Uma jaguatirica resgatada de cativeiro ilegal em uma fazenda de Uruará, no Pará, chegou ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama. O felino, explorado por uma influenciadora digital em vídeos nas redes sociais, apresentava graves problemas de saúde, incluindo desnutrição, parasitas e lesões.

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Uma publicação compartilhada por Ibama (@ibamagov)

Ao ser avaliada pela equipe do Ibama, a jaguatirica revelou um quadro alarmante:

  • Desnutrição severa e perda de pelos;
  • Infestação por parasitas, como bicho-de-pé nas patas;
  • Lesão óssea na pata dianteira esquerda, possivelmente por trauma ou deficiência nutricional;
  • Perda dos caninos do lado esquerdo.

A influenciadora publicou vídeos que exibiam o animal em situações incompatíveis com seu comportamento natural, como estar no colo da mulher, interagir com cães, gatos, galinhas e até um cavalo, além de receber uma alimentação inadequada. Alguns desses animais domésticos apresentavam sinais de leishmaniose, uma doença grave que pode ser transmitida a humanos e a outros animais.

Riscos à saúde pública e ambiental

A coordenadora de Conservação da Fauna do Ibama, Juliana Junqueira, alertou:

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“A exposição a animais domésticos e a alimentação incorreta agravaram o estado de saúde da jaguatirica. Além dos danos físicos, houve alteração comportamental, comprometendo seus instintos naturais.”

Animal perdeu dois caninos, possivelmente por deficiência nutricional. Foto: Tony Aquino/Ascom-Ibama

A equipe do Cetas fará exames clínicos e laboratoriais para detectar doenças infecciosas e zoonoses (doenças transmitidas entre animais e humanos). O protocolo de reabilitação inclui tratamentos médicos e treinamentos para restaurar comportamentos selvagens, visando à reintrodução na natureza, se possível.

Apreensão e penalidades

A ação ocorreu após denúncia de que a influenciadora usava a imagem do animal para monetização nas redes sociais. Durante a operação, a jaguatirica foi encontrada escondida em um guarda-roupa.

A Justiça aplicou multa de R$ 10 mil à autora com base na Lei de Crimes Ambientais (9.605/1998), que proíbe a posse ilegal e a exploração de fauna silvestre. Além disso, determinou a remoção dos vídeos das plataformas digitais, sob pena de multa diária em caso de descumprimento.

O Ibama reforça a importância de não compartilhar conteúdos que incentivem a posse irregular de animais silvestres. “A busca por likes não justifica o sofrimento de espécies protegidas. Denuncie!”, destacou Juliana.

Enquanto a jaguatirica se recupera, autoridades ambientais investigam se outros animais da propriedade precisam de resgate. O caso expõe os perigos do tráfico de fauna e da humanização de espécies selvagens.

Para denúncias: Disque Ibama 0800 61 8080 ou use o aplicativo Linha Verde.

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