Resumo da notícia
- Pesquisadores brasileiros registraram o primeiro caso mundial de albinismo total em uma raposa-caranguejeira, animal com pelagem branca e olhos avermelhados, confirmando uma condição genética rara que afeta a fauna neotropical.
- O flagrante ocorreu em Nova Maringá (MT), durante um passeio, quando a raposa albina foi filmada, surpreendendo a comunidade científica pela raridade do fenômeno entre carnívoros da região.
- Estudo identificou 30 casos de leucismo e albinismo em sete espécies, destacando fatores genéticos e ambientais, como isolamento geográfico e endogamia, que favorecem a fixação de alelos responsáveis pela hipopigmentação.
- O albinismo total prejudica a camuflagem, comunicação e reprodução da raposa, aumentando sua vulnerabilidade à predação e reduzindo suas chances de sobrevivência no ambiente natural.
Pesquisadores brasileiros documentaram um marco histórico para a fauna nacional. Eles registraram o primeiro caso confirmado de albinismo total em uma raposa-caranguejeira (Cerdocyon thous) no mundo. O animal, também conhecido como cachorro-do-mato, apresenta características únicas que chamaram a atenção da comunidade científica.
O flagrante aconteceu no município de Nova Maringá, no Mato Grosso, durante o fim da tarde de 15 de março de 2023. Maico Sávio enviou o vídeo gravado por sua tia, Rosicleia Ralla Sávio, que fez o registro durante um passeio de carro.
“Numa tarde, por volta das 17h30, minha tia estava dando uma volta de carro e se deparou com o animal. Foi uma surpresa!”, conta Maico Sávio.
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Características únicas distinguem albinismo de outras condições
O animal apresenta pelagem completamente branca e olhos claros. Essas características confirmam o albinismo total, uma condição genética extremamente rara. A condição difere do leucismo, pois envolve a ausência completa de melanina nos pelos, pele e olhos.
Carolina Fontoura, uma das autoras do artigo científico resultante da descoberta, explica o diagnóstico. “Indivíduos albinos apresentam pelagem completamente branca e olhos de tonalidade avermelhada, características observadas no animal registrado”, afirma a pesquisadora.
A descoberta motivou uma investigação ampla sobre anomalias de coloração em carnívoros neotropicais. Os cientistas identificaram 12 estudos que relatam 30 casos de leucismo e albinismo. A pesquisa envolveu sete espécies diferentes da fauna regional.
Fatores genéticos e ambientais explicam condição rara
Carolina Fontoura destaca que o albinismo representa uma condição extremamente rara entre carnívoros neotropicais. “O que mais me chamou a atenção foi a ausência completa de pigmentação no animal, considerando que Cerdocyon thous apresenta, normalmente, pelagem com coloração variando do cinza-escuro ao marrom-acinzentado”, relata ela.
A pesquisadora aponta fatores genéticos e ambientais como principais causas da hipopigmentação. Alterações no ambiente e endogamia contribuem para o surgimento do albinismo. O isolamento geográfico e a redução populacional também influenciam o desenvolvimento da condição.
“Fatores como o isolamento geográfico e a redução do tamanho populacional podem levar à fixação de alelos, resultando em baixa variabilidade genética, o que frequentemente causa anomalias na pigmentação”, explica Carolina.
Condição afeta sobrevivência e comportamento animal
O albinismo total impacta significativamente a vida do animal. A condição compromete a comunicação, reprodução e camuflagem da raposa-caranguejeira. Esses fatores tornam o animal mais vulnerável à predação e reduzem suas chances de sobrevivência.
Apesar do nome popular “raposa”, a espécie pertence à família dos canídeos sul-americanos. O animal é parente próximo dos lobos e cães domésticos, justificando o nome alternativo cachorro-do-mato usado em várias regiões brasileiras.
Carolina reforça a importância de documentar casos semelhantes. Os registros ampliam o conhecimento científico sobre genética, distribuição e frequência dessas características em animais silvestres. A descoberta contribui para futuras pesquisas sobre conservação e biodiversidade da fauna brasileira.
O caso representa não apenas uma curiosidade científica, mas também um alerta sobre a necessidade de preservação dos habitats naturais. A manutenção da diversidade genética depende da conservação adequada dos ecossistemas onde essas espécies vivem.