Depois de quase quatro meses de valorização e recordes reais, os preços do café registraram queda em março. Levantamento do Cepea aponta que o arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto na capital paulista, teve média mensal de R$ 2.547,71 por saca de 60 kg. O valor representa recuo de 3,16% (ou cerca de R$ 80 por saca) em relação a fevereiro.
O robusta tipo 6, peneira 13 acima, a retirar no Espírito Santo, fechou o mês a R$ 2.003,02 por saca de 60 kg, queda de 2,3% (ou R$ 47,07 por saca). Pesquisadores do Cepea afirmam que o mercado aguarda uma definição mais clara sobre o volume da safra brasileira de 2025/26. O ciclo de altas foi interrompido em meados de março. Ou seja, com o retorno das chuvas e a redução do calor intenso nas regiões produtoras, principalmente nas lavouras de arábica. Em geral, algumas áreas ficaram mais de 30 dias sem precipitações, o que prejudicou o enchimento e a maturação dos grãos.
Arroz: preço recua 14% em março
O Indicador CEPEA/IRGA-RS do arroz em casca (58% de grãos inteiros e pagamento à vista) caiu 14% em março, encerrando o mês a R$ 77,30 por saca de 50 kg. O valor retornou aos patamares nominais de outubro de 2022. Segundo o Cepea, a queda reflete a expectativa de maior oferta e o avanço da colheita nesta safra.
A desvalorização nas cotações internacionais, divulgadas pela FAO, e o patamar dos preços de importação também pressionam o mercado doméstico. Vendedores estão retraídos, apostando que os preços atuais favoreçam as exportações e ajudem a reduzir estoques. Muitos produtores fazem caixa com outros grãos e já sinalizam a possibilidade de reduzir a área plantada na próxima safra.
As unidades de beneficiamento enfrentam dificuldades na comercialização e na manutenção dos preços junto aos grandes centros consumidores. Margens apertadas dificultam a negociação. Compradores consultados pelo Cepea demonstraram pouco interesse em novas aquisições e seguem recebendo, principalmente, arroz depositado.
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