As importações brasileiras de fertilizantes registraram forte crescimento nos primeiros sete meses de 2025. Dados da StoneX, empresa global de serviços financeiros, mostram que o país comprou quase 20% mais fertilizantes fosfatados e 12% mais nitrogenados em relação a 2024. O movimento consolida o Brasil como um dos maiores importadores globais do insumo.

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Contudo, um detalhe crucial define o mercado: os agricultores e importadores estão priorizando produtos menos concentrados. Essa escolha exige um volume maior de toneladas para suprir a mesma necessidade de nutrientes por hectare, o que explica parte expressiva do crescimento.

Mudança no perfil de compra

O relatório da StoneX detalha uma mudança significativa no perfil de importação. As compras de MAP, um fosfatado concentrado, caíram 7,6%. Em contrapartida, a demanda por SSP (menos concentrado) subiu 19% e a por NP saltou aproximadamente 60%.

No front nitrogenado, as importações de ureia recuaram 15%. Já as de sulfato de amônio, alternativa menos concentrada, dispararam quase 70%.

Cenário internacional define rumo

Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, explica que a condição do mercado global motivou a mudança. “A oferta de fosfatados de alta concentração, como MAP e DAP, segue restrita. A China manteve limites às exportações e a forte demanda da Índia pressionou os preços para cima”, afirma.

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Com preços altos e relações de troca desfavoráveis frente à soja e ao milho, os importadores buscaram alternativas. O SSP, por exemplo, apresentou melhor custo-benefício em diversos momentos.

“A demanda brasileira se voltou para produtos que atendem às necessidades dos agricultores, contornando os preços elevados e a oferta restrita”, destaca Pernías.