Foto: divulgação - Agência Brasil / Rafa NedderMeyer

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) enviou ao governo um documento com sugestões para reduzir o preço dos alimentos. Ou seja, o ofício, assinado pelo deputado Pedro Lupion (PP-PR), presidente da FPA, foi encaminhado aos ministros Rui Costa (Casa Civil) e Fernando Haddad (Fazenda). Em geral, o documento apresenta 20 propostas, sendo nove de curto prazo. Além disso, grande parte das sugestões envolve a redução ou suspensão de impostos.

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Entre as medidas imediatas, a FPA propõe:

  • Revisão da tributação sobre fertilizantes e defensivos agrícolas, garantindo a renovação do Convênio ICMS 100/97 até a reforma tributária;
  • Redução temporária de PIS/Cofins sobre insumos essenciais, como trigo e óleo vegetal;
  • Revisão do Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM);
  • Redução dos requisitos de garantia real para operações de crédito, permitindo o uso de créditos de ICMS na compra de máquinas e insumos agrícolas;
  • Reavaliação dos impostos sobre embalagens essenciais;
  • Desburocratização alfandegária;
  • Ampliação do uso do Portal Único de Comércio Exterior (Siscomex) para padronizar processos alfandegários e sanitários;
  • Eliminação de barreiras regulatórias desnecessárias;
  • Inclusão do óleo de soja na Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum (Letec), zerando temporariamente a TEC para todas as origens.

“Estimular o mercado interno e reduzir o custo de produção, sem comprometer as exportações, são medidas urgentes para a sustentabilidade da cadeia produtiva”, afirma o documento da FPA.

O Instituto Pensar Agropecuária, ligado ao setor produtivo, elaborou as propostas. Em resumo, o estudo alerta sobre o risco de taxação das exportações para conter a inflação interna. “Essa estratégia já foi usada na Argentina e teve resultados desastrosos”, destaca o documento.

Entre as medidas de longo prazo, a FPA sugere:

  • Políticas para reduzir o desperdício de alimentos, revisando normas de validade e incentivando programas de reaproveitamento;
  • Plano Safra sem contingenciamentos;
  • Extinção de barreiras regulatórias no crédito rural;
  • Expansão da subvenção ao seguro rural e do Proagro;
  • Financiamento de longo prazo para investimentos na cadeia de frio;
  • Ampliação da malha ferroviária e hidroviária;
  • Incentivo à produção nacional de fertilizantes e bioinsumos;
  • Recuperação de rodovias estratégicas e estradas vicinais;
  • Expansão da capacidade de armazenagem;
  • Aplicação de medidas antidumping apenas em casos comprovados de concorrência desleal;
  • Aumento da oferta de farelo de milho e soja para reduzir o custo da ração animal, ampliando a mistura de biodiesel e etanol aos combustíveis fósseis.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu ministros para discutir a alta dos alimentos. Além disso, o encontro também tratou do Plano Safra, que incentiva pequenos e grandes produtores.

Nesta semana, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, reuniu-se com representantes do agronegócio, como os setores de açúcar, etanol, biodiesel e carnes. Primeiramente, Fávaro se posicionou contra a restrição das exportações de alimentos.

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Ao mesmo tempo, a equipe econômica do governo também vê com preocupação possíveis medidas para limitar exportações. Em resumo, frutas, café e carnes estão entre os produtos que mais subiram de preço nos últimos meses.