A FriGol, uma das principais processadoras de carne bovina do País, encerrou 2024 com receita líquida de R$ 3,5 bilhões, alta de 13% em relação ao ano anterior. O faturamento bruto foi de R$ 3,7 bilhões, avanço de 12% na mesma comparação. O desempenho positivo veio mesmo em um cenário desafiador para o setor, marcado pela alta no preço da arroba bovina ao longo do segundo semestre.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) somou R$ 179 milhões no ano, 22% acima de 2023, com margem de 5,1%. Já o lucro líquido atingiu R$ 219 milhões, resultado impulsionado por um ganho fiscal de R$ 141 milhões, decorrente de uma decisão favorável transitada em julgado. O valor representa um salto de 300% em relação ao ano anterior.
“Os resultados refletem o esforço contínuo da companhia para gerar valor. Mesmo em um ano de custos pressionados e preços mais desafiadores, mantivemos o crescimento”, afirmou o CEO da FriGol, Luciano Pascon.
Recorde de abates
A empresa também bateu recorde de abates: foram 665 mil bovinos no ano, aumento de 16% frente a 2023. Foi o terceiro ano consecutivo com crescimento superior a dois dígitos na produção.
As exportações responderam por 52% da receita bruta da companhia, enquanto o mercado interno representou os 48% restantes. A China permaneceu como principal destino dos embarques internacionais, embora sua participação tenha recuado de 86% em 2023 para 78% no ano passado.
Em contrapartida, outros mercados ganharam relevância. As vendas para Israel cresceram 61%, passando a representar 10% das exportações — ante 7% no ano anterior. Hong Kong manteve sua fatia estável, próxima de 2%. Já o conjunto de novos destinos — como Canadá, Filipinas e Argélia — respondeu por 10% das exportações, mais que o dobro dos 4% registrados no ano anterior.
No mercado doméstico, a FriGol reforçou o foco em produtos de maior valor agregado. Linhas como FriGol Chef, FriGol Angus e BBQ Secrets apresentaram crescimento de 14% no volume vendido. O projeto “Açougue Completo” também avançou, com a inauguração de dez novas unidades em supermercados parceiros. Ao fim de 2024, a rede somava 55 lojas.
2023 x 2024
A FriGol encerrou o ano com posição de caixa de R$ 360 milhões, praticamente em linha com o saldo de 2023. A alavancagem financeira ficou em 1,2 vez a relação entre dívida líquida e Ebitda — patamar considerado saudável para o setor frigorífico.
Segundo o CFO da empresa, Eduardo Masson, 2024 foi um marco na estrutura financeira da companhia. Em outubro, a FriGol obteve rating A- atribuído pela Moody’s, reflexo de melhorias na governança e estrutura de capital. No mesmo mês, a empresa realizou sua primeira operação de Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) com nota A pela agência de risco, captando R$ 160 milhões com coordenação dos bancos Bradesco e Safra.
“Esse trabalho contínuo de gestão da dívida resultou no alongamento dos prazos. Hoje, cerca de 75% dos compromissos financeiros estão no longo prazo”, afirmou Masson.
Alta no último trimestre de 2024
O último trimestre do ano foi o melhor período de 2024. A empresa registrou receita líquida de R$ 986 milhões, 15% acima do mesmo intervalo de 2023. O Ebitda somou R$ 61 milhões, com margem de 6%. Já o lucro líquido alcançou R$ 208 milhões no trimestre, resultado influenciado pelo ganho fiscal.
Na agenda socioambiental, a FriGol passou a monitorar 100% dos fornecedores indiretos de nível 1, com base nos critérios do Protocolo Febraban (SARB 26). A empresa também aderiu ao Protocolo Primi, que certifica a conformidade socioambiental dos animais desde o nascimento até o abate.
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