Os primeiros testes industriais com briquetes de sorgo-biomassa realizados em outubro deste ano apresentaram resultados promissores, reforçando o potencial dessa planta como uma solução energética sustentável no país. A iniciativa, liderada pela Embrapa em parceria com empresas como a Calmais, busca consolidar a gramínea como uma alternativa viável à madeira em processos industriais, especialmente para geração de energia.

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Pesquisas apontam que o sorgo-biomassa pode substituir até 66% da madeira em processos industriais sem perda do poder calorífico, mantendo teores de cinzas abaixo de 3%. O processo de densificação em briquetes ou pellets, orientado pela Embrapa, facilita o transporte, o armazenamento e a automação industrial, superando desafios como alta umidade e baixa densidade da biomassa.

“Reduzimos o volume, aumentamos a densidade e otimizamos toda a logística para o uso do sorgo na indústria. É um grande avanço rumo a uma matriz energética mais limpa”, explica Marina Morales, pesquisadora da Embrapa Florestas.

O híbrido BRS 716, já comercializado no Brasil, apresenta alto desempenho agronômico, adaptabilidade a diferentes regiões e excelente produção de biomassa por hectare, sendo possível realizar todo o cultivo de forma mecanizada.

Testes industriais e resultados iniciais

A Calmais, uma das parceiras da Embrapa, demonstrou que briquetes produzidos com sorgo-biomassa apresentam boa densificação e resistência. “Os briquetes formaram-se sem fragmentação, confirmando o potencial da matéria-prima. Estamos otimistas com os próximos passos”, afirmou Antônio Holanda Neto, proprietário da empresa.

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O sorgo-biomassa também se mostrou vantajoso em condições adversas, como solo raso e baixa disponibilidade hídrica, destacando-se em regiões como o Nordeste brasileiro.

Essa espécie representa ao País a chance de liderar a transição para uma matriz energética mais limpa, mas depende de investimento contínuo em pesquisa e novas parcerias. Reprodução – Calmais

A possibilidade de combiná-lo com outras biomassas residuais, como cascas de coco e babaçu, amplia ainda mais suas aplicações industriais.

Transição energética e sustentabilidade

O Brasil é um dos maiores consumidores de biomassa para geração de energia, enfrentando pressões para reduzir sua dependência de combustíveis fósseis. A alta produtividade do sorgo-biomassa, aliada a sua rápida maturação (ciclo inferior a 180 dias), oferece uma solução eficiente e renovável.

“Com o sorgo-biomassa, podemos promover segurança energética e sustentabilidade. Especialmente em um cenário de crescente demanda por fontes renováveis”, enfatiza Flavio Tardin, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo.

Apesar do avanço, a consolidação do sorgo-biomassa como alternativa energética depende de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e parcerias industriais. A Embrapa busca ampliar estudos e firmar novos acordos para validar seu uso em diferentes indústrias e regiões.

O que é o sorgo-biomassa?

O sorgo-biomassa é uma gramínea de rápido crescimento e alta produção de biomassa, utilizada principalmente para geração de energia. Entre os tipos de sorgo, ele se destaca pelo poder calorífico semelhante ao da cana-de-açúcar e do capim-elefante, sendo uma opção eficiente e sustentável.

Com sua versatilidade e vantagens ambientais, o sorgo-biomassa surge como uma solução promissora para transformar a matriz energética brasileira e impulsionar a transição para um futuro mais sustentável.