seguem entre os produtos tarifados
Nem todos os segmentos conseguiram escapar da nova cobrança. Açúcar, etanol, frutas, máquinas agrícolas, parte dos pescados e o sebo bovino continuam sujeitos à tarifa adicional de 25%.
No setor sucroenergético, a preocupação é maior entre os produtores do Nordeste. Como consequência, o governo federal publicou uma medida provisória para reduzir parte das perdas. O programa prevê uma subvenção de R$ 12 por tonelada de cana comercializada, beneficiando milhares de agricultores.
Já o etanol também permaneceu na lista dos produtos taxados. Ainda assim, representantes do setor avaliam que os impactos tendem a ser limitados. Isso ocorre porque os Estados Unidos representam uma parcela relativamente pequena das exportações brasileiras do biocombustível.
Na fruticultura, a situação também exige atenção. Uvas, melões e melancias terão aumento na carga tributária para entrar no mercado americano. Por isso, produtores e exportadores estudam novas estratégias comerciais e aceleram a busca por mercados alternativos.
O setor de máquinas agrícolas também será afetado. Entretanto, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) acredita que os reflexos devem ser moderados, já que as exportações para os Estados Unidos representam uma fatia reduzida do faturamento da indústria.
Entre os pescados, o filé de tilápia congelado permaneceu sujeito à cobrança, assim como lagostas vivas e algumas algas destinadas à alimentação humana.
Além disso, o sebo bovino segue na lista dos produtos tributados. A Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra) informou que continuará trabalhando para tentar reverter essa decisão junto às autoridades americanas.
Café, carne bovina e suco de laranja estão entre os isentos
Por outro lado, alguns dos principais produtos exportados pelo Brasil ficaram livres da nova tarifa. A decisão foi recebida com alívio por diferentes cadeias do agronegócio.
O café está entre os maiores beneficiados. A ampliação da isenção incluiu também o café solúvel não aromatizado, fortalecendo a posição do Brasil como maior produtor e exportador mundial do produto.
A carne bovina também escapou da cobrança adicional. Atualmente, os Estados Unidos enfrentam um período de baixa oferta de gado, fator que aumenta a necessidade de importações brasileiras para abastecer o mercado local.
Outro destaque é o mel. O Brasil responde por aproximadamente 75% do fornecimento de mel orgânico consumido pelos americanos. Dessa maneira, a manutenção da isenção evita aumento de custos para consumidores e importadores dos Estados Unidos.
Na piscicultura, parte dos pescados permaneceu isenta. Entre eles estão a tilápia inteira e o filé fresco de tilápia. Segundo entidades do setor, essa decisão pode impulsionar as exportações brasileiras nos próximos meses.
O suco de laranja também ficou fora da nova tarifa. A isenção reflete a forte dependência do mercado americano da produção brasileira. Além disso, a citricultura da Flórida enfrenta dificuldades provocadas pelo greening, doença considerada uma das maiores ameaças aos pomares de laranja no mundo.
Enquanto isso, os setores que permanecem sujeitos à tarifa acompanham as negociações entre Brasil e Estados Unidos. Ao mesmo tempo, produtores e exportadores buscam diversificar mercados e reduzir os impactos da nova política comercial sobre o agronegócio brasileiro.








