Resumo da notícia
- O Sicoob destaca sua solidez com 321 cooperativas e 9,5 milhões de cooperados, presentes em mais de 420 municípios, focando no atendimento onde bancos tradicionais não atuam.
- O agronegócio é pilar central, com R$ 60 bilhões destinados ao Plano Safra, beneficiando cerca de 176 mil famílias, especialmente pequenos e médios produtores rurais.
- O sistema amplia a carteira de crédito rural para R$ 93 bilhões, oferecendo crédito personalizado e mantendo forte presença física para garantir agilidade e proximidade com os produtores.
A solidez do sistema cooperativista, a leitura cautelosa do cenário econômico e a aposta no relacionamento próximo com o produtor rural marcaram a coletiva do Sicoob na 38ª Show Rural Coopavel, realizada em Cascavel, no Oeste do Paraná. Executivos nacionais e regionais detalharam os resultados do sistema, os desafios para 2026 e as estratégias para seguir apoiando o agronegócio, especialmente em um momento de instabilidade do sistema financeiro tradicional.
Participaram da coletiva Miguel de Oliveira, presidente do Conselho de Administração do Centro Cooperativo do Sicoob (CCS); Ênio Meinen, diretor de Coordenação Sistêmica, Sustentabilidade e Relações Institucionais do Sicoob (CCS); Luciano Ribeiro, superintendente de Desenvolvimento de Agronegócios do Sicoob (CCS); Jean Rodrigues, presidente do Conselho de Administração do Sicoob Central Unicoob; Márcio Gonçalves, diretor-presidente do Sicoob Unicoob; Carlos Schlick, diretor de Negócios do Sicoob Central Unicoob; Wady Cury, diretor-executivo da Unicoob Corretora de Seguros; Francisco Puton, diretor-superintendente da Unicoob Administradora de Consórcios; Michel Tamura, gerente de Agronegócios e PJ do Sicoob Unicoob; e Gizélio Linhares, presidente do Conselho do Sicoob Credicapital.
Solidez nacional com presença local
Representando o Sicoob nacional, Miguel de Oliveira destacou a dimensão do sistema, hoje formado por 321 cooperativas, com 9,5 milhões de cooperados em todo o Brasil. Segundo ele, a presença em mais de 420 municípios, muitos deles atendidos exclusivamente pelo cooperativismo de crédito, é um diferencial estratégico. “Os bancos convencionais não têm tanto interesse e nós estamos presentes onde a comunidade precisa”, afirmou.
O agro segue como pilar central. Entre 30% e um terço da carteira de crédito do Sicoob está ligada ao agronegócio. Para o Plano Safra, o sistema destinou R$ 60 bilhões, dos quais cerca de R$ 40 bilhões já foram entregues, beneficiando aproximadamente 176 mil famílias, sobretudo pequenos e médios produtores.
Crédito sob medida e olho no olho
Luciano Ribeiro ressaltou que muitas cooperativas do sistema nasceram no campo e mantêm essa origem como valor. Ele destacou o crescimento da carteira de crédito rural, que saltou de R$ 17 bilhões, há seis anos, para R$ 93 bilhões atualmente. “Conhecemos a família do produtor rural, sabemos de onde ele veio, quem ele é. Isso permite adequar as linhas de crédito à real necessidade do produtor”, disse.

Mesmo com o avanço da digitalização, o Sicoob segue ampliando a rede física. A maior rede de agências do País garante proximidade, renegociação quando necessário e agilidade. Em algumas operações, o crédito pode ser liberado em menos de 48 horas.
Paraná em destaque no cooperativismo
No recorte estadual, Jean Rodrigues apresentou um panorama do Sicoob no Paraná, formado por 15 cooperativas, sendo 13 atuantes diretamente no Estado, com cerca de 900 mil cooperados e mais de 400 agências. “O agro é prioridade. Trabalhamos com inovação, tecnologia e sustentabilidade, porque produzir mais com menos é o caminho”, afirmou.
Márcio Gonçalves reforçou o modelo cooperativista como fator de segurança. “Temos um dos menores níveis de inadimplência do País porque orientamos o cooperado. Aqui, ele é sócio, participa e decide”, disse, ao lembrar a relação histórica do Sicoob com a feira.
Números da feira e impacto regional
Carlos Schlick destacou o desempenho recorde na feira. A expectativa inicial era de R$ 2 bilhões em negócios, mas o volume já ultrapassou R$ 3 bilhões antes do encerramento, com projeção de superar R$ 4 bilhões. As mesmas condições oferecidas no parque tecnológico também estão disponíveis nas agências, beneficiando produtores em plena colheita.
Para Gizélio Linhares, mais do que o crédito, o impacto está na riqueza gerada. “Desenvolvimento acontece quando o produtor investe, paga o crédito e ainda vê o dinheiro sobrar para melhorar a vida da família e expandir o negócio”, afirmou.
Segurança além do financiamento
O Sicoob também levou à feira soluções em seguros e consórcios. Wady Cury resumiu o papel do seguro rural: “A agricultura é a arte de saber esperar; o seguro é a arte de tranquilizar”. Já Francisco Puton destacou o consórcio como alternativa eficiente para quem planeja investimentos, com taxas mais atrativas e fortalecimento do relacionamento cooperativo.
Ao final, a mensagem foi direta ao produtor: em um cenário desafiador, o cooperativismo de crédito se mantém ao lado do campo, oferecendo segurança, justiça financeira e parceria de longo prazo.