O mercado global de algodão enfrenta turbulências significativas, com o preço atingindo seu nível mais baixo desde 2020, impulsionado por uma queda acentuada na demanda chinesa por algodão dos EUA. A disputa comercial em curso entre as duas maiores economias se intensificou, com a China recentemente impondo uma tarifa de 15% sobre produtos agrícolas dos EUA, incluindo o algodão. Essa medida segue a aplicação de tarifas adicionais dos EUA sobre produtos chineses, aumentando ainda mais a tensão nas relações comerciais bilaterais.
A China, historicamente um grande comprador de algodão dos EUA, mudou sua estratégia de fornecimento nos últimos anos. As tarifas retaliatórias e sanções sobre produtos têxteis produzidos em Xinjiang levaram a China a reduzir sua dependência do algodão americano. Em vez disso, o país voltou-se para fornecedores alternativos, incluindo o Brasil, que agora superou os EUA como o maior exportador de algodão do mundo. Na temporada 2024/25, as importações chinesas de algodão dos EUA devem ser menos da metade do volume visto em anos anteriores.
A queda nas exportações dos EUA ocorre em um momento em que a produção global de algodão está se recuperando. O USDA prevê um aumento de 3,3% na produção global para a temporada 2024/25, liderado pelo aumento da produção nos EUA. No entanto, apesar dessa recuperação, a participação de mercado dos EUA permanece sob pressão devido ao preço competitivo do algodão e barreiras comerciais.
Impactos para o Brasil
O Brasil emergiu como um dos principais beneficiários dessas mudanças no comércio global de algodão. O país está prestes a alcançar uma produção recorde de 3,82 milhões de toneladas de algodão em caroço na temporada 2024/25. Ou seja, um aumento de 5,4% em relação ao ano anterior. Esse crescimento é atribuído à expansão da área plantada, especialmente em Mato Grosso, o maior estado produtor de algodão do Brasil. As exportações brasileiras de algodão permanecem robustas, com envios projetados em 2,8 milhões de toneladas para a próxima temporada.
A guerra comercial não apenas reorganizou as cadeias de suprimentos globais, mas também impactou os preços em mercados importantes. Em março de 2025, os futuros de algodão dos EUA caíram para tão baixo quanto 63 centavos por libra antes de se estabilizar em 67 centavos por libra. Enquanto isso, os preços spot brasileiros e indianos permaneceram relativamente estáveis, destacando sua crescente competitividade no mercado internacional.
À medida que a influência do Brasil na indústria global de algodão se expande, seus produtores continuam a investir em medidas de produtividade e sustentabilidade para manter o crescimento a longo prazo. Além disso, essa mudança destaca as alterações mais amplas nas dinâmicas do comércio global. Países como o Brasil estão capitalizando as tensões geopolíticas para fortalecer suas posições no mercado.
Para os produtores dos EUA, o cenário permanece desafiador enquanto eles navegam pela demanda em declínio da China e pela competição crescente de exportadores emergentes como o Brasil e a Austrália. O cenário em evolução pode ter implicações de longo alcance para as decisões de plantio e estratégias de preços nos próximos anos.
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