Foto: Eric Nagle - Wikipedia https://www.reddit.com/r/europe/comments/8dlgei/this_olive_tree_in_crete_is_3000_years_old/, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=68441386

Em meio às colinas áridas de Creta, a Oliveira de Vouves se ergue como um monumento vivo da história. Com idade estimada entre 2.000 e 4.000 anos, ela sobreviveu a impérios, guerras e mudanças climáticas, tornando-se um ícone de resistência biológica e cultural. Pesquisadores revelam agora os segredos genéticos por trás de sua longevidade milenar, que inspira estudos sobre adaptação climática e agricultura sustentável.

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A Oliveira de Vouves é considerada uma das mais antigas do planeta. Se confirmada a estimativa superior (4.000 anos), ela seria contemporânea de Alexandre, o Grande e até mesmo do matemático Pitágoras. Seu tronco retorcido, com mais de 12 metros de circunferência, e raízes profundas permitiram que resistisse a secas, incêndios e intervenção humana, continuando a produzir azeitonas até hoje.

Arqueólogos gregos relacionam a árvore a mitos antigos, nos quais as oliveiras representavam o sagrado e simbolizavam a paz. “Ela é mais velha que o Partenon de Atenas e um arquivo vivo da evolução humana”, afirma o biólogo Nikos Koutsikos, da Universidade de Creta.

O segredo da “imortalidade”: mãe-raiz e regeneração clonal

A chave para a sobrevivência milenar está na reprodução vegetativa, um mecanismo único de regeneração. Mesmo se o tronco for destruído, a rede subterrânea de raízes – chamada de “mãe-raiz” – gera novos brotos geneticamente idênticos. “É como se a árvore ‘reiniciasse’ seu ciclo vital continuamente”, explica Koutsikos.

Além disso, a Oliveira de Vouves possui:

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  • Antioxidantes poderosos: neutralizam danos celulares causados por estresse ambiental.
  • Azeite autoprotetor: suas propriedades antimicrobianas e antifúngicas blindam a árvore contra doenças.
  • Tecidos modulares: partes danificadas são isoladas, evitando a propagação de infecções.

Pesquisadores estudam essas adaptações para aplicá-las em cultivos modernos, com o objetivo de aumentar a resistência climática e reduzir o uso de pesticidas.

Além do azeite: impacto ambiental e econômico

As oliveiras não são apenas relíquias históricas. No Mediterrâneo, elas sustentam:

  • Biodiversidade: olivais abrigam mais de 200 espécies de aves e insetos.
  • Combate à desertificação: raízes profundas evitam erosão e retêm água no solo.
  • Economia circular: a produção de azeite movimenta € 2,5 bilhões/ano na Grécia, segundo o Ministério da Agricultura grego.

Chefs globais cobiçam o azeite de oliveiras centenárias na gastronomia. “Cada gota carrega o terroir de milênios de história”, destaca a chef Maria Andonaki, de Creta.

A Grécia protege a Oliveira de Vouves como Patrimônio Nacional, e o local recebe 50 mil turistas por ano. Enquanto isso, cientistas sequenciaram seu DNA para entender como genes específicos controlam a longevidade. “Essas descobertas podem revolucionar a agricultura em um mundo em aquecimento”, afirma Eleni Papadimitriou, geneticista da UE.

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