A decisão dos Estados Unidos de cobrar uma tarifa de 50% sobre a carne bovina brasileira, a partir de 1º de agosto, caiu como um balde de água fria sobre o setor. O anúncio feito por Donald Trump pegou os frigoríficos de surpresa e acendeu o alerta em empresas que dependem do mercado norte-americano.

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Diante da mudança, o setor começou a repensar os próximos passos. Segundo Roberto Perosa, presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), ainda não há uma definição concreta. No entanto, o clima é de urgência. “Estamos conversando sobre os impactos e tentando entender se realmente compensa continuar enviando carne para lá”, afirmou ele, em entrevista à Reuters.

Frigoríficos já começam a recuar

Como resposta imediata, frigoríficos de Mato Grosso do Sul decidiram interromper temporariamente a produção de carne destinada aos Estados Unidos. A pausa, segundo fontes do setor, é estratégica: melhor suspender agora do que correr o risco de acumular carne sem destino, com preços que, após a tarifa, podem não cobrir nem os custos de produção.

Apesar da suspensão, os demais mercados continuam recebendo normalmente. A medida, por enquanto, é limitada ao que seria enviado aos americanos.

Exportações podem migrar para China, Chile e Oriente Médio

Com os Estados Unidos ficando menos atrativos, outras regiões ganham força como destino da carne brasileira. Entre elas estão China, Chile e países do Oriente Médio — todos já conhecidos por importar volumes relevantes e que podem absorver parte do que antes ia para os EUA.

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Essa reconfiguração, no entanto, traz um efeito colateral: mais carne disponível no mercado interno. Caso as exportações não se ajustem rápido, o excedente pode derrubar os preços no Brasil, especialmente no atacado. Isso até pode ser uma boa notícia para o consumidor, mas preocupa quem vive da exportação.

Governo acompanha e discute reação diplomática

Para tentar conter os danos, o governo federal criou um comitê interministerial que vai acompanhar de perto os impactos da nova tarifa. A ideia é avaliar medidas que possam amenizar as perdas e discutir uma possível resposta diplomática.

Dentro do setor, a cobrança é clara: querem uma atuação firme de Brasília. Muitos representantes do setor enxergam a tarifa como uma decisão política, sem base técnica, que rompe acordos comerciais e ameaça uma das principais cadeias produtivas do país.

Enquanto isso, os frigoríficos seguem cautelosos. Avaliam cenário por cenário, calculam prejuízos potenciais e buscam caminhos viáveis. Uma coisa, no entanto, já está clara para todos: o jogo mudou e rápido.

Aspecto Situação Atual
Exportações para os EUA Em avaliação; frigoríficos consideram redirecionar embarques
Medida tarifária Tarifa de 50% passa a valer em 1º de agosto de 2025
Reação do setor Suspensões em Mato Grosso do Sul e busca por novos mercados
Impacto esperado Possível queda no preço da carne no mercado interno
Ação do governo Comitê criado para analisar impactos e negociar resposta diplomática

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