Resumo da notícia
- O Estado de São Paulo lidera a produção nacional de alface com mais de 220 mil toneladas em 2023, gerando faturamento estimado em R$ 947 milhões, com destaque para o Cinturão Verde paulista.
- A produção de alface exige manejo cuidadoso, com foco em água de qualidade, solo rico em nutrientes e insolação adequada, além de avanços tecnológicos que aumentam a produtividade e reduzem perdas.
- O Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social compra mais de 80 toneladas da agricultura familiar, movimentando R$ 800 mil e conectando produtores a escolas, universidades e unidades prisionais.
O Estado de São Paulo domina a produção nacional de alface, hortaliça presente diariamente na mesa de milhões de brasileiros. O Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) registrou o cultivo de mais de 220 mil toneladas da folhosa no ano passado, volume que gerou um faturamento estimado em R$ 947 milhões.

O Cinturão Verde paulista reúne as principais regiões produtoras e funciona como polo estratégico de distribuição para a Grande São Paulo. A variedade crespa lidera as preferências dos produtores locais.
Cultivo exige tecnologia e cuidados constantes
O engenheiro agrônomo Thiago Costa, da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) da SAA, explica que a alface apresenta manejo simples, mas a cultura demanda atenção contínua devido à sua sensibilidade. Água de qualidade, solo rico em nutrientes e condições adequadas de insolação determinam o sucesso da produção.
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“A cultura necessita de água livre de contaminantes físicos, químicos e biológicos. O solo deve apresentar boa disponibilidade de nutrientes e matéria orgânica. Os produtores precisam realizar análise de solo anualmente e aplicar adubação equilibrada conforme recomendações agronômicas. A insolação adequada, sem temperaturas excessivas, também é fundamental”, detalha Costa.
Manoel Oliveira, diretor executivo do Instituto Brasileiro de Horticultura (Ibrahort), observa que a cadeia de folhosas passa por forte profissionalização nos últimos anos. Os investimentos em tecnologia estimulam a produção em maior escala.
“O avanço tecnológico aumenta a produtividade através do cultivo protegido e reduz perdas e rupturas no fornecimento ao varejo”, afirma Oliveira.
Agricultura familiar movimenta R$ 800 mil com compras públicas
São Paulo não apenas lidera a produção nacional, mas também se destaca como comprador de alface da agricultura familiar paulista. O Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social (PPAIS) adquiriu mais de 80 toneladas em 2025, movimentando cerca de R$ 800 mil. Escolas, universidades e unidades prisionais recebem os produtos, conectando o campo às políticas públicas e gerando renda direta para famílias produtoras.
A Cooperativa dos Produtores Familiares de Piedade (COFARP) reúne cerca de 50 cooperados que cultivam pepino, escarola, almeirão, salsa, brócolis e alface. A cooperativa produz aproximadamente 6 mil unidades mensais da folhosa e comercializa principalmente no varejo.

José Roberto, presidente da COFARP, destaca a importância do programa estadual. “O PPAIS garante nossa venda. Programamos o plantio com quantidades e datas definidas para entregar o produto conforme o cronograma”, explica.
Hidroponia coloca São Paulo na vanguarda da produção sustentável
São Paulo inaugurou e mantém a liderança na produção hidropônica de alface no Brasil. Fazendas verticais e estufas cultivam a hortaliça sem solo, otimizam o uso de água e aproveitam melhor o espaço disponível.
A SAA disponibiliza crédito através do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP) para produtores que investem em sistemas hidropônicos, via Projeto Desenvolvimento Rural Sustentável Paulista (DRS).
Felipe Alves, secretário executivo do FEAP, detalha as possibilidades de financiamento. “Os recursos apoiam a implantação ou modernização de estufas agrícolas, sistemas automatizados de irrigação e fertirrigação, equipamentos de controle ambiental, além de obras de infraestrutura e adequações tecnológicas nas propriedades rurais”, esclarece.
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Os produtores rurais pessoa física podem financiar até R$ 250 mil, pessoas jurídicas até R$ 500 mil, e cooperativas ou associações até R$ 800 mil. As linhas oferecem juros a partir de 3% ao ano, prazo de pagamento de até 84 meses e carência de até 12 meses.