Resumo da notícia
- O Brasil pode perder cerca de US$ 3 bilhões em exportações de carne bovina para a China devido à nova cota anual de 1,1 milhão de toneladas e tarifa de 55% sobre o volume excedente.
- A tarifa elevada e a cota limitada podem fazer o país voltar ao nível pré-2022, afetando a competitividade do setor, que projeta 1,7 milhão de toneladas exportadas em 2025.
- Setor critica tratamento desigual, pois Argentina e Uruguai receberam cotas maiores proporcionalmente, e há incertezas sobre a gestão e critérios da distribuição das cotas pela China.
O Brasil pode deixar de faturar cerca de US$ 3 bilhões com exportações de carne bovina à China. Isso ocorre após a adoção de novas tarifas e cotas de importação pelo governo chinês. Nesta quarta-feira (31), a China anunciou uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil.
O volume excedente terá tarifa de 55%, o que restringe o acesso ao mercado. Além disso, o país asiático definiu cotas isentas da tarifa para outros grandes exportadores. A medida afeta diretamente a competitividade da carne bovina brasileira.
Exportações
Para 2025, o setor projeta exportações de 1,7 milhão de toneladas de carne bovina à China. Até novembro, os embarques já somaram 1,5 milhão de toneladas, com receita de US$ 8 bilhões. Segundo analistas, a tarifa pode inviabilizar exportações acima da cota estabelecida.
O percentual de 55% dificulta negociações nas atuais condições de mercado. Caso as vendas fiquem limitadas a 1,1 milhão de toneladas, o Brasil voltaria ao patamar pré-2022. Desde aquele ano, as exportações superaram 1 milhão de toneladas anuais.
Tratamento desigual
O setor também critica o tratamento desigual entre fornecedores. A Argentina recebeu cota de 510 mil toneladas, enquanto o Uruguai ficou com 310 mil toneladas. Em resumo, na avaliação de especialistas, esses volumes são elevados em relação ao tamanho dos rebanhos desses países. Por isso, eles consideram que a medida é mais severa para o Brasil.
Distribuição de cotas
Outra preocupação envolve a distribuição das cotas. O setor ainda não sabe qual país fará a gestão nem quais critérios serão adotados. Além disso, as autoridades chinesas também avaliam novas medidas, ainda não detalhadas oficialmente. Entre elas, estão a redução de frigoríficos habilitados e das linhas de crédito aos importadores.
Diante desse cenário, o mercado já projeta revisões nas estimativas de exportação para 2026.
A incerteza aumenta e pressiona o planejamento do setor pecuário brasileiro.