O Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) consolida-se como um dos principais destinos de educação ambiental da Zona da Mata mineira. Situado na Mata do Krambeck, um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica em área urbana do Brasil, o espaço ganhou uma nova atração que promete encantar visitantes de todas as idades: o Meliponário de Abelhas Nativas e a Trilha do Mel.

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Foto: Breno Moreira/Divulgação

É o primeiro meliponário destinado à educação ambiental na Zona da Mata mineira, representando um marco na conservação e estudo das abelhas sem ferrão da região. O projeto, coordenado pela professora Ana Paula Gelli e viabilizado por meio de financiamento da FAPEMIG, oferece uma experiência educativa única aos visitantes.

Um fragmento de Mata Atlântica preservado

O Jardim Botânico da UFJF abriga mais de 400 espécies nativas da Mata Atlântica, oferecendo aos visitantes a oportunidade de compreender os usos, relações ecológicas e dimensões culturais dessa biodiversidade. O espaço funciona como um verdadeiro laboratório a céu aberto, onde ações de educação ambiental possibilitam a troca de saberes sobre a biodiversidade.

Foto: Breno Moreira/Divulgação

A visitação é gratuita e aberta ao público em geral. Horário de visitação de terça a domingo, das 8h às 17h, com última entrada de visitantes às 16h. O acesso se dá pela Rua Coronel Almeida Novaes 246, no Bairro Santa Terezinha.

Trilha do Mel: uma jornada pelo mundo das abelhas nativas

A Trilha do Mel conduz os visitantes através de um percurso educativo até o meliponário, onde podem observar de perto diferentes espécies de abelhas sem ferrão. O acesso ao início da trilha se dá pelo caminho à esquerda do primeiro lago do Jardim, sendo também possível percorrê-la próxima ao segundo lago.

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Ao longo do percurso, painéis interpretativos apresentam informações sobre a ecologia, o comportamento e a importância desses polinizadores para os ecossistemas. A experiência é complementada por oficinas e atividades educativas que sensibilizam o público para a necessidade de conservação da biodiversidade.

O meliponário é formado por uma série de abrigos que simulam os ninhos naturais das abelhas da tribo Meliponini. Cada abrigo contém uma caixa de madeira modular, separada para abrigar o ninho e os potes de alimento – mel e pólen. As estruturas, instaladas sob telhado verde, se parecem com uma sequência de casinhas, construídas pelo criador de abelhas nativas e marceneiro Paulo César Munck.

Foto: Breno Moreira/Divulgação

Inicialmente, cinco espécies de abelhas nativas e sociais ocupam 13 casas do “condomínio”: jataí, mandaguari, uruçú-amarela e iraí. Das 550 espécies sem ferrão identificadas em países tropicais e subtropicais, cerca de 250 foram encontradas no Brasil, demonstrando a riqueza dessa fauna nacional.

Na Trilha também é possível observar o “hotel” para abelhas solitárias, como a abelha da orquídea e a mamangava, ampliando ainda mais a diversidade de espécies apresentadas aos visitantes.

A importância das abelhas sem ferrão

Segundo Dr. Breno Moreira Motta, biólogo e diretor do Jardim Botânico UFJF, “O Meliponário foi planejado com foco na conservação das abelhas sem ferrão, espécies fundamentais da nossa biodiversidade. Além da conservação, o projeto desenvolve atividades de educação ambiental. Nessas ações, busca-se mostrar à comunidade a importância das abelhas para o equilíbrio dos ecossistemas. O espaço também contribui para a pesquisa científica e extensão universitária. Visitantes podem aprender sobre a biologia e os hábitos dessas espécies. O projeto aproxima ciência e sociedade, despertando consciência ambiental.”

Foto: Breno Moreira/Divulgação

As abelhas sem ferrão exercem papel fundamental nos processos de polinização, influenciando diretamente a regeneração natural, a manutenção da diversidade vegetal e a estabilidade dos ecossistemas tropicais. A perda de habitat, o uso indiscriminado de agrotóxicos e as mudanças climáticas têm impactado significativamente essas populações, reforçando a necessidade de projetos de conservação e educação ambiental.

Experiência educativa para toda a família

As visitas mediadas ocorrem de terça a sexta, em dois horários, das 8h às 11h e das 13h às 16h. São gratuitas, sendo necessário agendamento apenas para escolas e grupos organizados. O ambiente é acessível e pensado para acolher públicos diversos, desde famílias até pesquisadores.

O Jardim Botânico oferece ainda trilhas ecológicas, estufas, coleções científicas e áreas de lazer. Entre suas principais ações estão a conservação da biodiversidade da Mata Atlântica e a realização de projetos de pesquisa. Oficinas, visitas guiadas e exposições são promovidas ao longo do ano, sempre com o objetivo de aproximar ciência e sociedade.

Foto: Divulgação

O projeto integra pesquisa, extensão e conservação, proporcionando oportunidades para estudos em taxonomia, comportamento, conservação genética e manejo racional de meliponíneos. O espaço reforça a compreensão de que a preservação das abelhas não se restringe apenas à produção de mel, mas está intrinsecamente associada à segurança alimentar e à manutenção da biodiversidade.

“A criação do Meliponário sempre esteve entre os objetivos do Jardim Botânico da UFJF. Esse sonho foi concretizado graças à iniciativa da professora Ana Paula Gelli, coordenadora do projeto”, reforça Motta.

Foto: Breno Moreira/Divulgação

O Meliponário configura-se como um instrumento estratégico na promoção da conservação da fauna nativa e da educação ambiental de base científica, contribuindo para a formação de uma consciência ambiental crítica e voltada à sustentabilidade.

A Trilha do Mel representa um convite ao conhecimento e à valorização da natureza. O espaço de harmonia e beleza cênica oferece uma experiência de aprendizado, lazer e contato direto com a sociobiodiversidade, consolidando o Jardim Botânico da UFJF como referência em educação ambiental na região.

Serviço:

Local: Jardim Botânico da UFJF

Endereço: Rua Coronel Almeida Novaes, 246 – Santa Terezinha, Juiz de Fora/MG

Funcionamento: Terça a domingo, das 8h às 17h (última entrada às 16h)

Entrada: Gratuita

Informações: Não é necessário agendamento para visitas individuais

Contato: Site oficial do Jardim Botânico UFJF para agendamento de grupos escolares